Buy now pay later passa a ser crédito ao consumo este ano
Já deves ter visto a opção em compras online: dividir o pagamento em três prestações sem juros ou pagar daqui a 30 dias. É o chamado "buy now pay later" (BNPL), ou compra agora, paga depois, popularizado por empresas como a Klarna. Até agora, este tipo de pagamento vivia numa zona cinzenta, fora das regras do crédito ao consumo. Isso vai mudar em 2026.
Com a nova diretiva europeia do crédito ao consumo, conhecida como CCD2, o BNPL passa a ser tratado como crédito para todos os efeitos. O novo enquadramento torna-se de aplicação obrigatória nos Estados-membros a partir de 20 de novembro de 2026, mesmo que Portugal ainda não tenha concluído a transposição para a lei nacional.
Que regras passam a aplicar-se ao BNPL?
A reclassificação traz proteções que já existem noutras formas de crédito. As principais mudanças são:
Avaliação de solvabilidade: antes de te conceder o pagamento fracionado, o operador passa a ter de avaliar a tua capacidade de pagar, para evitar situações de sobre-endividamento.
Direito de livre revogação: passas a poder desistir do crédito nos 14 dias seguintes à compra, tal como acontece já noutros contratos de crédito.
Informação normalizada: em compras acima de 200 euros, o operador tem de disponibilizar uma Ficha de Informação Normalizada, que mostra de forma clara as condições.
Reporte ao Banco de Portugal: os operadores passam a reportar dados ao Banco de Portugal, pondo fim à falta de informação sobre este segmento.
Isto significa que vou pagar juros?
Não necessariamente. Muitas ofertas de BNPL continuam a ser sem juros se pagares dentro do prazo. O que muda é o enquadramento legal e a proteção de quem usa: mais transparência, avaliação prévia e o direito a recuar. Continua, ainda assim, a ser crédito, e o risco de te endividares sem dar conta é real quando acumulas várias compras fracionadas em simultâneo.
Se usas estes serviços com frequência, trata-os como tratarias qualquer outro crédito ao consumo: soma o total das prestações em curso e confirma que cabem no teu orçamento. Conhecer os teus direitos no crédito ajuda-te a exigir transparência aos operadores.
Há alternativas mais baratas ao pagamento fracionado?
Depende do que precisas. Para uma compra pontual de valor mais alto, um crédito pessoal com TAEG competitiva pode sair mais barato e mais transparente do que encadear vários BNPL. Para despesas do dia a dia que pagas no fim do mês, um cartão de crédito com cashback pode até devolver-te parte do que gastas, desde que evites pagar juros.
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