Banca online: menos custos e mais flexibilidade para atrair clientes

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A banca online no nosso país tem crescido nos últimos anos como reflexo das vantagens que oferece face aos canais físicos tradicionais para o consumidor e, claro, para as instituições bancárias, que encontram nesta solução uma oportunidade para reduzir custos (e, consequentemente, aumentar as suas margens). Para perceber qual a oferta disponibilizada pelos bancos focados no mundo digital, fizemos uma análise ao mercado português.

A multiplicação de canais digitais tem permitido que as instituições bancárias consigam disponibilizar produtos e serviços diferenciados enquanto diminuem encargos com pessoal (entre outros custos fixos) dada a redução significativa de balcões.

 O internet banking como alternativa ao espaço físico

Se o internet banking serviu, nos seus primórdios (final da década de 90 em Portugal), sobretudo para veicular informação comercial sobre produtos e serviços prestados por cada banco, com o desenvolvimento da tecnologia tem vindo a afirmar-se como uma verdadeira alternativa, podendo os clientes realizar todo o tipo de operações e tratar das mais diversas questões a partir da comodidade do seu sofá.

De acordo com o estudo Basef Banca de 2016, realizado pela Marktest, mais de 2,5 milhões de portugueses utilizam serviços de internet banking, sendo maioritariamente homens entre os 25 e os 34 anos e de classe média-alta.

Embora a taxa de penetração dos serviços de internet banking tenha aumentado 16 pontos percentuais na última década, a verdade é que, apesar de terem fechado um grande número de agências físicas nos últimos anos, este valor se mantém estagnado desde 2014. Segundo o mesmo estudo, apenas um terço (35%) dos titulares de conta bancária em Portugal utilizam os serviços online.

Acontece que, não obstante as visíveis vantagens, existem ainda muitos utilizadores que apenas utilizam os serviços bancários online de forma esporádica, essencialmente para comprovar o saldo bancário evitando realizar operações com um maior nível de risco percebido. Comprovando essa mesma realidade, segundo dados do Eurostat,  os utilizadores de Internet portugueses (26%) são, dentro da União Europeia, aqueles que mais têm medo dos riscos de segurança ao usar serviços de banca online, sendo apenas superados pelos alemães (27%).

Os canais digitais afirmam-se como um dos maiores desafios do setor bancário no nosso país, sendo ainda necessários alguns anos até estes se afirmarem como os canais preferenciais de contacto entre o banco e o cliente”, afirma Sérgio Pereira, diretor geral do ComparaJá.pt, acrescentando que “A massificação do uso de dispositivos móveis conectados à internet será o grande impulsionador desta revolução na forma como os consumidores gerem e movimentam o seu dinheiro”.

Banca online em Portugal

O mercado bancário português conta atualmente com três players cujo ADN é totalmente digital: ActivoBank, Banco BEST e o BIG – Banco de Investimento Global. Para além de permitirem quase todas as operações bancárias, também operam na corretagem e no investimento em fundos.

Apoiados, em alguns casos, por uma pequena rede de balcões, estes bancos operam com grandes vantagens em termos de custos para o cliente, com comissões mais baixas do que nos bancos tradicionais. Vejamos os custos associados aos produtos base em cada uma das instituições:

Contas bancárias
Banco Tipo de conta Comissões
Manutenção Talão de levantamento
ActivoBank Conta Corrente 4,50€
Conta Ordenado 4,50€
Banco Best Conta Corrente
Conta Ordenado 23,40€/ano
BiG Conta Corrente 5€

“A ausência de custos de manutenção nas contas – excetuando a conta ordenado do Banco Best – tem sido uma das principais “bandeiras” para atrair clientes por parte destes bancos”, refere Sérgio Pereira.

“Para além disso, também os custos associados aos cartões de crédito e débito são bastante atrativos, sendo mesmo, em muitos casos, inexistentes”, sublinha o responsável do ComparaJá.pt.

