O Governo mostrou abertura à proposta do PS de isentar de IRS as mais-valias na venda de segundas habitações até 300 mil euros, desde que os imóveis se destinem a habitação própria e permanente do comprador e fiquem em zonas de pressão urbanística. Quem o diz é o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, depois da reunião com Luís Montenegro a 5 de novembro de 2026, avança o ECO. É uma abertura, ainda não uma decisão.
Segundo Carneiro, houve também um «relativo entendimento» para agravar o IMT a quem compra casa em Portugal sem cá residir e sem destinar a compra à habitação. A reunião terminou sem acordo quanto à principal exigência dos socialistas em matéria de arrendamento: Montenegro manteve a defesa da proposta que já está no Parlamento. Segundo Carneiro, o Governo também não mostrou disponibilidade para deixar cair a renda moderada até 2.300 euros.
O que o Chega exige para o Orçamento do Estado 2027?
André Ventura quer medidas com impacto imediato no orçamento das famílias, inscritas já no OE2027, cuja discussão decorre na especialidade. A principal exigência é recuperar a dedução no IRS dos juros pagos nos empréstimos à habitação, também para contratos celebrados depois de 2011.
Segundo o ECO, o artigo 78.º-E do Código do IRS permite hoje deduzir à coleta 15% dos juros de empréstimos para aquisição, construção ou beneficiação de habitação própria e permanente. Mas só em contratos celebrados até 31/12/2011. O limite geral é de 296 euros e pode subir até 450 euros para rendimentos coletáveis mais baixos.
Ventura admite que a medida abranja empréstimos com prestações «até 1.200 euros, ou outro limite que venha a ser definido».
Uma das razões para o Chega querer estas medidas já no Orçamento é a norma-travão da Constituição. Durante a execução de um Orçamento, os partidos não podem aprovar, por iniciativa parlamentar, medidas que reduzam a receita nesse ano, como uma nova dedução no IRS.
O que o PS propõe sobre crédito habitação e imposto de selo?
O vice-presidente do grupo parlamentar do PS, António Mendonça Mendes, enumerou cinco medidas que o partido quer levar a Montenegro e à discussão do OE2027 na especialidade. A última toca diretamente a compra e venda de casa:
isenção de mais-valias na venda de segundas habitações até 300 mil euros, em zonas de pressão urbanística, quando se destinem a habitação própria e permanente dos compradores, durante um período excecional de três anos;
para imóveis entre 300 mil e 500 mil euros, tributação reduzida e isenção de imposto do selo na compra e no respetivo crédito à habitação.
A isenção proposta abrange o imposto do selo no crédito e na compra, mas não refere o IMT na compra de casa.
Que condição mantém o PS para negociar com o Governo?
Segundo o ECO, os socialistas deverão manter uma posição de princípio: o Governo tem de retirar do Parlamento a proposta de lei do arrendamento urbano se quiser negociar. Montenegro já se mostrou irredutível na defesa da lei das rendas.
Ainda assim, o PS diz ir para a reunião com «espírito aberto» e «sem linhas vermelhas». Admite mesmo negociar alterações a normas do diploma, como as cauções e as rendas antecipadas.
O que isto pode significar para quem tem ou vai pedir crédito habitação?
São propostas em negociação, não lei em vigor. Ao incluir as medidas no OE2027, ainda durante a discussão e aprovação do Orçamento 2027, o Chega pretende que os seus efeitos fiquem previstos desde o início da execução orçamental.
Com um contrato posterior a 2011, só poderás deduzir juros se a proposta do Chega for aprovada, nos termos que vierem a ser fixados. Numa compra entre 300 mil e 500 mil euros, a isenção do PS poderia reduzir os impostos na compra de casa. Até haver decisão, o mais prudente é contar com as regras atuais. Podes estimar o valor a pagar no simulador de imposto do selo.
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