A taxa mista passou de cerca de 10% para 80% dos novos créditos habitação contratados em Portugal, uma subida registada ao longo dos últimos três anos, segundo o mais recente relatório do Banco de Portugal sobre o setor. Os dados confirmam que esta modalidade deixou de ser uma opção secundária e passou a ser a escolha dominante entre quem procura financiar a compra de casa em 2026.
O que diz o novo relatório do Banco de Portugal
Segundo o relatório do Banco de Portugal sobre o mercado de crédito à habitação, a taxa mista concentra atualmente 80% dos novos contratos, um valor que era de apenas 10% há três anos. Para quem ainda não sabe o que é a taxa mista, o conceito combina um período inicial de taxa fixa com uma fase posterior indexada à EURIBOR. A notícia de que a taxa mista atinge recorde já tinha sido avançada este ano, mas o novo relatório confirma agora a dimensão real do fenómeno em 2026.
Porque disparou a taxa mista em três anos
O crescimento da taxa mista está associado à evolução da própria EURIBOR nos últimos anos. Depois de um período de subidas acentuadas, a procura por proteção face à volatilidade da taxa levou muitos consumidores a preferir soluções entre taxa fixa ou variável que combinam as duas num único contrato. Esta preferência já se tinha manifestado em meados de 2026, quando a taxa mista supera variável pela primeira vez em novos contratos, num movimento que coincidiu com a taxa variável em queda entre os créditos assinados este ano. O relatório do Banco de Portugal não detalha a adesão por instituição, pelo que ainda não é possível saber se a tendência é transversal a todos os bancos ou mais marcada nalguns em particular.
O relatório do Banco de Portugal não detalha a adesão por instituição, pelo que ainda não é possível saber se a tendência é transversal a todos os bancos ou mais marcada nalguns em particular.
O que isto significa para quem procura crédito habitação
Para quem está a preparar um crédito habitação, este dado é um sinal do que o mercado está a privilegiar, mas não substitui uma análise ao perfil financeiro de cada família. A taxa mista pode fazer sentido para quem valoriza previsibilidade nos primeiros anos do empréstimo, sem abdicar de uma eventual descida futura da EURIBOR, algo que pode ser aprofundado ao comparar EURIBOR a 3, 6 ou 12 meses. A escolha entre taxa fixa, variável ou mista depende do prazo do crédito, da tolerância ao risco de cada família e da evolução esperada das taxas de juro. Antes de decidir, pode fazer sentido usar o simulador de crédito habitação com diferentes cenários de taxa e comparar propostas junto de várias instituições.
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