Custos associados ao cartão de crédito
Banco Anuidades Comissões
1º Titular 2º Titular
1º ano Anos seguintes 1º ano Anos seguintes Emissão Cartão Substituição Cartão Valores em dívida
ActivoBank 12€ 12€
Banco Best 20€ 20€ 10€ 10€ 20€ 20€ 4% (Mín. 12€ e Máx. 150€)
BiG 35€ 15€ 4€ (Mín. 12€)
Custos associados ao cartão de débito
ActivoBank 15€ n/a
Banco Best 18€ 18€ 18€ 18€ 18€ 18€ n/a
BiG 7,50€ 7,50€ 7,50€ 7,50€ 6,50€ n/a

“Na hora de escolher o seu banco os consumidores devem ter em atenção igualmente o leque de produtos e serviços disponibilizados pela instituição, não se focando apenas nos custos. Por exemplo, para um jovem que ambicione comprar um carro num futuro próximo – o que poderá obrigar a solicitar um crédito pessoal -, fará sentido certificar-se de que o banco seleciona oferece este produto, até porque muitas instituições só aprovam o financiamento – e em vários casos até oferecem bonificações – a clientes com quem tenham uma relação já estabelecida”, aconselha o diretor geral do ComparaJá.pt.

Produtos disponibilizados
Produto ActivoBank Banco Best BiG
Conta Corrente
Conta Ordenado
Conta Poupança
Cartão de Débito
Cartão de Crédito
Crédito Pessoal
Crédito Automóvel
Crédito à Habitação
Depósitos a Prazo
PPR
Fundos
Ações

Fronteira entre banca online e tradicional será eliminada nos próximos anos

“Porque cada vez mais os ditos bancos tradicionais estão a apostar na sua presença online, estou plenamente convicto de que muito em breve não fará sentido fazer a distinção entre estas instituições e aquelas que se focam numa presença maioritariamente online”, afirma Sérgio Pereira.

“Para além do desenvolvimento das suas plataformas de homebanking, que já permitem uma gestão bastante alargada dos vários produtos contratados pelos seus clientes, muitos bancos estão a dar passos concretos para eliminar as barreiras físicas. Aqui falamos, por exemplo, de permitirem a abertura de conta através de um processo totalmente online”, diz o responsável do ComparaJá.pt.

Na verdade, o próprio Bankinter é considerado como um dos maiores players da banca online em Espanha. E se esta instituição recebe esta designação como fruto da sua forte vertente digital, a verdade é que no nosso país temos vários exemplos de instituições que muito facilmente se enquadrariam neste paradigma: o Novo Banco, por exemplo, já no final dos anos 90 lançou a inovadora plataforma BESnet, e desde então a introdução de novas facilidades tecnológicas ao serviço dos seus clientes tem sido uma constante”, acrescenta Sérgio Pereira.

FinTech terão palavra a dizer: o exemplo da N26

“Já começam a surgir em Portugal alternativas à banca tradicional a partir das FinTech, startups financeiras que pretendem transformar os nossos smartphones em autênticos balcões bancários. A N26, é um destes casos”, explica Sérgio Pereira.

A N26, startup com sede em Berlim, anunciou recentemente o alargamento da sua atividade ao nosso país e já tem autorização de atividade emitida pelo Banco de Portugal. Abrir uma conta através da aplicação demora menos de 10 minutos e é totalmente gratuita, assim como não são pagas quaisquer comissões de manutenção.

As transferências via TransferWise são gratuitas, sendo possível enviar transferências MoneyBeam instantâneas usando apenas um endereço de e-mail ou um número de telefone. Esta FinTech também disponibiliza um cartão MasterCard que pode ser usado em qualquer país que aceite este meio de pagamento.

Na versão N26 Black (mensalidade de 5,90 euros), os pagamentos com este cartão não têm custos de câmbio, ao contrário do que sucede na maioria dos bancos. Podem ser realizados cinco levantamentos gratuitos nas caixas ATM com este cartão por mês. A app disponibiliza ainda relatórios de gastos, o que permite aos utilizadores a fácil identificação das áreas em que gastam mais dinheiro.

Nair Dos Santos

Sobre Nair Dos Santos

Especializada em Economia Internacional, a Nair iniciou o seu percurso profissional em Marketing Institucional. Alia a sua criatividade ao universo financeiro com o objetivo de ajudar os portugueses a melhorar a sua literacia financeira e contribuir para o desenvolvimento de uma economia sustentável.

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