É entre os 35 e os 44 anos que o esforço financeiro das famílias é mais elevado. Metade das famílias endividadas nesta faixa etária deve ao banco o equivalente a 181% do que recebe num ano, ou mais. O dado consta do retrato «Poupança, despesas e dívidas: para onde vai o dinheiro das famílias?», que a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) divulgou a 31/10/2026, através da Pordata, a propósito do Dia Mundial da Poupança. O estudo baseia-se no último Inquérito à Situação Financeira das Famílias do INE e do Banco de Portugal, publicado em agosto.
Quanto devem ao banco as famílias endividadas desta idade?
Além da dívida, é nesta idade que a prestação mais aperta. Segundo o documento da FFMS, o esforço financeiro era mais elevado nos agregados dos 35 aos 44 anos, com um rácio mediano de 17%. Isto significa que metade destas famílias gasta pelo menos 17 euros em cada 100 que recebe a pagar créditos, contra uma mediana de 15% no conjunto das famílias endividadas. Se tens dúvidas sobre o que é taxa de esforço, explicamos noutro artigo.
Nesta faixa etária, 64,9% dos agregados têm pelo menos uma dívida. Além disso, 41,7% pagam o crédito da casa onde vivem, 28,2% têm empréstimos sem garantia imobiliária e 15,6% devem dinheiro em cartões de crédito, linhas de crédito ou descobertos bancários.
No documento da FFMS, o esforço financeiro é medido por agregado e a idade considerada é a do indivíduo de referência da família, não a de cada pessoa que vive na casa.
Como se compara esta faixa etária com o resto das famílias portuguesas?
No extremo oposto da pirâmide etária, o cenário inverte-se. Segundo a FFMS, entre os agregados endividados com 75 ou mais anos, metade tinha uma dívida que não ultrapassava 16% do rendimento líquido anual. E só 8% das famílias desta idade têm alguma dívida.
Já entre os menores de 35 anos, que estão no início do crédito à habitação, a dívida equivale a 46,2% do valor de tudo o que possuem. É o rácio mais elevado de todos os escalões etários.
No conjunto do país, o endividamento das famílias chegava a cerca de 42% dos 4,5 milhões de agregados familiares residentes em Portugal em 2024, o equivalente a cerca de 1,9 milhões de famílias. A proporção recuou cinco pontos percentuais face a 2020, por haver menos famílias com empréstimo para comprar casa. Ainda assim, o crédito à habitação da casa principal continua a ser o compromisso mais comum, presente em 24,7% dos lares, à frente dos empréstimos sem garantia imobiliária (18,7%) e das dívidas de cartões, linhas de crédito e descobertos (10,3%).
Também nas despesas a casa leva a maior fatia. A habitação, com água, eletricidade e gás, absorve 39% do orçamento de um agregado, que gasta em média 23.900 euros por ano. Seguem-se a alimentação (quase 13%) e os transportes (cerca de 12%): em conjunto, estas três categorias absorviam mais de 64% dos gastos familiares. A margem para poupar depende do que sobra depois destas despesas fixas, um retrato que se cruza com a taxa de poupança das famílias.
O que posso fazer se a minha dívida está a pesar no orçamento?
Se o teu caso se parece com o destas famílias, o primeiro passo pode ser medir o peso real das prestações. O simulador de taxa de esforço ajuda-te a perceber que parte do rendimento vai para créditos.
Se tens um empréstimo da casa, pode compensar comparar crédito habitação antes de assumires novos compromissos, ou perceber como renegociar crédito com o teu banco.
Quando há vários empréstimos, cartões ou descobertos ao mesmo tempo, o crédito consolidado poderá juntar tudo numa só prestação, dependendo do teu perfil e das condições de cada proposta. E se sentes que tens créditos a mais, estas dicas para ficar livre de dívidas podem ajudar a reorganizar o orçamento.
Antes de pedires um novo empréstimo ou de juntares os que já tens, reúne os extratos de todos os créditos, cartões e descobertos e soma o que pagas num mês. É esse total que vais pôr ao lado do teu rendimento líquido mensal.
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