Consumo do frigorífico: 7 truques para poupar na luz

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Escrito por:

Luís Nunes
André Nunes

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André Nunes

Aprende a estimar o custo do teu frigorífico a partir da etiqueta energética e a aplicar sete hábitos que reduzem o trabalho do compressor. Vê também onde o tarifário entra na conta.

Frigorífico aberto numa cozinha, ilustrando truques para reduzir o consumo de energia
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O consumo do frigorífico pesa na conta da luz mais do que parece. É dos poucos aparelhos da casa que estão ligados 24 horas por dia, todos os dias do ano, por isso qualquer pequena redução se acumula ao longo de 12 meses. Entre os eletrodomésticos que gastam mais energia, é também dos mais fáceis de otimizar. Aqui ficam sete truques para reduzir a fatura da luz em 2026. Mostramos também como estimar o que o teu equipamento gasta e onde está a poupança que os hábitos não alcançam.

Quanto consome o meu frigorífico por mês?

O consumo depende do modelo e da classe energética. O custo depende também do preço que pagas por cada kWh. O ponto de partida mais fiável é a etiqueta energética dos eletrodomésticos, que indica o consumo anual do equipamento em kWh. Com esse número e com o preço do kWh que aparece na tua fatura, o cálculo é simples.

PassoOnde encontras o valorComo calcular
Consumo anual (kWh/ano)Etiqueta energética do modeloValor indicado na etiqueta
Consumo diário (kWh/dia)Etiqueta energética do modelokWh/ano ÷ 365
Custo anual (€/ano)Preço do kWh na tua faturakWh/ano × preço do kWh
Custo mensal (€/mês)Resultado do passo anteriorCusto anual ÷ 12

Um exemplo com valores hipotéticos, só para ilustrar o método: se a etiqueta indicar 200 kWh por ano e pagares 0,20 euros por kWh, o frigorífico custaria cerca de 40 euros por ano, pouco mais de três euros por mês. No teu caso, os números serão os do teu modelo e do teu contrato.

O mesmo raciocínio serve para calcular consumo em kWh de qualquer outro aparelho. Para chegares ao valor real, usa o preço do kWh com impostos incluídos, que aparece na tua fatura. Também ajuda comparar o resultado com o consumo médio de uma família em kWh, para perceberes o peso do frigorífico no total.

O consumo real pode afastar-se do valor da etiqueta. A temperatura da divisão, a idade do aparelho e a forma como é usado fazem diferença. Se a etiqueta já não estiver disponível, há outras formas de saber se o eletrodoméstico gasta muita energia.

Toma nota

Guarda num sítio à mão o consumo anual da etiqueta e o preço do kWh da tua última fatura. Com estes dois números repetes a conta para qualquer outro aparelho e tens os dados prontos para comparar ofertas de eletricidade.

Quais são os 7 truques para reduzir o consumo do frigorífico?

Os sete truques atuam sobre o mesmo ponto: o tempo de trabalho do compressor (o motor que produz o frio). Quanto menos trabalha, menos energia gasta. A maioria não exige investimento, e quanto poupas depende do estado do teu frigorífico.

1. Condensador limpo

O condensador é a grelha, normalmente na traseira ou por baixo do aparelho, que liberta o calor retirado do interior. Com pó acumulado, liberta pior o calor e o compressor fica ligado mais tempo. Uma limpeza com aspirador ou escova macia, com a ficha fora da tomada, pode ser feita algumas vezes por ano.

2. Temperatura bem regulada

Pôr o termóstato no máximo não conserva melhor os alimentos. Só aumenta o consumo. Em regra, recomenda-se cerca de 4 °C no frigorífico e −18 °C no congelador, mas confirma no manual do fabricante. Se o teu modelo tiver visor, é fácil verificar.

3. Porta aberta o menor tempo possível

Sempre que a porta abre, entra ar quente e o aparelho tem de voltar a arrefecer o interior. Decidir o que se vai buscar antes de abrir é um hábito pequeno. Repetido várias vezes por dia, ao longo do ano, conta.

