Começar do zero: investir com pouco dinheiro

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Investir com pouco dinheiro

Investir dinheiro num banco é, geralmente, uma boa ideia e é o mais comum entre os portugueses (segundo a PORDATA, no ano passado o montante colocado em depósitos a prazo ultrapassou os 87 milhões de euros). Porém, a inflação pode fazer baixar o valor do dinheiro ao longo do tempo e muitas vezes as taxas de juro dos depósitos bancários raramente igualam ou excedem a taxa de inflação.

Depositar dinheiro é seguro e, além disso, faz com que o depositante acumule juros, ao contrário do que acontece quando se guarda o dinheiro numa gaveta.

Em Portugal existem várias opções quando se trata de fazer o primeiro investimento, especialmente quando se começa com uma quantidade limitada de capital.

Apresentamos, abaixo, algumas opções para investir com pouco dinheiro. Estas serão apresentadas por ordem crescente consoante o seu nível de risco. Assim, à medida que for avançando no artigo, pode ir percebendo até que ponto estará disposto a arriscar nos seus investimentos.

Investir com pouco dinheiro em depósitos a prazo

Os depósitos a prazo são produtos financeiros de baixo risco que permitem obter alguma rendibilidade. Estes apresentam características diversas – desde vários montantes de subscrição às taxas de juro mais ou menos apelativas e ainda no que concerne à possibilidade de se efetuar reforços mensais.

Neste momento, as taxas dos depósitos a prazo estão, no geral, pouco apelativas. No entanto, existem ainda algumas soluções específicas que pode considerar.

Por exemplo, de forma a captar novos clientes, o Banco Best está a oferecer uma taxa bruta de 2% num depósito a 3 meses. Já o Banco BAI Europa, por exemplo, está a disponibilizar um depósito a prazo de 5 anos cuja taxa bruta ascende a 1,2%

Para além destes depósitos a prazo simples, cuja oferta das várias instituições pode comparar através do nosso simulador gratuito, existem outras opções de investimento que pode considerar.

Se optar por um depósito noutras moedas, como por exemplo o Dólar, estes podem oferecer, em alguns casos, taxas de juro mais interessantes.

Tome nota:

No âmbito dos depósitos a prazo, saiba ainda que existem os denominados depósitos complexos, que são produtos cujo retorno não depende exclusivamente de uma taxa de juro fixa determinada no momento da subscrição. Aqui entram em jogo outros fatores, tais como índices de bolsa e taxas de câmbio, o que representa um investimento com um nível mais elevado de risco mas, por outro lado, com possibilidade de maior retorno.

Uma opção será começar por investir nestes produtos e ir colocando algum dinheiro todos os meses no seu depósito a prazo. Deste modo, e se optar por um com uma TANL (Taxa Anual Nominal Líquida) mais competitiva, consegue obter um retorno superior no final do prazo.

Investir em Certificados de Aforro

Os Certificados de Aforro são títulos de dívida pública emitidos pelo Estado Português, exclusivos para pessoas singulares. Uma das suas principais características é o valor reduzido da sua subscrição, tendo isto como objetivo a compra a retalho, ou seja, em grandes quantidades.

O montante nominal para a subscrição é de um euro, sendo que a quantidade mínima por subscrição é de 100 unidades e a máxima corresponde a 250 mil unidades. O prazo do certificado de aforro é de 10 anos a partir da data de cada subscrição.

Para novas subscrições da Série E de Certificados de Aforro, em Setembro de 2020, foi fixada uma taxa de juro bruta de 0,516%.

Investir em Certificados do Tesouro

Tal como os Certificados de Aforro, os Certificados do Tesouro são produtos da dívida pública. No entanto, diferem em alguns aspectos dos primeiros, nomeadamente nos montantes mínimos para investimento. Aqui tem a possibilidade de investir entre 1.000 a 1.000.000 euros por conta.

Outra das diferenças surge ao nível das taxas de juro. A taxa em si é fixa mas cresce todos os anos, a partir do segundo, da seguinte forma:

  • 1.º ano – 0,75%
  • 2.º ano – 0,75%
  • 3.º ano – 1,05%
  • 4.º ano – 1,35%
  • 5.º ano – 1,65%
  • 6.º ano – 1,95%
  • 7.º ano – 2,25%

A partir do segundo ano, existe um prémio de remuneração que é somado à taxa de juro fixa. Este é definido através do crescimento médio real do PIB (Produto Interno Bruto) português dos últimos 4 trimestres conhecidos até ao mês anterior à data de pagamento de juros.

