Mais de metade da garantia pública para jovens que querem crédito à habitação foi utilizada até novembro de 2025. A medida, destinada a facilitar o acesso à casa própria para quem tem menos de 35 anos, está a ter forte procura — com impactos no mercado e na procura futura por imóveis.
Mais de metade da garantia pública usada até novembro
O Programa de Garantia do Estado para Crédito à Habitação Jovem continua a ganhar tração: mais de 50% do total da garantia pública já foi usado até novembro de 2025, revelou o Governo. Os dados foram divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal.
Esta garantia estatal foi criada para ajudar jovens com menos de 35 anos a obter crédito à habitação com condições mais favoráveis, reduzindo o risco para os bancos e facilitando o acesso à primeira casa.
O que é a garantia pública para crédito à habitação jovem?
Trata-se de um mecanismo em que o Estado funciona como fiador parcial nos empréstimos à habitação para jovens. Em vez de o banco assumir sozinho o risco de crédito, o Estado assume uma parte da garantia (até um determinado limite), o que pode traduzir-se em:
Juros mais baixos
Maior probabilidade de aprovação de empréstimo
Menor necessidade de entrada inicial em dinheiro
A ideia é ajudar quem está a começar a vida profissional e tem mais dificuldade em cumprir os critérios tradicionais de acesso ao crédito.
O que dizem os números?
Até novembro de 2025, mais de metade da garantia estatal disponível já tinha sido usada para apoiar jovens na compra de casa — um sinal claro de que a procura tem sido forte e que muitos estão a aproveitar esta porta de entrada facilitada no mercado imobiliário.
Ainda assim, sobram garantias por disponibilizar, o que significa que ainda há espaço para novos pedidos ao longo do início de 2026.
A forte adesão reflete, por um lado, a necessidade real de apoio num contexto em que os preços da habitação continuam elevados e as taxas de juro afetam a capacidade de endividamento dos jovens. Por outro, mostra que estas políticas públicas são efetivamente usadas por quem precisa.
O que isto significa para quem quer comprar casa agora
Procura elevada: mais de metade das garantias usadas indica que muitos jovens estão a tentar comprar casa — e a recorrer a esta ferramenta para o fazer.
Concorrência por garantias remanescentes: com grande parte já utilizada, pode haver pressão de procura na primeira metade de 2026, o que torna ainda mais importante quem pretende avançar com pedido fazer-lo mais cedo.
Benefício real: esta garantia pode reduzir o custo total do crédito, não só pelo risco partilhado com o banco, mas também por possibilitar melhores condições contratuais, principalmente para quem não tem muita entrada ou histórico bancário sólido.
Contexto do mercado habitacional português
O facto de a garantia pública estar a ser usada em grande parte reflete também o cenário mais amplo do mercado imobiliário português: depois de vários anos de preços em alta, com Lisboa e Porto entre as cidades mais caras da União Europeia, muitos jovens encontram barreiras para entrar no mercado tradicional de crédito.
Programas como este — que se juntam a outras medidas de habitação, como o Plano Europeu para a Habitação Acessível ou o reforço de instrumentos como o 1.º Direito — vêm justamente no sentido de diminuir desigualdades no acesso à casa própria.
Como sei se ainda há garantia disponível?
As garantias são atribuídas por ordem de entrada no pedido de crédito junto do banco. Isso significa que quem apresenta a simulação e pedido de garantia mais cedo tem mais hipóteses de acesso à parte que ainda resta do teto global disponível.
Se estás a pensar avançar com um pedido de crédito à habitação jovem nos próximos meses, a dica prática é simples: consulta um intermediário de crédito agora, para saber se a garantia pública ainda pode ser solicitada no teu caso.
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