4. Borrachas de vedação em bom estado

Uma vedação gasta deixa escapar frio de forma contínua. Existe um teste simples: fechar a porta sobre uma folha de papel e puxá-la. Se sair sem resistência, a borracha pode precisar de limpeza ou de substituição.

5. Localização longe de fontes de calor

Junto ao forno, a um radiador ou ao sol direto, o frigorífico tem de compensar o calor exterior. Deixar algum espaço livre atrás e dos lados ajuda o ar a circular à volta do condensador.

6. Comida arrefecida antes de entrar

Tachos ainda quentes obrigam o compressor a um esforço extra e aquecem os alimentos à volta. A comida pode arrefecer à temperatura ambiente antes de ser guardada, sem ultrapassar os tempos recomendados por razões de segurança alimentar.

7. Congelador sem gelo acumulado

Uma camada de gelo funciona como isolante e dificulta a troca de calor. Nos modelos sem sistema no frost, descongelar quando o gelo começa a acumular ajuda a manter o consumo estável. Um congelador razoavelmente cheio também tende a conservar melhor o frio do que um vazio, desde que o ar continue a circular.

Que classe energética devo procurar ao comprar um frigorífico?

A classe energética é o critério de referência para comparar frigoríficos na compra. A etiqueta europeia vai de A a G. As antigas classes A+, A++ e A+++ deixaram de existir, e hoje a classe A é a mais eficiente.

Mais do que a letra, o valor decisivo é o consumo anual em kWh. É esse número que te permite estimar o custo com o cálculo da secção anterior.

O que ver na etiquetaPorque importa
Classe energética (A a G)Posição do modelo face aos outros
Consumo anual (kWh/ano)Base para calcular o custo na tua fatura
Capacidade dos compartimentos (litros)Permite comparar modelos de tamanho semelhante
Ruído (dB)Conforto, sobretudo em cozinhas abertas

Os frigoríficos mais antigos tendem a consumir mais do que modelos recentes de classe energética superior. Se o teu já tem muitos anos, a troca pode fazer sentido. A decisão depende do preço do novo equipamento, do estado do atual e do teu consumo. Para quem está a renovar a cozinha, escolher um modelo eficiente é uma das formas de aumentar a eficiência energética em casa.

Vale a pena desligar o frigorífico à noite para poupar?

Não. Durante a noite os alimentos aquecem, o que levanta riscos de segurança alimentar. Ao voltar a ligar, o compressor trabalha de forma intensa para recuperar a temperatura, o que pode anular grande parte da poupança. Desligar o aparelho só faz sentido em ausências prolongadas, com o frigorífico vazio, limpo e com a porta entreaberta para evitar humidade e cheiros.

Esta dúvida costuma surgir associada à tarifa bi-horária, em que o preço do kWh varia consoante o horário. Como o frigorífico consome ao longo de todo o dia, não dá para afirmar que este tarifário compensa só por causa dele. Depende de quanta eletricidade gastas nas horas mais baratas. A forma mais segura de saber é simular com os dados reais da tua fatura.

Como posso poupar ainda mais além destes truques?

Os hábitos reduzem os kWh que gastas. O tarifário define quanto pagas por cada um. As duas coisas somam-se.

Para perceberes onde vai a energia, podes medir o consumo com tomadas inteligentes, que mostram numa app o gasto de cada aparelho. Para hábitos que vão além da cozinha, tens dicas para poupar energia em casa. Há ainda estratégias para poupar na fatura de energia que passam pela potência contratada.

A maior poupança pode estar no preço. O kWh varia por comercializador, tarifa e potência contratada, por isso o mesmo consumo pode custar valores diferentes de casa para casa. Antes de decidir, compara ofertas: podes comparar comercializadores de energia e usar o comparador de eletricidade do ComparaJá com os dados da tua fatura. O ComparaJá não vende eletricidade nem gás, por isso a comparação é imparcial.


André Nunes
André Nunes
Energy Operations Manager