A Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi a última instituição a aceitar um aumento salarial de 3% para 2026, depois das negociações com os sindicatos. Com este acordo e os entendimentos alcançados com as restantes instituições, ficam sem efeito todas as concentrações agendadas e a greve nacional do setor bancário prevista para 30 de novembro. A decisão consta de um comunicado publicado a 5 de novembro de 2026 pelos sindicatos da UGT (Mais Sindicato, SBN e SBC) e pelo Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB).
Antes da CGD, o Banco Comercial Português (BCP) e o Banco Montepio também tinham chegado a um entendimento para subidas dessa dimensão. Segundo Paulo Macedo, presidente da CGD, o aumento vai ser processado a 6 de novembro de 2026.
O que foi acordado entre bancos e sindicatos?
A CGD chegou a acordo com quatro dos seis sindicatos: o Mais Sindicato, o SBC e o SBN, da UGT, e o SNQTB, independente. Não houve acordo com o STEC, o sindicato mais representativo. Ainda assim, todos os trabalhadores da Caixa vão beneficiar da atualização de 3% referente a 2026, com efeitos retroativos.
Para 2027, já existe acordo de 2,5% entre a CGD e os sindicatos da Febase, da UGT. Segundo o comunicado dos sindicatos da UGT, o processo negocial pode ser reaberto se a taxa de inflação for materialmente superior à apurada pelo INE para 2027, ou se houver alterações substanciais das circunstâncias económicas e sociais. Paulo Macedo sublinhou, porém, que a CGD «não faz acordos indexados a inflação».
Porque foi cancelada a greve bancária de 30 de novembro?
A banca tinha dito que não podia avançar com uma proposta superior a 2% para 2026, mas acabou por aceitar os 3%. A generalidade do setor tinha anunciado acordo uma semana antes da CGD, e a Associação Portuguesa de Bancos (APB) também já tinha fechado o entendimento. Em relação aos bancos que já tinham acordo, os sindicatos já tinham anunciado o cancelamento das manifestações e da paralisação marcadas para novembro.
A CGD, o BCP e o Banco Montepio têm acordos de empresa individuais e negoceiam diretamente com os sindicatos. Outras instituições negoceiam através da APB. Com os acordos da CGD, do BCP e do Banco Montepio, o cancelamento passou a ser total.
Como fica o salário e o futuro laboral na banca?
Segundo Paulo Macedo, o salário mínimo na CGD vai passar para 1800 euros, «desde o contínuo aos estagiários», e a remuneração média vai «rapidamente aproximar-se dos 3000 euros». O anúncio foi feito na conferência de imprensa em que a CGD apresentou lucros recorde. Na banca, os 3% servem de base para atualizar as tabelas salariais, as pensões de reforma e outras cláusulas pecuniárias.
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