O que é a deflação e como afeta as suas finanças?

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Os dados mais recentes da PORDATA, referentes a 2019, revelam que a taxa de inflação no nosso país era de 0,3%, tendo-se vindo a registar uma queda consecutiva ao longo dos últimos anos, o que significa que Portugal se encontra em deflação. Por oposição a inflação, a deflação designa uma queda generalizada dos preços dos bens e serviços ao longo do tempo. Se no curto prazo esta redução parece benéfica para a sua carteira, no longo prazo pode tornar-se alarmante. Descubra porquê.

Como se define a deflação e quando ocorre?

De uma forma simples, a deflação ocorre quando a oferta de bens/serviços disponibilizados pelos produtores/empresas aumenta de forma mais acelerada do que a oferta de dinheiro existente.

A deflação provoca uma valorização do dinheiro na medida em que, com a mesma quantidade de moeda, é possível adquirir mais bens. De uma forma geral, pode dizer-se que a deflação reflete períodos de recessão ou depressão na economia.

Porque é que uma queda nos preços pode ser desvantajosa?

Enquanto consumidor, certamente que desejaria uma redução nos preços dos diversos bens e serviços. Geralmente, quando tal acontece, se os salários se mantiverem, então os consumidores ganham poder de compra, ficando com mais rendimento disponível ao fim do mês, o que também lhes permite poupar mais dinheiro.

Quem não gosta quando os preços dos combustíveis descem ou as rendas das casas ficam mais acessíveis? No curto prazo, a deflação parece, assim, apresentar benefícios para os consumidores.

Contudo, da mesma forma que uma subida generalizada dos preços (inflação) numa economia apresenta riscos – e por isso é que os Bancos Centrais estão sempre a tentar conter o aumento dos preços –, também uma queda tem o seu lado negativo no longo prazo. Vejamos como.

Sabia que…

O Banco Central Europeu (BCE) estabelece limites para a inflação na Zona Euro? Esta barreira é de até 2%, o que significa que os países desta união monetária não devem ter uma taxa de inflação superior a esse valor.

De que forma a deflação pode afetar as suas finanças?

#1 – O peso da dívida aumenta face ao orçamento mensal

Para quem tem dívidas – por exemplo, um crédito à habitação, no qual é comum dar-se a própria casa como garantia para o pagamento do empréstimo -, a verdade é que os bens que tiverem sido usados como colateral sofrem uma diminuição do seu valor perante um cenário de deflação (o que até pode levar os bancos a exigirem garantias adicionais para se precaverem de uma eventual situação de incumprimento). O valor em dívida mantém-se sempre igual, pese embora a queda nos preços.

#2 – O valor dos ativos financeiros também cai

Além disso, também o preço de ativos – tais como as ações – pode entrar em queda, o que leva a perdas para quem os detém, o que desincentiva o investimento. Consequentemente, a falta de investimento contribui para baixar a quantidade de moeda em circulação, o que, por sua vez, potencia a deflação.

As consequências socioeconómicas desta bola de neve podem ser devastadoras.

#3 – A deflação gera desemprego

Se, mesmo com preços mais baixos, muitas empresas não conseguirem vender os seus produtos, acabam por ter de cortar custos, o que pode implicar despedir trabalhadores e estes, por sua vez, sem as suas fontes de rendimento não conseguem consumir e, pior ainda, podem deixar de ser capazes de liquidar as suas dívidas.

Como proteger o seu dinheiro de uma potencial deflação?

Não havendo grandes estratégias para proteger as suas poupanças de uma situação de deflação, existem, no entanto, algumas precauções que pode adotar.

Tente pagar todas as suas dívidas

Na iminência de um corte salarial, por exemplo, pode tornar-se muito difícil fazer face a determinados encargos financeiros, tais como o crédito automóvel que fez para comprar o seu jipe, o plafond do cartão de crédito que usou para pagar as últimas férias nas llhas Gregas ou o crédito à habitação que contraiu para comprar o T2 que durante tanto tempo andou à procura.

Uma forma de se precaver perante um cenário de deflação que pode estar associado a um período de recessão consiste em tentar pagar todas as suas dívidas o mais rápido possível, tornando-se livre de encargos.

Mantenha as suas poupanças investidas

Títulos financeiros como Obrigações do Tesouro ou Certificados do Tesouro são produtos mais seguros para ter as suas poupanças, especialmente numa altura de crise, dado que, à partida, possuem taxas de juro fixas (embora não com tanto retorno como outros que possuam um maior nível de risco). Acabam por funcionar como uma espécie de “refúgio” em tempos economicamente instáveis.

No entanto, não deve investir todo o seu dinheiro num só produto, pois, se diversificar, dilui o risco.

Alimente sempre o seu fundo de emergência

Esta é uma regra que deve seguir independentemente de um eventual cenário de deflação. Ter dinheiro de parte a contar com imprevistos (imagine que tem uma inundação em casa ou que sofre uma avaria no carro de repente) faz com que consiga fazer face aos seus habituais encargos sem risco de incumprimento.

Nair Dos Santos

Sobre Nair Dos Santos

Especializada em Economia Internacional e Marketing Digital, alia a sua criatividade ao universo financeiro com o objetivo de ajudar os Portugueses a melhorar a sua literacia financeira e contribuir para o desenvolvimento de uma economia sustentável.