Aconteceu pela primeira vez. Segundo os dados do Banco de Portugal divulgados esta semana, o crédito habitação a taxa variável, indexado à EURUBOR, caiu abaixo de metade do stock total: ficou em 49,49% em abril de 2026. No mesmo mês, a taxa mista atingiu o peso mais alto de sempre, com 45,42%, e a taxa fixa subiu para 5,09%.
É uma viragem profunda. Em dezembro de 2021, antes da escalada dos juros, a EURIBOR representava mais de 90% da carteira de crédito habitação em Portugal. Em pouco mais de quatro anos, os portugueses trocaram a exposição total à EURIBOR por soluções com mais estabilidade.
Porque é que a taxa mista ganhou terreno?
A explicação está no choque de 2022 e 2023, quando a EURIBOR disparou e as prestações de quem tinha taxa variável agravaram-se de um mês para o outro. A partir daí, muitas famílias procuraram proteção.
A taxa mista responde precisamente a esse receio: começa com um período de taxa fixa, em regra de dois a cinco anos, e só depois passa a variável. Dá-te previsibilidade no arranque do contrato, a fase em que o orçamento costuma estar mais apertado, sem te fechares para sempre numa taxa fixa.
Nos novos contratos, a tendência é ainda mais clara. Em abril, a taxa mista representou cerca de 85% dos novos créditos habitação, um máximo histórico, enquanto a taxa variável pura caiu para apenas 13,92%, o valor mais baixo de que há registo.
Compensa mesmo fugir da EURIBOR?
Depende, e a diferença pode ser menor do que parece. Em abril, a taxa de juro média dos contratos a taxa mista situou-se em torno de 2,74%, contra 2,96% nos contratos a taxa variável, uma diferença de apenas 0,22 pontos percentuais. Ou seja, a proteção da taxa mista está, neste momento, relativamente barata.
Mesmo assim, há um ponto a não esquecer: quando o período fixo da taxa mista termina, o teu crédito passa a variável e fica sujeito à EURIBOR em vigor nessa altura. Por isso, antes de escolheres entre taxa fixa ou variável, olha para o custo total do crédito e não só para os primeiros anos.
O que devo fazer antes de contratar?
Se estás a pensar comprar casa ou rever o teu crédito, esta mudança de mercado é uma boa altura para comparar. Tem em conta o seguinte:
Simula os cenários. Com o simulador de crédito habitação vês o impacto de cada tipo de taxa na prestação.
Compara a TAEG, e não apenas o spread ou a taxa anunciada, porque é a TAEG que reflete o custo total.
Se já tens crédito, avalia se vale a pena a transferência para outro banco com melhores condições.
Lê com atenção a letra pequena das campanhas, sobretudo os produtos associados exigidos para baixar a taxa.
No fundo, a EURIBOR deixou de ser a única protagonista, mas continua a marcar o ritmo. Conhecê-la, e comparar bem, é o que te permite escolher a solução de crédito habitação certa para o teu caso.
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