UE propõe preços mínimos em vez de tarifas para EV chineses

Madalena Alves

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Madalena Alves

A União Europeia propôs substituir tarifas sobre carros elétricos chineses por acordos de preços mínimos de venda no mercado europeu, numa tentativa de reduzir tensões comerciais e proteger a indústria interna.

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A União Europeia apresentou uma nova abordagem para aliviar a tensão comercial com a China no setor dos veículos elétricos: em vez de aplicar tarifas elevadas à importação, Bruxelas quer estabelecer preços mínimos de venda para carros elétricos fabricados no país asiático.

A proposta surge no contexto de um longo conflito entre a UE e Pequim, em que a Comissão Europeia acusou fabricantes chineses de beneficiar de subsídios estatais que lhes permitem vender veículos a preços considerados injustamente baixos, prejudicando a indústria automóvel europeia. As tarifas alfandegárias aplicadas anteriormente chegavam a 35,3% sobre alguns modelos importados.

Como funcionaria o sistema de preços mínimos?

Em vez de taxar os carros à entrada na União Europeia, os fabricantes chineses poderiam comprometer-se a não vender abaixo de um preço mínimo acordado com as autoridades europeias. Esses preços seriam definidos por modelo e configuração, tendo por base o valor pago pelo primeiro comprador independente na UE, e não em preços praticados no mercado interno chinês.

O objetivo desta solução é neutralizar o efeito distorcido dos subsídios estatais sem recorrer a tarifas elevadas, que aumentam o custo final dos veículos no mercado europeu. Além disso, a proposta inclui mecanismos para evitar compensações cruzadas, onde um fabricante poderia vender alguns modelos acima do preço mínimo e outros abaixo para contornar a regra.

A Comissão quer ainda que esses compromissos sejam detalhados e ajustáveis ao longo do tempo, com revisões para garantir que o efeito pretendido se mantém.

Reacções e próximos passos

O Ministério do Comércio chinês recebeu positivamente a orientação europeia, destacando que esta abordagem pode permitir um diálogo mais construtivo entre as duas potências económicas.

Apesar do otimismo oficial, ainda falta definir como serão negociados estes acordos e se serão suficientes para manter a competitividade dos carros chineses sem sacrificar a indústria automóvel europeia, um setor vital para muitos países da UE.


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