Descoberto bancário versus cartão de crédito: qual compensa mais?

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O descoberto bancário permite que o cliente de um banco retire da sua conta à ordem um valor superior ao saldo da mesma, o que pode ser útil em situações em que é necessário fazer face a uma despesa inesperada. Porém, não há almoços grátis: tal como acontece com um crédito, este produto tem uma taxa de juro associada que poderá não compensar quando comparada com outras soluções.

Em que consiste o descoberto bancário?

O descoberto bancário afigura-se como uma operação de crédito que permite que o consumidor faça levantamentos ou pagamentos num montante superior ao que tem disponível na sua conta à ordem.

Existem dois tipos de descoberto bancário.

Descoberto bancário autorizado (facilidade de descoberto)

O descoberto bancário autorizado, também designado por facilidade de descoberto, realiza-se através de um contrato entre o cliente e o banco, no qual se define um limite para o crédito e ao qual se encontra associada uma taxa de juro. As contas-ordenado são exemplo deste tipo de solução.

Descoberto bancário não autorizado (ultrapassagem de crédito)

Por sua vez, o descoberto bancário não autorizado, também designado por “ultrapassagem de crédito”, é referente a situações em que o cliente deixa o saldo da sua conta à ordem ficar negativo, obrigando o banco a cobrir despesas que possam surgir, por exemplo, por débito direto (como acontece, muitas vezes, com a conta da água ou da luz).

Neste caso, o banco regista a ultrapassagem de crédito e cobre os fundos em falta sem qualquer acordo prévio com o consumidor. Todavia, note que esta cobertura não é isenta de custos: por tomar esta ação, o banco pode cobrar uma comissão ao cliente.

Tenha atenção:

Se deixar a sua conta ficar a descoberto (o mesmo é dizer que deixou o saldo da mesma ficar negativo), note que isto vai ficar registado na CRC do Banco de Portugal. Isto significa que qualquer banco que consultar o seu histórico de crédito irá ver que, num determinado mês, não tinha a conta aprovisionada, algo que os bancos percecionam como um risco acrescido, o que pode dificultar-lhe a vida na hora de solicitar um crédito à habitação ou um empréstimo pessoal, por exemplo.

Seja autorizado ou não, a verdade é que o cliente paga sempre pelo descoberto bancário.

Quais as taxas aplicadas ao descoberto bancário autorizado?

O descoberto bancário autorizado normalmente aplica-se tanto às contas de depósitos à ordem tradicionais, como às contas-ordenado. Para efeitos de análise, foram apenas considerados os descobertos bancários associados às primeiras.

Para se perceber o custo desta funcionalidade, comparámo-la com outra solução financeira que também permite enfrentar despesas inesperadas: o cartão de crédito. Para sete bancos bem conhecidos pelos portugueses, aferimos a taxa de juro (TAEG, que reflete o custo real de um crédito) aplicada tanto ao descoberto bancário autorizado que se encontra associado a uma conta à ordem tradicional, bem como ao cartão de crédito em cada uma destas instituições.

TAEG aplicada
Instituição Descoberto bancário associado a contas de depósito à ordem Cartão de crédito
CGD Mesada Certa – Limite de descoberto negociado: 15,8% Cartão Caxa IN: 12,2%
Millennium bcp Conta Millennium: 15,9% Millennium bcp Classic: 12,9%
Santander Conta Mundo 123: 15,9% Mundo 123: 12,5%
Bankinter Conta Bankinter: 15,9% Bankinter Consumer Finance Classic: 15,9%
Banco CTT Conta Banco CTT: 15,5% Cartão de Crédito Banco CTT: 15,9%
Crédito Agrícola Conta D.O. Normal: 15,9% Cartão Classic: 14,4%
Novo Banco Contas NB 100%, NB 360, NB nº1: 15,8% NB Verde Visa: 10,2%
  • Taxas em vigor a 21 de junho de 2018.

Pela observação da tabela acima, é possível constatar, desde logo, que a TAEG incidente num descoberto bancário é quase sempre mais elevada do que a mesma taxa aplicada através de um cartão de crédito. Das entidades em análise, a única que foge à regra é o Banco CTT, cujo descoberto bancário possui uma TAEG de 15,5%, ao passo que o cartão de crédito apresenta 15,9%. O Bankinter, por sua vez, aplica a mesma TAEG para ambos os casos: 15,9%.

Ademais, cabe salientar ainda que, no caso dos cartões de crédito, se pagar o montante que precisou de requisitar dentro do período sem juros permitido pelo banco (que normalmente oscila entre 20 a 50 dias, dependendo da instituição financeira), nem sequer vai pagar quaisquer juros por esse empréstimo.

Note também que o reembolso da dívida gerada pela utilização do descoberto bancário não se pode realizar em prestações – o mesmo é liquidado assim que o cliente volta a aprovisionar a conta bancária.

Embora os juros do descoberto bancário associado à conta à ordem sejam mais elevados, a verdade é que os que são referentes às contas-ordenado são mais reduzidos.

Dica:

Se tem como objetivo domiciliar o ordenado no banco, compare as contas bancárias tradicionais com as contas-ordenado, uma vez que estas últimas normalmente apresentam melhores condições no que diz respeito a despesas de manutenção. E se já tiver uma conta corrente e quiser mudar para uma conta-ordenado, basta solicitar esta modificação ao banco e, em princípio, nada lhe será cobrado.

Concluindo, deve ter sempre a sua conta aprovisionada de forma a que não precise de recorrer ao descoberto bancário, pois trata-se de algo que lhe pode sair caro. Pode parecer cómodo por se tratar de um auxílio financeiro imediato, mas obriga-o a incorrer em despesas desnecessárias, especialmente se estivermos a falar do descoberto bancário não autorizado.

Uma vez que os encargos do descoberto bancário são tipicamente mais elevados nas contas à ordem tradicionais do que são nas contas-ordenado, informe-se bem, junto do seu banco, das condições deste produto, nomeadamente acerca da taxa de juro associada e eventuais comissões. Verifique ainda se as condições do seu cartão de crédito não lhe serão mais favoráveis.

Nair Dos Santos

Sobre Nair Dos Santos

Especializada em Economia Internacional, a Nair iniciou o seu percurso profissional em Marketing Institucional. Alia a sua criatividade ao universo financeiro com o objetivo de ajudar os portugueses a melhorar a sua literacia financeira e contribuir para o desenvolvimento de uma economia sustentável.

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