PPR (Planos Poupança Reforma)

Um PPR é um investimento a longo prazo que pode representar um complemento às pensões de reforma. Este tipo de plano é aplicado por sociedades gestoras de fundos de pensões ou pelas companhias de seguros, nas quais poderá investir o seu dinheiro de forma a ter algum retorno, consoante a respetiva taxa de juro anual.

Isto, na prática, traduz-se da seguinte forma: o cliente entrega um determinado montante que escolheu poupar, seja através de um depósito inicial ou de uma série de reforços periódicos e automáticos. Este dinheiro vai ser poupado e rentabilizado até chegar à idade da reforma.

Os Planos Poupança Reforma estão, regra geral, associados a um risco baixo. No entanto, esse risco é maior se escolher investir em fundos PPR.

Nesses casos, existe a possibilidade de o aforrador perder dinheiro, mas também pode resultar num rendimento mais elevado.

Investir em seguros de capitalização

Este tipo de seguro é também uma solução para quem quer poupar a longo prazo. O que distingue este tipo de investimento de outros é, na grande maioria dos casos, a garantia de capital e uma taxa de retorno anual.

Os seguros de capitalização são, então, aplicações que têm como objetivo o investimento de capital para horizontes superiores a um ano.

Os elevados impostos sobre os juros obtidos acabam por retirar alguma atratividade a este produto financeiro, sendo que as taxas aplicáveis dependerão do prazo do resgate:

  • Se for até 5 anos, será de 28%;
  • No caso acontecer entre o 5º e o 8ª ano, então corresponde a 22,40%;
  • Para resgates após o 8º ano, vai ser de 11,20%.

Investir com pouco dinheiro em fundos de tesouraria

Quando comparados com outros tipos de fundos, os fundos de tesouraria apresentam um risco mais baixo.

Tal se deve ao facto de, por lei, estes fundos estarem obrigados a investir em ativos que, ao serem facilmente transacionáveis (isto é, sem desvios expressivos face ao valor de avaliação), se caracterizam por uma elevada liquidez.

Entre os instrumentos usualmente associados aos fundos de tesouraria encontram-se o Papel Comercial e as Obrigações com prazo de vencimento inferior a um ano

De notar que este tipo de fundos não investe em produtos como ações, títulos de participação ou outros ativos similares.

Investir em imobiliário

O investimento nesta área reúne várias alternativas e interesse de muitas pessoas, pois permite obter rendimentos sem (muito) trabalho, pelo menos teoricamente. Por exemplo, se tiver um grupo de dez amigos, investir num imóvel não fica assim tão caro quanto isso.

A localização deve ser estratégica, isto é, se escolher uma habitação perto de uma zona universitária, é muito provável que todos os anos tenha inquilinos estudantes. Se a casa estiver situada numa zona turística, melhor ainda.

Se não quiser comprar uma casa de origem, pode sempre enveredar pelo subarrendamento, onde fará de intermediário entre o utilizador efetivo e o proprietário original.

Atualmente existem diversas ofertas de crédito à habitação com um amplo leque de finalidades, inclusive para arrendamento ou para investimento imobiliário. Poderá ainda optar por imóveis da banca, vendidos a um custo inferior ao do mercado.

Investir em ações

As ações representam uma pequena parte do capital social de uma empresa. Ao investir com pouco dinheiro em ações é automaticamente detentor de uma parcela de ativos e de ganhos de uma determinada empresa.

Em Portugal, existem 54 companhias listadas na Bolsa de Valores. Atualmente, não é necessário muito dinheiro para investir na Bolsa. Semanalmente, as Bolsas de Valores de todo o Mundo apresentam grandes oportunidades de investimento.

Ao comprar e vender ações pode conseguir obter rentabilidades superiores a 10% com a possibilidade de ganhar uma percentagem dos lucros da empresa em questão. Hoje em dia, com um investimento de mil euros pode auferir bons retornos.

