Preço dos combustíveis: sabe como é calculado?

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preço dos combustíveis

Petrolíferas, gasolineiras, impostos, a época do ano, e até a guerra na Ucrânia. Suspeitos há muitos, mas, afinal, o que é torna o preço dos combustíveis tão elevado? Descubra como são feitas as contas, o que mais pesa e como poupar no dia-a-dia.

Como é calculado o preço dos combustíveis?

Os preços da gasolina e do gasóleo são atualizados semanalmente em Portugal, com tendência a seguir a evolução da cotação internacional do preço do barril de brent. Mas esta é apenas uma de várias componentes no preço de um litro de combustível, e nem sequer é a principal. Estes são os 5 fatores que determinam o preço dos combustíveis e o seu peso na conta final.

1. Cotação internacional, o preço do petróleo à saída da refinaria

Um dos principais componentes do preço de um litro de combustível é a matéria-prima utilizada – o petróleo. Mais especificamente para os mercados europeus, o preço de referência é o do barril de petróleo Brent.

Em Portugal, o preço de referência não é o da matéria-prima no seu estado bruto (por refinar) como em muitos outros países. Em vez disso, considera-se o preço do combustível já refinado, ou seja, à saída da refinaria.

Este pormenor faz toda a diferença, pois a cotação de cada um dos produtos derivados do petróleo (como o gasóleo ou a gasolina) muda todos os dias, dependendo da oferta e procura. Por exemplo, em meses frios, a procura por gasóleo é mais elevada, dadas as necessidades de aquecimento. Já nos meses de verão é a gasolina que sobe, devido aos milhares de portugueses em viagem.

Há ainda um outro fator a ter em conta, que é a cotação do euro face ao dólar. As cotações do petróleo refinado são calculadas em dólares. Ou seja, se o euro desvalorizar, é preciso gastar mais para comprar a mesma quantidade de combustível.

Mesmo tendo em conta todos estes fatores, uma subida de 10%, por exemplo, nas cotações do petróleo refinado não significa necessariamente um aumento da mesma ordem de grandeza no preço final. Porquê?

Há uma explicação simples. A matéria-prima é apenas uma parte da composição do preço de venda ao público e representa cerca de 34% do custo da gasolina 95 e 38%, no caso do gasóleo. A maior fatia, como veremos mais à frente, são os impostos, na sua maior parte ISP. A cotação internacional.

Por este motivo, uma variação percentual no Brent, mesmo que elevada, provocará variações de menor amplitude na estação de serviço.

2. Frete, custos logísticos e reservas estratégicas

O custo do transporte do produto petrolífero para o território nacional é outro fator a ter em conta no preço a pagar, bem como os custos de receção e descarga. O custo de armazenagem também é repercutido no preço final.

Existem ainda reservas de segurança controladas diretamente pela ENSE (Entidade Nacional para o Setor Energético). A sua gestão e armazenagem têm custos que se refletem no preço dos combustíveis. Em conjunto, todos estes custos logísticos não somam mais de 7% do custo de um litro de combustível, seja gasóleo ou gasolina.

3. Incorporação dos biocombustíveis

Por exigência da União Europeia, o Estado está obrigado a incorporar uma determinada percentagem de biocombustível em cada litro de gasóleo ou gasolina vendido. O biocombustível tem origem biológica não fóssil, e apresentam baixos índices de emissão de poluentes para a atmosfera. O objetivo desta medida é assim reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.

Em 2021, a taxa de incorporação de biocombustíveis foi fixada em 11%. Ou seja, por cada litro de gasóleo vendido, as gasolineiras devem incorporar esta proporção de biodiesel. Uma vez que o preço do biodiesel varia mensalmente e é determinado pelo Estado, este é outro fator que ajuda a explicar as variações do preço final a pagar pelos consumidores.

4. ISP e IVA

Os impostos, nomeadamente o ISP e o IVA, são de longe as principais fatias do custo de um litro de combustível. Somados, representam 54% do custo de um litro de gasolina 95 e 49% de um litro de gasóleo.

O ISP, ou Imposto sobre Produtos Petrolíferos, é um dos impostos especiais de consumo previstos na lei. Para além da gasolina e do gasóleo, é aplicado também a outros produtos, petrolíferos e energéticos, hidrocarbonetos e eletricidade.

Os valores das taxas do ISP são fixados pelo Governo tendo em consideração o estado do mercado e os diferentes impactos ambientais de cada um dos produtos. Ao longo dos anos, a variação da taxa tem vindo a equilibrar os preços dos combustíveis com o custo do petróleo nos mercados internacionais.

Por exemplo, em 2016, após uma baixa no preço-referência do barril de Brent, o ISP subiu 6 cêntimos por litro. Anos depois, em 2019, com preço-referência do Brent em alta, o Governo desceu a taxa de ISP em 3 cêntimos por litro. O Orçamento do Estado para 2022, prevê uma redução do ISP para que seja equivalente a uma taxa de IVA de 13%.

Um dos principais motivos para o elevado peso do ISP é que não trata de um imposto, mas de dois. Aqui, são considerados os valores da contribuição de serviço rodoviário, que incide sobre a gasolina, o gasóleo rodoviário e o GPL, e da taxa de carbono, que incide sobre as emissões de CO2 a que estão sujeitos alguns produtos petrolíferos e energéticos. Por isso se diz que o ISP é também um “imposto ambiental” que visa esbater a produção de gases de efeitos de estufa produzidos pela UE.

A tudo isto acresce ainda o IVA, aplicado a todas as componentes que compõem o preço, incluindo o ISP. Conclusão, mais metade do que pagamos pela gasolina são impostos, e quase metade do custo do gasóleo na bomba vai para os cofres do Estado.

5. Custos de comercialização e margem comercial

A última parcela do preço são os custos de comercialização e a margem comercial das gasolineiras. A margem comercial engloba todos os custos com a distribuição dos combustíveis depois da armazenagem, nomeadamente transporte e custos dos operadores.

Estes custos dependem de fatores como a capacidade negocial e logística de cada empresa. Este montante acrescenta entre 10% e os 15% ao preço dos combustíveis, de acordo com os dados mensais publicados pela ERSE. Sobre estas componentes incide, também, IVA.

Como poupar: AUTOvoucher e outras vias

Para lidar com o agravamento dos preços, milhares de portugueses decidiram aderir ao AUTOvoucher. O AUTOvoucher é um apoio financeiro criado pelo Governo português de forma a fazer face ao aumento significativo do preço dos combustíveis. Este apoio corresponde a um desconto de até 20€ por mês.

Para além de aderir a este programa, há várias dicas que deve seguir para poupar combustível, tais como abastecer no posto mais barato, evitar utilizar o ar condicionado, fazer uma manutenção regular ao automóvel e evitar circular com o carro demasiado pesado.

Para além disso, modere a velocidade, planeie as viagens com tempo e aproveite as vantagens dos cartões de descontos em combustível. E, sempre que possível, evite usar o carro de todo preferindo outras alternativas. São pequenas mudanças de hábitos, que têm um enorme impacto nas despesas no final do mês.

João Guerra de Sousa

Sobre João Guerra de Sousa

Mestrado em International Business pela Grenoble Graduate School of Business e Licenciatura em Gestão pelo ISCTE. Ocupa atualmente a posição de Chief Marketing Officer do ComparaJá e tem mais de 6 anos de experiência no setor financeiro, tendo tido experiências diversas nas áreas de private equity e banca de investimento. Detém mais de 8 anos de experiência em criptomoedas e blockchain.

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