Segunda habitação para arrendamento: alguns pontos a considerar

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Comprar uma segunda habitação é uma opção de investimento viável, seja pelo rendimento mensal do arrendamento do imóvel ou pelo facto de ter um bem que poderá mais tarde vender por um valor mais alto e daí obter margem de lucro.

Ultimamente este tipo de investimento tem tido cada vez maior procura, principalmente em Lisboa, muitas vezes com o propósito de lucrar com o arrendamento temporário.

No entanto, há alguns pontos relevantes a considerar antes de tomar essa decisão.

1) Crédito para segunda habitação com contornos específicos

Se pretende pedir um empréstimo para comprar a sua segunda casa, saiba que tem de notificar o banco sobre esse aspeto.

O spread que a instituição financeira lhe irá propor será, regra geral, mais alto do que se se tratasse de crédito para aquisição da primeira casa e faz sentido que assim seja: já que a casa não é para habitação própria, o risco do investidor não pagar é mais elevado, pois ele não depende da casa como dependeria se nela habitasse.

E se, de repente, o imóvel desvaloriza em consequência de uma crise financeira, nada impede o investidor de entregar a casa ao banco para saldar a dívida. Se, pelo contrário, o investidor nela viver, optará provavelmente por continuar a pagá-la para não abdicar do investimento.  Ainda assim, convém sempre negociar.

2) Compare diferentes ofertas dos bancos

Porque é que há de solicitar um determinado crédito para a sua segunda habitação se existem no mercado alternativas altamente competitivas? Provavelmente porque acha que as ofertas não apresentam uma variação relevante o suficiente para perder tempo a tentar conhecê-las todas. Engana-se! Pode estar a pagar muito mais pela prestação mensal do seu crédito sem justificação.

Os bancos oferecem taxas mais ou menos competitivas. A TAEG, que é aquela que deve ser tida em conta, contempla as comissões do processo (consulte aqui a explicação completa sobre as diferentes comissões bancárias de um crédito à habitação) e os seguros (multirriscos e de vida).

Para além disso, muitas instituições financeiras oferecem produtos associados ao crédito que fazem reduzir o custo do mesmo (saiba como neste artigo).

Se, por acaso, já tem o seu empréstimo à habitação em curso, não se apoquente, pois nem tudo está perdido. Ainda vai a tempo de pedir uma transferência do seu crédito para outra instituição que ofereça condições mais vantajosas. Existem até algumas que cobrem os custos desta transferência, tais como o Bankinter, que suporta até 1,25% do capital transferido.

3) Pense no investimento a longo prazo

Depois de decidir comprar a segunda habitação, faça questão de escolher bem o tipo de imóvel e, sobretudo, a zona. Acessibilidade, supermercados, farmácias, escolas… uma zona dinâmica irá trazer lhe mais interessados no imóvel e irá, ao mesmo tempo, permitir-lhe “puxar” mais pelo valor da renda.

Para além disso, tente perceber se haverá alterações ao nível urbanístico na zona onde o imóvel se encontra – é assim que se dão os “achados”. Se um dia decidir vender a casa, é certo de que a realidade da zona não será a mesma e convém que seja muito melhor para poder aumentar a sua margem de lucro. Apesar de não podermos prever o futuro, antecipar eventuais mais-valias pode representar uma grande vantagem.

Poderá a zona valorizar-se no futuro? Avizinha-se a construção de um complexo comercial? Haverá (ou está a haver) investimentos em iniciativas culturais? Estes são alguns dos aspetos que podem inflacionar consideravelmente o preço da casa, quando um dia, mais tarde, a quiser vender.

4) Ser senhorio não é para todos

Atenção ao detalhe, energia, paciência e disponibilidade: será que reúne estas características? Não se esqueça que o papel de senhorio pode ser muito exigente e é necessário que esteja disponível sempre que seja necessário intervir com alguma obra de manutenção ou reparação da casa.

Os reparos a fazer no imóvel podem sair-lhe caros, pelo que é prudente ter uma poupança de parte preparada para esse tipo de imprevistos. E não se esqueça dos impostos (imposto de renda e IMT) associados ao imóvel.

Para além do mais, é altamente aconselhável colocar de parte um valor equivalente a pelo menos duas rendas, para que possa garantir que não fica na penúria se tiver um ou dois meses de desocupação por ano.

Neste sentido, quererá garantir que a casa tem uma elevada taxa de ocupação, sendo que é importante conhecer os interessados em arrendar o imóvel e escolher aqueles com quem sente que se irá entender melhor.

Ou seja, prepare-se para dedicar muito do seu tempo e energia ao seu projeto, durante muitos anos.

Catarina Maia

Sobre Catarina Maia

Formada em Comunicação Social e Cultural com especialização em Jornalismo, a Catarina continuou os estudos na área da Comunicação Organizacional e Liderança, iniciando depois o seu percurso profissional em marketing digital. Quer fazer a diferença ao contribuir para um maior entendimento das finanças pessoais. Hoje, os portugueses; amanhã, o mundo.

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