Mas antes de aplicar o dinheiro num investimento, é importante escolher um bom corretor. Este vai funcionar como intermediário entre si e o mercado de valores, facilitando as suas transações.

Quase todos os bancos presentes em Portugal têm um corretor de Bolsa. Contudo, esse corretor irá receber uma determinada comissão sobre o valor de compra e venda das ações, sendo que deve ter em conta este montante no momento em que decidir aplicar as suas poupanças, mesmo que o objetivo seja investir com pouco dinheiro.

Nos dias de hoje, as plataformas online de investimento são muito mais comuns e fáceis de utilizar.A GoBulling, DEGIRO e a XTB são alguns exemplos de plataformas através das quais pode investir em ações.

No entanto, antes de investir em ações deverá analisar a sua situação financeira e, não menos importante, fazer um plano de investimento de forma a garantir que o dinheiro que vai investir não lhe vai fazer falta para as despesas diárias.

Curiosidades sobre grandes investidores e empresários que começaram, ainda muito jovens, a investir na Bolsa

Warren Buffett: comprou a sua primeira ação com 11 anos, nomeadamente três ações da Cities Service Preferred;
Ray Dalio: comprou a sua primeira ação da Northeast Airlines quando tinha 12 anos;
Peter Lynch: investiu em ações da Flying Tiger quando ainda estava na faculdade.

Fundos de Ações, Obrigações e Mistos

Deste conjunto, os fundos de ações são os que apresentam um risco de investimento mais elevado. No entanto, tal como em outros produtos financeiros, quanto maior o risco, maior é a probabilidade de um retorno mais expressivo.

Os fundos de ações estão sujeitos a várias alterações no seu preço num curto espaço de tempo. Mesmo assim, podem ser uma solução a considerar para investimentos a longo prazo.

Já os fundos de obrigações variam bastante em termos de risco e rendimento, acima de tudo devido aos vários tipos de obrigações que existem.

Se, por um lado, existe quase sempre um risco de crédito associado aos fundos emitidos pelas empresas, por seu turno, as obrigações do Estado Português, por exemplo, possuem um risco muito reduzido.

Para além do risco de crédito, os fundos de obrigações podem também ser afetados pelo risco da taxa de juro. Caso as taxas de juro aumentem, o valor das obrigações tende a baixar, podendo assim perder dinheiro ao investir.

A alternativa poderá ser optar pelos fundos mistos, os quais permitem combinar diferentes características dos fundos de ações e os de obrigações. Desta forma poderá variar o risco – e respetivo rendimento – associado a este tipo de investimento.

ETF (Exchange Traded Fund)

Um ETF é também um fundo de investimento no qual pode investir dinheiro, sendo que se distingue dos restantes por ser negociado em bolsa. Essencialmente, pode comprar partes de um ETF da mesma maneira que investe em ações de uma empresa, detendo assim uma percentagem dos ativos que pertencem a esse ETF.

Para fazer um investimento neste tipo de fundos tem de abrir conta num banco ou numa corretora que disponibilize estes produtos. Aqui os custos de transação são um pouco mais elevados, podendo, como consequência, não ser a melhor opção para pequenos investidores.

Nesse sentido, para investir em Portugal tem uma série de intermediários, como o ActivoBank, o BiG, o Banco Invest, o Banco Best ou o Banco Carregosa, que possibilitam este tipo de transações.

Investir em startups

As startups estão na moda. O crowdfunding também. O que não faltam são plataformas online de investimento em startups, nas mais variadas áreas. Se sente que aquela empresa recém-nascida pode ser a próxima Apple ou Google, pode investir com pouco dinheiro em plataformas como a Kickstarter ou a Seedrs.

Opções de risco elevado

Para além das soluções apontadas para investir dinheiro com um risco baixo a moderado, existem ainda opções que requerem uma maior predisposição para correr riscos.

Embora possam ser aliciantes pelos potenciais retornos elevados, são, geralmente, investimentos muito complexos (e até perigosos) para quem quer simplesmente gerir a sua poupança.

Para que possa avaliar com mais atenção, apresentamos aqui cinco exemplos:

#1 – CFD (Contract for difference)

Também conhecidos como contratos diferenciais, permitem investir em diversos ativos financeiros, como ações ou divisas, ao adquirir uma posição num ativo em particular. Essa posição é definida pelo tipo de aposta que é feita, sendo que é “longa” quando se aposta numa subida e “curta” no caso de uma descida.

