Foram concedidos mais 34 milhões de euros em novos créditos à habitação face a agosto, para um total de 2171 milhões de euros, segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal (BdP) a 2 de novembro de 2026. Estes dados dizem respeito ao primeiro mês após a entrada em vigor das alterações à medida macroprudencial para o crédito, que incluem a redução da taxa de esforço máxima de 50% para 45%.
O que mostram os novos dados do Banco de Portugal?
A concessão de novos empréstimos para compra de casa voltou a subir, mas de forma moderada. O impacto das novas regras ainda é difícil de avaliar. Parte dos contratos escriturados em setembro pode ter sido aprovada antes de a alteração entrar em vigor, uma situação que o BdP salvaguardou.
Estes valores dizem respeito a novas operações e não ao stock de crédito habitação.
O que mudou nas taxas de juro e nas renegociações em setembro?
Segundo o BdP, a taxa média das novas operações de crédito à habitação, que inclui novos contratos e renegociações, subiu 0,05 pontos percentuais em setembro, para 3,06%. Na área do euro, a taxa média das novas operações de empréstimos à habitação subiu apenas 0,02 pontos percentuais, mas para um valor mais elevado: 3,62%. Portugal subiu uma posição e passou a ter a quinta taxa média mais baixa da área do euro.
A taxa mista no crédito habitação continua a dominar. Está presente em 86% das novas operações (incluindo renegociações), enquanto o peso das taxas variáveis encolheu para 11,59%. A taxa média no regime misto subiu 0,05 pontos percentuais, para 2,92%, e a do regime variável aumentou 0,04 pontos percentuais, para 3,30%.
A renegociação do crédito habitação também cresceu. O montante renegociado subiu 81 milhões de euros, para um total de 587 milhões de euros. Boa parte destas operações acontece quando termina o período de taxa fixa de um empréstimo com taxa mista (dois anos, na maioria dos casos). Muitas procuram fixar de novo a taxa por mais alguns anos, o que ajuda a explicar a descida de 0,02 pontos percentuais na taxa de juro das operações renegociadas, para 3,05%.
O que muda com a taxa de esforço máxima de 45%?
Para recordar o que é a taxa de esforço: é o rácio entre o total das prestações mensais de todos os empréstimos do mutuário e o seu rendimento mensal. Por decisão do BdP, o limite máximo passou de 50% para 45%.
Neste cálculo, a taxa de juro considerada para o crédito à habitação é agravada em 1,5 pontos percentuais, em empréstimos acima de determinado prazo. O objetivo é testar a capacidade de cumprimento num cenário de subida das taxas de juro e conter o aumento do endividamento das famílias.
Com estes limites, a capacidade de endividamento reduz-se, sobretudo para quem tem rendimentos médios. A medida abrange todos os particulares, incluindo os jovens até aos 35 anos que possam beneficiar da garantia pública.
Antes de falares com o banco, faz uma lista de todas as prestações mensais que pagas, de todos os empréstimos que tens, e junta os comprovativos do teu rendimento. É com estes dois valores que a tua taxa de esforço é calculada.
O que deves verificar antes de pedir ou renegociar o teu crédito habitação agora?
Com o novo limite, o mesmo rendimento pode permitir um empréstimo menor do que antes. Antes de avançar, podes calcular a tua margem no simulador de taxa de esforço, contando com todas as prestações que já pagas.
Se tens um crédito com taxa mista perto do fim do período fixo, a renegociação pode ser uma hipótese a ponderar, dependendo do teu perfil e das condições oferecidas. Podes estimar a prestação no simulador de crédito habitação e comparar crédito habitação de vários bancos antes de decidir.
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