Custo do Dinheiro: Taxas de Juro Caem para Metade em Quatro Anos

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Custo do Dinheiro: Taxas de Juro Caem para Metade em Quatro Anos

O Banco de Portugal impõe tetos máximos nas taxas de juro praticadas pelas instituições financeiras relativas ao crédito desde o início de 2013. Para perceber o impacto desta medida, analisámos a evolução dessas taxas nos últimos anos e chegámos à conclusão que tem havido uma redução gradual de 48% no que toca ao custo do dinheiro associado ao crédito pessoal e de 54% nos cartões de crédito.

O que quer isto dizer? Os consumidores com poder económico saem beneficiados, enquanto os portugueses com menos rendimentos poderão ver limitado o acesso a financiamento.

A medida que se utiliza para analisar e estabelecer o custo de um crédito é a Taxa Anual Efetiva Global (TAEG), que inclui, para além dos juros, o valor das despesas, comissões, impostos e encargos com seguros. Ao contrário da TAN (Taxa Anual Nominal), a TAEG inclui assim todos custos de um empréstimo.

Qual a Diferença entre TAN e TAEG?

Tendo em conta que o valor dos juros influencia fortemente as decisões de crédito por parte dos consumidores e que a TAEG máxima muda a cada três meses, importa perceber se esta regulamentação é, na realidade, totalmente vantajosa para os portugueses.

Como são calculadas as taxas máximas?

Desde 2010 que se estipulam, a cada trimestre, limites às taxas máximas nos contratos de crédito aos consumidores. A partir de 2013, ficou regulamentado, conforme o Banco de Portugal (BdP), que as taxas máximas correspondem às TAEG médias praticadas pelas instituições para cada tipo de crédito no trimestre anterior acrescidas de 25%. A título exemplificativo: para os cartões de crédito, se a média de um trimestre for de 10%, no trimestre seguinte o máximo passará para 12,5%.

Acresce ainda uma outra limitação: nenhuma taxa poderá ultrapassar em 50% a TAEG média de todos os contratos de crédito (cartão de crédito, crédito pessoal, crédito automóvel e restantes) do trimestre antecedente. Por exemplo, supondo que a taxa média de todos os tipos de crédito é de 10%, a TAEG máxima permitida é de 15% (10% + 5%).

Vejamos então como se comportaram as TAEG dos contratos de crédito pessoal e de cartões de crédito a partir do momento em que estes limites se impuseram.

Custo do dinheiro no crédito pessoal diminuiu 48%

Na figura abaixo consta a evolução da TAEG máxima nos contratos de crédito pessoal desde 2010 até à atualidade. Se no período que vai de 2010 a 2012 os valores se mantiveram relativamente constantes, a oscilar entre os 18% e os 21%, o mesmo não se pode dizer a partir de então.

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Fonte: Banco de Portugal

Em 2013, o aumento da taxa máxima foi elevado, passando de 21,1% no último trimestre de 2012, para 27,5% logo no início do ano seguinte, tendo-se mantido igualmente elevada (26,5%) no segundo trimestre de 2013 – uma tendência que não prosperou, pois seguiu-se uma queda progressiva.

A TAEG máxima registada no primeiro trimestre de 2013 foi, de facto, a mais elevada do período em análise, o que contrasta com o máximo de 14,2% fixado para o último trimestre de 2016 e com o máximo de 14,3% fixado para o primeiro trimestre de 2017. Estes são os valores mais reduzidos desde 2010.

Crédito Pessoal: Como e Quando Comparar

Se se comparar a taxa do primeiro trimestre de 2013 com a mais recente, dá-se conta de uma redução de 48% no custo do crédito pessoal e consequente custo do dinheiro para os consumidores num período temporal de apenas três anos. Veja aqui quais os 3 créditos pessoais com taxas de juro mais baixas em Portugal.

E no que toca ao cartão de crédito, os números são ainda mais elucidativos.

TAEG do cartão de crédito caiu 54% em apenas quatro anos

Conforme o gráfico abaixo, que mostra a evolução da TAEG máxima do cartão de crédito ao longo dos últimos seis anos, é possível notar um aumento constante da mesma, tendência que se inverteu, no entanto, a partir último trimestre de 2012, momento a partir do qual foi decaindo progressivamente.

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Fonte: Banco de Portugal

De 2010 até ao final de 2012, as taxas máximas estiveram sempre acima dos 30%. Só a partir do primeiro trimestre de 2013 é que se começa a verificar uma diminuição gradual até à atualidade, assim como o custo do dinheiro. Enquanto no quarto trimestre de 2012 a TAEG máxima para um cartão de crédito era de 37,3%, esse valor desceu para os 17% no primeiro trimestre de 2017. Portanto, em quatro anos, o ‘custo do dinheiro’ associado a ter um cartão de crédito caiu aproximadamente 54%.

Limitação das TAEG constrange o acesso ao crédito

A única subida da TAEG neste teto máximo aconteceu precisamente neste ano para os cartões de crédito, do primeiro para o segundo trimestre, mas foi ligeira: apenas 0,2%. Este aumento ficou a dever-se, por um lado, a um agravamento dos impostos sobre o crédito, nomeadamente de cerca de 50% no imposto de selo, e ainda, num nível mais generalizado, a uma maior contenção das instituições financeiras face ao impasse político em Portugal e a um abrandamento da economia mundial em geral.

Porém, após este aumento, as taxas máximas voltaram a baixar, tanto para o crédito pessoal, como para o cartão de crédito, tal como o custo do dinheiro. É importante fazer notar que as taxas de juro oferecidas pelas instituições financeiras dependem do perfil de risco dos clientes.

Taxas de Juro Negativas: o Banco Pode Pagar para Emprestar Dinheiro?

Ainda assim, se fizer uma rápida comparação online, pode encontrar soluções de crédito pessoal de 10.000€ a ser liquidado em 84 meses que permitem poupar 2.234€ face à oferta menos competitiva. Se assim é, por que razão estaria disposto a pagar mais 22,34% pelo mesmo valor de crédito se o montante que um determinado banco empresta é igual ao do banco do outro lado da rua?

O que importa reter é o conceito de ‘custo do dinheiro’, ou seja, qual é o verdadeiro preço de um crédito no final do reembolso. Da mesma forma que, antes de comprar, se comparam telemóveis e máquinas de lavar com o preço mais competitivo nos diversos retalhistas, deve também fazer-se o mesmo exercício que toca ao crédito.

Nair Dos Santos

Sobre Nair Dos Santos

Especializada em Economia Internacional, a Nair iniciou o seu percurso profissional em Marketing Institucional. Alia a sua criatividade ao universo financeiro com o objetivo de ajudar os portugueses a melhorar a sua literacia financeira e contribuir para o desenvolvimento de uma economia sustentável.