BCE deve manter juros e dívida francesa pressiona Lagarde

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Escrito por:

Luís Nunes
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Rita Sogalho

O BCE deverá fazer uma pausa a 29 de outubro de 2026, com a dívida francesa a pressionar Lagarde. O ECB Watch dava 78,2% de probabilidade a uma nova subida a 17 de dezembro.

Sede do BCE com Christine Lagarde, símbolo da decisão sobre juros apesar da crise da dívida francesa
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O Banco Central Europeu (BCE) deverá manter as taxas de juro inalteradas na reunião de 29 de outubro de 2026. A decisão é dada como garantida nos mercados e entre os economistas. O tema que deverá marcar a conferência de imprensa de Christine Lagarde é outro: a crise da dívida francesa.

Que taxas estavam em jogo na reunião do BCE de 29 de outubro de 2026?

A decisão esperada deixa a taxa da Facilidade Permanente de Depósito nos 2,50%. As taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez ficam em 2,65% e 2,90%, respetivamente. São os níveis atingidos em setembro, com o segundo aumento de 25 pontos base deste ano (podes rever a subida da taxa de juro do BCE em setembro e o balanço da subida de juros do BCE em 2026).

Segundo o ECB Watch, uma ferramenta do BCE que divulga as probabilidades implícitas no mercado, a hipótese de uma pausa era de 97%. Numa sondagem da Reuters divulgada a 8 de outubro, 70 dos 73 economistas inquiridos apontaram para a manutenção das taxas.

Porque é que a crise da dívida francesa pressiona Christine Lagarde?

O prémio de risco das obrigações francesas a dez anos quase duplicou em relação ao valor de referência alemão ao longo das últimas semanas. Pesam os défices públicos elevados, um impasse orçamental, protestos de rua e uma eleição que divide o país no próximo ano.

Para Carsten Brzeski, global head of macro do ING, o mercado obrigacionista já assumiu o papel do BCE. Nas contas do analista, a subida dos juros da dívida alemã desde a reunião de setembro teve um impacto próximo de um aumento de 25 pontos base. No caso francês, o efeito aproxima-se de 50 pontos base.

O alargamento dos spreads franceses levantou dúvidas sobre uma intervenção do BCE através do Instrumento de Proteção da Transmissão (TPI). Criado em 2022, o TPI permite comprar títulos de Estados-membros cujas condições de financiamento se deterioraram por razões não justificadas pelos fundamentos de cada país. Segundo Brzeski, a ativação implica, na prática, o cumprimento do quadro orçamental da UE, o que exigiria, no mínimo, a aprovação integral do Orçamento francês proposto.

O que posso esperar para a minha prestação do crédito habitação nos próximos meses?

A pausa pode ser curta. Michael Krautzberger, diretor de investimento global de mercados públicos da Allianz Global Investors, avisa que não deve ser lida como o fim do ciclo de endurecimento monetário. Krautzberger prevê mais dois aumentos de 25 pontos base, em dezembro e, dependendo da evolução em França, possivelmente em março, o que levaria a taxa dos depósitos para 3%.

Os mercados apontam no mesmo sentido. Segundo o ECB Watch, a probabilidade de nova subida na última reunião do ano, a 17 de dezembro, era de 78,2%. São previsões, não certezas.

Se tens crédito habitação com taxa variável, o impacto de uma eventual subida dependerá sempre do teu contrato. Para perceber como a EURIBOR afeta a prestação e porque pagas mais no crédito habitação, tens artigos dedicados. Os valores atualizados estão na página EURIBOR hoje.

Nota prática

Pega no teu contrato e confirma qual é o indexante usado e quando é a próxima revisão da taxa. Com esses dois dados, consegues simular o efeito de uma eventual subida antes da reunião de 17 de dezembro.


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Rita Sogalho
Team Leader de Consultores Crédito Habitação