1.º Direito: 20 mil casas concluídas, poucas entregues

Madalena Alves

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Madalena Alves

Em janeiro de 2026, o crédito à habitação em Portugal cresceu 10,4% em termos anuais, a maior taxa desde fevereiro de 2006, com o stock de empréstimos a atingir cerca de 111,7 mil milhões de euros.

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A crise na habitação continua a ser uma dor de cabeça em Portugal. Sabias que, apesar de o Programa 1.º Direito ter 20 mil casas concluídas no papel, apenas cerca de duas mil chegaram efetivamente às mãos das famílias que mais precisam?

O acesso a uma habitação digna é um dos maiores desafios do país. Com o custo de vida elevado e os preços dos imóveis a dispararem, muitos portugueses aguardam ansiosamente pelas soluções prometidas pelo Estado. No entanto, os números recentes do Programa 1.º Direito revelam um desfasamento preocupante entre a conclusão das obras e a entrega real das chaves.

O que é o Programa 1.º Direito?

Criado pelo Decreto-Lei n.º 37/2018, o 1.º Direito é um Programa de Apoio ao Acesso à Habitação que visa promover soluções habitacionais para pessoas que vivem em condições indignas e que não dispõem de capacidade financeira para suportar o custo do acesso a uma casa adequada.

Este programa está fortemente alicerçado nos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), tendo como meta principal apoiar milhares de famílias até ao final do ano de 2026. A estratégia foca-se maioritariamente na reabilitação de imóveis existentes, com a construção nova a representar uma parcela muito reduzida dos projetos.

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Porque há atrasos na entrega das casas?

Apesar de as estatísticas oficiais apontarem para 20 mil casas terminadas, a realidade no terreno é bem diferente. A conclusão de uma obra não significa que a habitação esteja pronta a habitar. Os principais motivos para este bloqueio incluem:

  • Burocracia excessiva: Os processos de licenciamento, as vistorias finais e a emissão das licenças de utilização demoram muito mais tempo do que o previsto.

  • Falta de articulação: A comunicação entre as autarquias locais, o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) e as empresas de construção apresenta falhas frequentes.

  • Problemas nas infraestruturas: Muitas habitações reabilitadas aguardam ainda a ligação a redes básicas, como água, luz e saneamento, o que impede a entrega imediata às famílias.

Quais os impactos deste atraso para as famílias?

Para quem vive em situação de carência, cada mês de espera agrava o risco de exclusão social. Famílias que já tinham a esperança de se mudar para uma casa digna continuam a viver em habitações degradadas, sobrelotadas ou a enfrentar o risco iminente de despejo.

Estes atrasos geram também uma enorme desconfiança em relação aos apoios à habitação e às políticas públicas. Quando o Estado anuncia a conclusão de 20 mil casas, mas apenas duas mil famílias têm as chaves na mão, a perceção de eficácia e de compromisso do programa sai seriamente prejudicada.

O futuro do programa e as metas do PRR

O relógio não para. Portugal tem até meados de 2026 para cumprir as metas delineadas no PRR. Se o ritmo de entrega não acelerar drasticamente, o país corre o risco de perder uma parte vital do financiamento europeu destinado à habitação social.

As autarquias e o Governo têm agora a pressão de simplificar processos e acelerar a atribuição efetiva destes imóveis. Até lá, a resolução deste problema estrutural continua a exigir paciência por parte das famílias portuguesas que aguardam por um teto.


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Content & Email Marketing Manager