O número de projetos de autoconsumo coletivo e comunidades de energia renovável em exploração em Portugal mais do que duplicou entre janeiro e setembro de 2026. Passou de 879 para 2.127, um crescimento de 142%. Em setembro, a potência instalada em exploração associada a estes projetos atingiu 124,1 MW.
Segundo o Ministério do Ambiente e da Energia (MAEn), esta evolução acompanha a simplificação das regras de partilha de energia, que o Governo pretende reforçar com novas medidas para acelerar estes projetos.
Projetos de autoconsumo coletivo mais que duplicam em 2026
O crescimento também chega ao autoconsumo individual. No início de outubro de 2026, havia mais de 282 mil instalações certificadas, com uma potência acumulada de cerca de 2,78 GW.
Só nos primeiros nove meses de 2026 foram certificadas mais de 30 mil novas instalações. É um crescimento de 12% face ao final de 2025, acompanhado de um acréscimo de cerca de 223 MW de potência instalada.
Novas regras do Governo aceleram comunidades de energia
Entre as principais alterações, explica o MAEn, estão:
o alargamento das situações em que é dispensada a consulta ao operador de rede;
a revisão dos critérios de proximidade entre produção e consumo;
regras mais ágeis para a entrada e saída de participantes.
Quando entidades públicas constituírem projetos de autoconsumo coletivo ou comunidades de energia, deve ser assegurada a possibilidade de participação de consumidores economicamente vulneráveis. A ideia é que pelo menos 10% da energia partilhada lhes seja acessível.
O MAEn sublinha ainda que o novo enquadramento clarifica as responsabilidades de cada interveniente. Ficam definidos os deveres do operador de rede no autoconsumo coletivo, sobretudo na ativação dos projetos, na medição da energia e na disponibilização dos dados necessários ao seu funcionamento. Na ComparaJá, já explicámos o que muda com o novo regime do autoconsumo.
Para a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, o Governo está a retirar obstáculos que tornavam estes projetos mais difíceis e demorados do que precisavam de ser. A governante defende regras mais simples, processos mais rápidos e benefícios concretos para as pessoas.
Como podes aderir a uma comunidade de energia ou autoconsumo coletivo?
Há um incentivo que pesa diretamente na fatura. Os projetos de autoconsumo e as comunidades de energia que obtenham as condições para o exercício da atividade até ao final de 2029 beneficiam, durante sete anos, da isenção da componente correspondente aos Custos de Interesse Económico Geral (CIEG). A medida reforça as condições para que mais famílias, empresas, autarquias e entidades públicas possam participar na produção e partilha de energia renovável.
Se queres participar, um primeiro passo pode ser perceber se já existe um projeto perto de ti, no teu condomínio ou no teu bairro. Para quem pensa em criar um projeto de raiz, vale a pena conhecer as opções de financiamento de comunidades de energia e os apoios a energias renováveis.
Se preferires produzir energia só para a tua casa, convém avaliar se compensa instalar painéis solares, quantos painéis solares precisas e que apoios para painéis solares podem estar disponíveis. Os painéis solares por subscrição são outra alternativa a ponderar.
Em qualquer dos casos, a energia que continuas a comprar à rede conta para a fatura. Por isso, pode compensar comparar fornecedores de eletricidade e escolher o tarifário mais adequado ao teu consumo.
Antes de entrares num projeto, pergunta ao promotor se já obteve as condições para o exercício da atividade. O prazo para isso é o final de 2029 e é daí que depende a isenção dos CIEG durante sete anos.
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