Seguros associados ao crédito pessoal: vale a pena?

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Os seguros associados ao crédito pessoal têm vindo a solidificar a sua importância ao longo do tempo, uma vez que a instabilidade financeira que atravessámos nos últimos anos levou a que os consumidores, por um lado, e as instituições, por outro, desejassem ter mais garantias no momento de contração de um empréstimo. É neste contexto que os seguros podem trazer algumas vantagens. No entanto, tal como tudo, a moeda não tem apenas uma face.

Quando contrai um crédito pessoal, é frequente que a instituição financeira em questão solicite que faça um seguro associado ao produto. No entanto, existe sempre a questão se contratar este produto vale efetivamente a pena. Para ajudar muitos portugueses, o ComparaJá.pt pesou os prós e contras que existem ao aderir a um seguro associado ao crédito pessoal.

Especificidades dos seguros

Por norma, as principais Instituições Financeiras de Crédito, isto é, que se focalizam na concessão de crédito, não exigem a subscrição de um seguro. Contudo, a par da Credibom, existem algumas que o fazem, como são os exemplos da Abanca, Montepio, Crédito Agrícola, Banif, BPI e BIC.

Em primeiro lugar, convém estruturar quais os seguros possíveis de aderir no início do processo. Geralmente, as Instituições Financeiras de Crédito (IFC) disponibilizam dois principais tipos de seguros, aquando a contratualização de um crédito pessoal:

  • Seguro de vida
  • Seguro de desemprego

Para este último caso, quando existe uma situação de desemprego involuntário, ou seja, justa causa invocada pelo colaborador, desde que o segurado esteja inscrito no Centro de Emprego e Segurança Social, a seguradora paga as prestações à instituição credora até ao limite de 6 meses por sinistro e no máximo de 12 a 36 meses por contrato.

Normalmente, consta nas apólices a incapacidade temporária absoluta para o trabalho por um período superior a 30 dias. No entanto, algumas – como é o caso, por exemplo, do produto Cofidis Crédito Pessoal – impõem uma franquia absoluta de 60 dias e só pagam a indemnização a partir do 61.º dia de baixa.

Nestes seguros, a cobertura de desemprego é exclusiva para trabalhadores por conta de outrem, estando incluídas situações de despedimento coletivo e extinção do posto de trabalho.

Quanto a preços praticados, é algo que varia bastante. Por exemplo, um seguro que cubra desemprego, hospitalização ou baixa médica, para um crédito pessoal de 10 mil euros a ser pago durante cinco anos, tanto pode custar menos de 400 euros, como ultrapassar os mil. Na maioria dos casos, o prémio é único, pago no início do contrato e pode ser financiado, aumentando o valor da dívida. Neste caso, o consumidor acaba a pagar juros sobre o próprio seguro.

Por norma, a idade máxima para ser elegível a aderir ao seguro é de um máximo de 65 anos na altura da contratação e 80 no final do contrato. Mas avancemos para o que são de facto os pontos positivos e negativos dos seguros associados ao crédito pessoal.

Seguro de crédito: vantagens e desvantagens

Pelo que o ComparaJá.pt apurou, as principais vantagens para o consumidor quando contrata um seguro associado ao crédito pessoal que pretende solicitar, são as seguintes:

  1. O seguro de proteção ao crédito é apontado como a solução mais viável de fazer um crédito de forma descansada, uma vez que a segurança que tem, ao longo do crédito, é muito maior;
  1. Em caso de invalidez, incapacidade temporária ou desemprego, a seguradora assume as prestações do cliente, substituindo-o;
  1. Se solicitar um crédito pessoal com seguro, é mais provável ver o pedido ser aceite.

Após a pesquisa pelo mercado efetuada, o ComparaJá.pt achou que este tipo de seguros tem potencialmente mais desvantagens do que vantagens. Com isso em mente, eis as razões que podem levá-lo a não contratar seguro:

  1. Preços muito altos

Os seguros de proteção ao crédito praticados atualmente têm custos muito elevados. Desta forma, contratar um seguro desta natureza vai significar uma boa parte dos custos com o crédito (ver tabela abaixo).

  1. Exclusões

Os trabalhadores independentes e muitos funcionários públicos podem pagar coberturas de que não vão beneficiar.

  1. Período de carência

A maior parte dos seguros só pode ser ativada 60 dias após a assinatura do contrato. Para além disso, depois de ativada a cobertura, só poderá reativá-la meio ano depois.

  1. Proteção deficiente

Os seguros só pagam situações de incapacidade temporária se durarem mais de um mês.

Abaixo poderá verificar, de uma forma muito sucinta, os principais prós e contras que advêm da contratação de um seguro associado ao crédito pessoal.

PRÓS:

  • Maior estabilidade: ao subscrever um seguro de crédito pessoal, terá mais segurança no caso de certos imprevistos acontecerem (dependendo da cobertura do seguro);
  • Maior probabilidade de sucesso no pedido de crédito: cada vez mais, as instituições dificultam o processo de adesão ao crédito, mas subscrever um plano de seguro dá-lhes mais garantias, facilitando, assim, o acesso ao capital;
  • Garante o pagamento do crédito em caso de morte: na eventualidade de óbito, desresponsabiliza os seus familiares de acarretarem com a sua dívida.

CONTRAS:

  • Preço elevado: apesar de as IFCs divulgarem uma taxa de seguro baixa (entre 0,05% e 0,35%), dependendo do prazo e da instituição, pode acabar por pagar 20% do montante financiado (ex: um empréstimo a 10 mil euros, por 84 meses, com uma taxa de seguro = 0,24%, o total de seguro a pagar é 2 mil euros);
  • Baixa cobertura: os seguros mais simples cobrem unicamente óbito e Invalidez Absoluta e Definitiva (IAD), sendo que os que têm maior cobertura, protegem, no máximo, durante 60 dias. Quanto a situações de incapacidade temporária, só cobrem se a mesma durar mais de um mês;
  • Exclusão aplicada a trabalhadores por conta própria e do setor público;
  • Apólices pouco claras: muitas vezes, o texto é confuso e difícil de compreender, mesmo por quem tem formação na área.

Como tudo na vida, existem bons e maus seguros, pelo que a sua subscrição vai sempre depender de caso a caso e do empréstimo em questão, daí a importância de avaliar sempre os prós e contras do seguro proposto. Porém, ainda antes do processo de avaliação de um seguro, convém informar-se sobre as especificidades dos empréstimos em Portugal. Leia aqui tudo o que precisa de saber sobre crédito pessoal.

Sugestões ComparaJá.pt:

  • No momento da contratualização do crédito peça a descrição detalhada das coberturas e prémio mensal de cada um dos seguros em opção;
  • Nos casos em que a IFC disponibiliza mais do que um seguro, analise a cobertura, o montante total de seguro e respetivas valorizações;
  • Analise em primeiro lugar a sua situação (conta própria e público), se tem responsabilidades (filhos, dívidas, etc);
  • No caso de realmente preferir um seguro associado ao crédito pretendido, analise ofertas de IFCs que detenham no seu grupo seguradoras, pois normalmente apresentam seguros mais acessíveis.

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Frederico Moura Martins

Sobre Frederico Moura Martins

Formado em Ciências da Comunicação e especializado em Ciência Política, o Frederico iniciou o seu percurso profissional em jornalismo e, posteriormente, em produção de conteúdos digitais. Procura aplicar a sua paixão por contar histórias na desmistificação da complexidade dos produtos e serviços financeiros para ajudar os portugueses a poupar e a tomar decisões informadas e conscientes nos diferentes âmbitos das suas Finanças Pessoais.