Taxa de esforço: o que é e como calcular?

João Melo Especialista: João Melo
Susana Pedro Editor: Susana Pedro

A taxa de esforço é um elemento fulcral na concessão de crédito pelos bancos. Descobre de que se trata esta taxa, como calcular e porque é tão importante.

Já te questionaste porque é que as instituições financeiras te pedem comprovativos de IRS e recibos de vencimento quando pedes um financiamento? A verdade é que é através destes documentos que os bancos conseguem calcular a tua taxa de esforço e, assim, decidir se concedem, ou não, o crédito em questão.

As instituições financeiras estão cada vez mais criteriosas ao cederem empréstimos e, como tal, precisam de alguns documentos que representem o histórico de consumo dos seus clientes. Deste modo, conseguem perceber se o empréstimo será, ou não, um encargo demasiado elevado para o consumidor.

O que é a taxa de esforço?

A taxa de esforço não é mais que a percentagem do rendimento total do agregado familiar destinada ao pagamento das prestações dos créditos até então contraídos (habitação, automóvel, cartões de crédito, e outros).

No fundo, ajuda-nos a perceber qual é o rendimento que se tem disponível para fazer face às despesas do dia a dia (tais como alimentação, transportes e combustível, educação e lazer) após o pagamento das obrigações mensais com créditos.

Idealmente, esta taxa não deverá ser superior a 33%, ou seja, um terço do rendimento total do agregado familiar.

Cabe ainda salientar que, no caso de um crédito à habitação, pelo facto de se tratar de um empréstimo de um valor muito avultado, existe alguma liberdade para chegar a valores próximos dos 40%. Ainda assim, é recomendado que os bancos não concedam crédito que resulte numa taxa de esforço superior a 50%, de acordo com o Banco de Portugal.

O que faz sentido, visto que, regra geral, a prestação da casa costuma ser o maior encargo mensal do orçamento familiar. Evitam-se assim futuras situações de sobreendividamento em caso de alterações inesperadas no contexto económico das famílias, como situações de desemprego ou de doença prolongada.

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Como calcular?

Nota que as despesas mensais referentes a eletricidade, água, gás e telecomunicações não são consideradas no cálculo da taxa de esforço. Para este cálculo, contam apenas os encargos financeiros com prestações mensais de crédito (cartão de crédito, crédito pessoal, crédito automóvel, entre outros).

No entanto, caso não tenhas um crédito à habitação, mas se estiveres a pagar por uma casa arrendada, este valor deverá ser incluído nas despesas com encargos financeiros.

Para calcular a tua taxa de esforço, ainda numa fase preliminar, de forma a ires prevenido e informado quando fores ter com o teu gestor de conta, basta executar o seguinte cálculo:

Fórmula:

Taxa de esforço = (Encargos financeiros / Rendimento Líquido Total do Agregado) x 100

Simulador de taxa de esforço

De forma a perceber se o peso das tuas responsabilidades mensais com créditos face aos seus rendimentos se encontra dentro dos limites aceites pelos bancos em Portugal, deverás proceder ao cálculo da tua taxa de esforço.

Poderás fazê-lo através do nosso simulador da taxa de esforço, que se encontra dividido em dois campos que vai ter de preencher: um relativo aos teus rendimentos e outro às tuas despesas mensais fixas com créditos.

Em primeiro lugar, e no que diz respeito aos teus rendimentos mensais, indica os seguintes valores:

  • O teu salário líquido, caso sejas trabalhador;

  • Os teus rendimentos de rendas, se fores proprietário de imóveis arrendados;

  • Pensões, no caso de seres pensionista;

  • Outros rendimentos mensais fixos, que só serão considerados para simular a taxa de esforço se forem declarados no IRS.

De seguida, para simular a tua taxa de esforço, introduz os valores que tens a pagar por cada um dos créditos:

  • Habitação;

  • Automóvel;

  • Crédito pessoal ou Cartão de Crédito;

  • Outras despesas mensais fixas (estes podem ser valores associados a outras linhas de crédito, como cartões de fidelização de lojas).

Se queres compreender melhor o peso das suas responsabilidades com empréstimos, descarrega abaixo o nosso simulador da taxa de esforço em formato Excel:

O caso da Matilde e do Vasco

Vejamos o exemplo deste casal de 30 anos:

  • Rendimento líquido do agregado = 1.400 euros;

  • O casal contraiu um crédito pessoal no valor de 5 mil euros e tem um cartão de crédito com um plafond de mil euros. Ambos têm um total de encargos mensais de 220 euros (120 no crédito pessoal e os restantes 100 da prestação do cartão);

  • A taxa de esforço deste casal, segundo a fórmula acima indicada é de (220 / 1.400) x 100 = 15,7%.

Como é possível constatar, o Vasco e a Matilde têm uma taxa de esforço bastante suportável face ao rendimento que auferem. Por norma, a taxa de esforço ideal nunca deveria ser superior a 33%. No entanto, existem sempre exceções e casos pontuais.

O que fazer para reduzir a taxa de esforço?

Quando a taxa de esforço é substancialmente elevada, uma grande parte do rendimento do agregado é alocada para o pagamento de prestações de empréstimos bancários.

Convém ter em conta que, para além do salário de cada um, outros rendimentos, como pensões de invalidez ou viuvez, abonos de família e até mesmo outros trabalhos (desde que a pessoa faça os devidos descontos) são contemplados como rendimentos e serão tidos em conta no cálculo desta percentagem.

Caso a tua taxa de esforço para crédito habitação seja muito elevada, sugerimos que tentes renegociar o crédito. Desta forma, poderás obter melhores condições e reduzir a tua taxa de esforço ao alargar o prazo de pagamento. Por outro lado, poderás optar por transferir o seu empréstimo, outra opção bastante comum para quem paga prestações da casa, de forma a encontrares melhores condições de financiamento noutra instituição.

Se tiveres diversos empréstimos, aconselhamos ainda a consolidar todos num só. Podes assim alargar o prazo de pagamento ou até reduzir a taxa de juro e ficarás a pagar apenas uma prestação mensal, o que contribuirá para melhorar a tua taxa de esforço. Consequentemente, ganharás mais flexibilidade na gestão do teu orçamento familiar.

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João Melo
João Melo
Especialista Crédito Habitação