São um produto interessante para quem quer investir em ativos que não podem ser adquiridos na sua totalidade. Este formato permite ainda jogar com possíveis desvalorizações, isto porque pode apostar numa descida de valor e ganhar no CFD.

#2 – Futuros

São também contratos financeiros nos quais está explícito a compra ou venda futura de um ativo a um preço já estipulado. A liquidação do contrato é realizada na altura do vencimento do mesmo, sendo que estas transações são organizadas pelas bolsas de mercado.

Servem para cobrir o preço de certos ativos financeiros e matérias-primas usadas na produção agrícola e industrial.

Na prática, a compra de um contrato de futuros é o mesmo que pedir um empréstimo para comprar, hoje, o mesmo valor em ações. Sendo que a duração do contrato equivale a três meses, se após esse período as ações não chegarem ao valor estipulado pelo contrato, então a venda desse futuro em bolsa realizar-se-á através desse empréstimo.

#3 – Criptomoedas

São moedas virtuais, vendidas e compradas através de um sistema criptografado. Assim, apenas podem ser trocadas através da internet. Constitui um investimento puramente especulativo e a sua popularidade revela a tendência de uma economia cada vez mais digital.

Como caso mais conhecido, temos o exemplo da Bitcoin, que em 2009 se tornou na primeira moeda virtual. Desde aí, alguns países como a Nova Zelândia já legalizaram a sua utilização, e até já o Facebook manifestou a sua intenção de criar a sua própria moeda.

Estas transações são suportadas pelo Blockchain, que é um sistema que regista toda a movimentação de fundos e impede que esses dados sejam modificados após o seu registo.

Existe ainda um alto risco associado a este tipo de investimento, muito baseado na sua volatilidade e inexistência de regulação. Existem ainda questões relativas à segurança das transações virtuais que influenciam a especulação deste tipo de investimentos.

#4 – Hedge Funds

São fundos de investimento livre que se constituem como investimentos coletivos, sendo os gestores que, consoante a sua própria estratégia, investem o dinheiro dos seus clientes em diferentes ativos financeiros.

Visto serem de investimento livre, não existe uma forte regulamentação para os Hedge Funds.

#5 – Forex

O Mercado Forex é um sistema que se baseia no valor das moedas em si. É um tipo de investimento que, como não é regulamentado e é fundamentalmente complexo, se reveste de um alto nível de risco.

Consiste na troca de moedas, incluindo criptomoedas, que são negociadas aos pares, transferindo uma pelo valor da outra. Estas transações ocorrem num mercado de divisas estrangeiras, em que se pode trocar, por exemplo, euros por libras, e vice-versa.

Os principais agentes neste mercado são os grandes bancos internacionais, seguradoras, entidades de crédito, entre outros particulares.

Investir com pouco dinheiro: sim ou não?

Tudo isto é vantajoso, mas não podemos descurar os riscos que estes investimentos implicam. Investir em ações tanto pode trazer grandes percentagens de lucro, como também pode originar perdas. Contudo, se fizer um investimento a longo prazo, a possibilidade de perder dinheiro é mais reduzida.

Por outro lado, o investimento em fundos mútuos pode implicar a diminuição do valor das ações quando há prejuízo. No entanto, neste tipo de investimento esse risco é diminuto.

Antes de mais, é importante analisar bem todas propostas disponíveis, assim como a sua situação financeira, antes de tomar uma decisão de investimento – seja com muito ou pouco capital.

Se a sua situação financeira lhe permitir investir com pouco dinheiro, então não hesite. Pode obter retorno com poucos euros e ver as suas poupanças aumentarem. Investir não significa apenas aplicar uma grande quantidade de dinheiro numa ideia de negócio. Os investimentos mencionados possibilitam o aumento de capital empregando uma pequena quantia de dinheiro. Como se costuma dizer, “grão a grão, enche a galinha o papo”.

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Sobre Rafael Outeiro

Licenciado em Relações Públicas e Comunicação Empresarial, adora contar histórias e está sempre à procura de uma oportunidade para aprender. É através da escrita que quer transformar o mundo das finanças pessoais num espaço para a partilha de ideias.