Certificado Energético: o que é e quanto custa?

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Escrito por:

Isabel Pires
André Nunes

Aprovado por:

André Nunes

O Certificado Energético é um documento obrigatório quando compras ou arrendas casa. Sabe qual o custo, como pedir e quais as implicações de este não estar atualizado.

Certificado Energético

O Certificado Energético passou a ser obrigatório por lei, desde dezembro de 2013, para todos os edifícios, novos ou antigos, a partir do momento em que são colocados à venda ou para arrendamento. Como tal, e especialmente se vais comprar casa, é importante que fiques a conhecer tudo sobre este documento.

Quando se compra uma casa, é necessário ter toda a informação e documentação obrigatória para se poder efetuar a escritura. No entanto, antes deste passo tão importante, existe outro que é fundamental: a escolha do crédito à habitação.

Dica:

Este tipo de financiamento implica um grande peso nas finanças pessoais do consumidor, pelo que deves saber selecionar o melhor para ti. Através de uma comparação do mercado podes consultar as ofertas de todos os bancos em Portugal e selecionar a melhor proposta.

O que é o Certificado Energético?

O Certificado Energético avalia a eficiência energética de um imóvel numa escala de A+ (mais eficiente) a F (menos eficiente).

A certificação energética é realizada por técnicos autorizados pela Agência para a Energia (ADENE).

Atenção:

Cada edifício, seja novo ou antigo, que seja colocado à venda ou para arrendamento pelos proprietários ou mediadores imobiliários, necessita deste documento.

A ADENE é o organismo público que se responsabiliza pelo Sistema de Certificação Energética de Edifícios (SCE), que fornece todas as informações necessárias para avaliar o consumo energético de um imóvel. Tem como objetivo providenciar dados claros para que o consumidor possa comparar mais facilmente o desempenho energético de cada casa.

Este documento inclui:

  • Consumo energético estimado da casa.

  • Medidas de melhoria para aumentar a eficiência.

  • Dados sobre sistemas de climatização e águas quentes sanitárias.

Como é determinada a classe energética?

A classe energética é determinada por vários fatores, nomeadamente:

  • Ano de construção;

  • Localização;

  • Tipo de habitação: prédio ou moradia;

  • Área da habitação;

  • Constituição das envolventes, isto é, das paredes, coberturas e pavimentos;

  • Equipamentos de climatização, nomeadamente para ventilação, arrefecimento e aquecimento;

  • Equipamentos associados à produção de águas quentes sanitárias.

Quando tenho de pedir este documento?

O Certificado Energético é obrigatório em sete situações específicas:

  1. Para todos os edifícios novos;

  2. Grandes renovações (se afetarem pelo menos 25% do valor do imóvel);

  3. Edifícios comerciais com grande área útil (igual ou superior a 1.000 m2);

  4. Edifícios que alberguem supermercados, hipermercados, centros comerciais ou piscinas abertas, cuja área interior útil seja igual ou superior a 500 m2;

  5. Imóveis do Estado abertos ao público (com uma área interior útil superior a 500 m2);

  6. Venda ou arrendamento de imóveis — o proprietário deve solicitar este documento;

  7. Nos casos de permuta, de trespasse ou de um contrato de pessoa a nomear.

Se estás a vender ou arrendar a tua casa, deves garantir que o certificado está atualizado, pois a sua falta pode resultar em multas entre 250 e 3.740 euros para particulares, e 2.500 a 44.890 euros para empresas.

Vou vender/arrendar uma casa que tem Certificado Energético válido, preciso de pedir outro?

Não, não é necessário solicitar um Certificado Energético de cada vez que se transaciona ou arrenda uma casa. Podes utilizar o atual sempre que for necessário, desde que esteja válido.

Como fazer o pedido?

Em primeiro lugar, deves procurar por peritos qualificados na tua zona de residência. A ADENE disponibiliza uma Bolsa de Peritos Qualificados no seu site. Para encontrares um profissional com inscrição ativa, usa a pesquisa pública de peritos no Portal SCE: filtras por distrito ou concelho e confirmas que o registo está válido. Depois de escolheres o perito, marcas uma visita ao imóvel, obrigatória porque a avaliação depende da observação direta da construção e dos sistemas instalados.

Depois, deverás reunir a seguinte documentação:

  • Cópia da planta do imóvel;

  • Caderneta Predial Urbana;

  • Ficha Técnica da Habitação;

  • Certidão de registo do imóvel na Conservatória.

Após o pagamento serás contactado num prazo de 24 horas úteis para agendamento.

