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A água que sai da torneira em tua casa percorre um sistema que começa nas captações e termina no contador, e a entidade que gere todo esse percurso é determinada pelo município onde vives, não pela tua preferência.
Ao contrário da eletricidade ou do gás, o mercado de água doméstica em Portugal não é liberalizado. Cada município tem uma única entidade responsável pelo abastecimento, seja uma empresa municipal, uma parceria intermunicipal ou a própria câmara. Quem vive nesse concelho não tem outra opção: o contrato é celebrado com essa entidade e só com ela.
Esta estrutura existe por razões de eficiência e de saúde pública. A distribuição de água potável exige uma rede de infraestruturas de grande escala — reservatórios, estações de tratamento, condutas, que não faz sentido duplicar. O resultado é um monopólio natural regulado pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), que define as regras tarifárias e de qualidade de serviço que todas as entidades gestoras têm de cumprir.
Existem três modelos principais de gestão do abastecimento de água a nível municipal:
São sociedades criadas especificamente para gerir o serviço de água (e, frequentemente, o saneamento). São exemplos a EPAL em Lisboa, as Águas de Cascais, as Águas de Gaia ou a Vimágua em Guimarães e Vizela.
São departamentos da câmara municipal com autonomia financeira e administrativa. Funcionam como uma empresa pública local, mas estão organicamente ligados à autarquia. São exemplos os SMAS de Leiria, os SMAS de Sintra ou o SMAT de Portalegre.
Gerem o serviço diretamente, sem entidade separada, nos concelhos onde a dimensão da rede não justifica uma estrutura autónoma. Nestes casos, o contacto é feito diretamente com os serviços municipais.
Em Portugal Continental existem mais de 80 entidades com marca e contacto próprios, mais perto de 230 municípios onde a gestão é feita diretamente pela câmara. Para encontrar o fornecedor do teu município, consulta a lista de fornecedores de água em Portugal. Ou então coloca o teu código postal aqui:
Os processos de gestão são regulados a nível nacional e são os mesmos em todo o país, independentemente da entidade gestora. Os mais comuns são:
Portugal tem uma das taxas de conformidade da qualidade de água mais elevadas da União Europeia. A ERSAR publica anualmente o Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos (RASARP), que detalha os indicadores de qualidade por entidade gestora e por região. A água da torneira é segura para consumo em praticamente todo o território continental, embora a dureza (concentração de minerais dissolvidos) varie significativamente de município para município.