Seguros de vida em queda: quais os riscos para as famílias?

Madalena Alves

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Madalena Alves

Mais famílias estão a cortar no seguro de vida para poupar, mas essa decisão pode sair cara, saiba os riscos e como reduzir custos sem perder proteção.

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Os dados mais recentes do setor revelam uma tendência que deve servir de alerta financeiro: embora mais de 7,6 milhões de portugueses mantenham um seguro de vida, o número de apólices ativas está a cair.

Numa altura em que o custo de vida continua a pressionar a carteira das famílias, cortar nas despesas fixas é uma prioridade para muitos. No entanto, abdicar de um seguro de vida pode representar um risco financeiro desproporcional, deixando o agregado familiar vulnerável a imprevistos graves.

A pressão no orçamento e a ilusão da poupança

O cancelamento de apólices de vida reflete, em grande parte, o esforço das famílias para equilibrar o orçamento mensal. A tentação de eliminar o pagamento deste prémio é grande, sobretudo quando o retorno não é imediato ou visível.

Contudo, os especialistas em finanças pessoais alertam que esta é uma falsa poupança. O seguro de vida não é apenas uma formalidade: é a principal rede de segurança financeira que garante a estabilidade de uma família em caso de morte ou invalidez, assegurando o pagamento de despesas correntes, educação e dívidas acumuladas.

O risco oculto no Crédito Habitação

A maior preocupação com a quebra na cobertura dos seguros de vida recai sobre as famílias com crédito habitação. Na esmagadora maioria dos casos, os bancos exigem a subscrição de um seguro de vida para conceder o empréstimo da casa.

Se uma família decidir anular esta apólice, em situações onde o banco o permita ou em créditos que já não o exijam obrigatoriamente, assume a totalidade da dívida. Em caso de infortúnio, a responsabilidade de pagar a casa recairá sobre os restantes membros do agregado ou herdeiros, o que culmina frequentemente na perda do imóvel. Além disso, o cancelamento unilateral pode agravar as condições do próprio crédito, como a perda de bonificações no spread.

Como baixar a fatura sem ficar desprotegido

A solução para aliviar o orçamento familiar não tem de passar pelo cancelamento do seguro de vida. O mercado segurador é altamente competitivo e, de facto, continua a registar lucros sólidos, o que significa que existe margem para os consumidores procurarem melhores condições.

Se o prémio do seu seguro está a pesar na carteira, existem três passos recomendados:

  • Transferir a apólice: Desvincular o seguro de vida do banco onde tem o crédito habitação é, na maioria das vezes, a estratégia que gera a maior poupança mensal (que pode chegar aos milhares de euros no final do contrato).

  • Analisar as coberturas: Verifique se tem a cobertura de Invalidez Absoluta e Definitiva (IAD) ou Invalidez Definitiva para a Profissão ou Atividade Compatível (ITP), ajustando os capitais seguros à sua realidade atual.

  • Consolidar seguros: Juntar as apólices de vida, saúde, automóvel e multirriscos numa única mediadora ou seguradora pode garantir descontos de pacote (venda cruzada).


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Content & Email Marketing Manager