O passo seguinte passa pela visita do profissional ao imóvel para proceder ao levantamento de dados. Posteriormente, o perito irá introduzir os dados recolhidos no Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior nos Edifícios. Num prazo máximo de 48 horas será emitido o certificado.

Nota:

Se quiseres, tens o direito de pedir para consultar uma versão prévia antes da emissão do Certificado Energético. Nota que este documento pode demorar dois a três dias a obter.

Quanto custa um Certificado Energético?

O valor do Certificado Energético varia consoante o tipo e tamanho do imóvel:

Custo de um Certificado Energético

CaracterísticasTipologia T0-T1Tipologia ≥ T6Área útil até 250 m2Área útil ≥ 5.000 m2
Imóveis de particulares28€ + IVA65€ + IVANão aplicávelNão aplicável
Edifícios de comércio e serviçosNão aplicávelNão aplicável135€ + IVA950€ + IVA

Além destes valores, tens de pagar os honorários do perito, que podem variar consoante a zona e a complexidade da avaliação.

Como estes valores não estão tabelados, o custo pode oscilar consideravelmente: daí ser tão importante pedires vários orçamentos antes de escolher um perito.

Existem casos onde consigo isenção?

É possível ter isenção no pagamento do Certificado Energético, caso reúnas as seguintes três condições:

  1. O documento original esteja dentro da validade;

  2. Tenham sido implementadas as recomendações de melhoria de eficiência energética;

  3. Após a implementação, a habitação obtenha uma classificação de, no mínimo, B-.

Para usufruir da isenção basta preencher os requisitos na caderneta predial ou, em alguns casos, preencher uma declaração que confirme a isenção e, nesses casos, é necessário solicitar um perito ao local.

O certificado tem validade?

Sim! A validade do Certificado Energético é de:

  • 10 anos para habitação e pequenos comércios.

  • 8 anos para grandes edifícios de comércio e serviços.

Alerta:

Se o teu certificado está perto da data de expiração e queres vender ou arrendar, precisas de renovar o documento.

Sê amigo do ambiente, investe na tua casa

O Certificado Energético é essencial para quem quer vender, arrendar ou melhorar a eficiência do seu imóvel. Para evitar multas e garantir uma boa avaliação, certifica-te de que pedes o documento com antecedência e consideras melhorias que possam valorizar a tua casa!

Se estás a pensar em obras, vê primeiro se compensa instalar painéis solares na tua casa e compara as melhores soluções na nossa página de painéis solares. Há ainda outros apoios para energias renováveis que podes acumular. E quando compras eletrodomésticos novos, sabe ler a etiqueta energética para escolheres os modelos mais eficientes.

Vale a pena melhorar a eficiência energética?

Sim! Um imóvel com classe energética A ou A+ pode aumentar até 10% o seu valor de mercado e reduzir significativamente os custos com eletricidade e gás. Algumas melhorias recomendadas incluem:

  • Isolamento térmico nas paredes e telhado.

  • Janelas com vidros duplos.

  • Painéis solares.

  • Eletrodomésticos eficientes (classe A+ ou superior).

Isto significa que, caso o teu Certificado Energético tenha recomendações – que são apenas isso, não sendo obrigatórias – talvez seja melhor investir algum dinheiro para melhorar a tua habitação.

Que apoios à eficiência energética posso obter com o certificado?

O certificado energético não serve só para cumprir a lei na venda ou no arrendamento. É, muitas vezes, a chave para te candidatares a apoios públicos para melhorar a tua casa. A maioria dos programas exige um certificado atual emitido por um perito ADENE, porque é esse documento que classifica a habitação e identifica as medidas com maior impacto.

Em 2026 houve mudanças. O Fundo Ambiental passou a ser coordenado pela Agência para o Clima (ApC), que assumiu a gestão dos programas de eficiência energética financiados pelo PRR. Se queres perceber por onde começar, o nosso guia sobre como aumentar a eficiência energética em casa ajuda-te a priorizar as obras.

Entre os apoios em destaque este ano estão:

  • Casa Eficiente 2026: programa para a reabilitação energética de casas, com um leque alargado de obras elegíveis, do isolamento térmico à substituição de janelas.

  • Vale Eficiência II: reaberto através do Despacho n.º 6769-A/2026, dá às famílias mais vulneráveis vales para trocar janelas, sistemas de aquecimento ou equipamentos por soluções mais eficientes. Destina-se a quem recebe a tarifa social de eletricidade ou prestações sociais mínimas.

  • Programa E-Lar: apoia a substituição de equipamentos a gás por equipamentos elétricos mais eficientes.


André Nunes
André Nunes
Energy Team Leader