De acordo com um estudo da consultora Oliver Wyman, a relação com os bancos está a mudar rapidamente, impulsionada pela digitalização e pela crescente confiança na inteligência artificial (IA). Ainda assim, há momentos em que o fator humano continua a fazer toda a diferença.
Confiança na tecnologia está a crescer
Portugal destaca-se pela abertura à inovação no setor financeiro. Segundo o estudo, 52% dos portugueses confiam na IA para receber aconselhamento sobre produtos bancários, um valor acima da média europeia (40%).
Além disso, 48% dizem sentir-se confortáveis com sistemas que executem operações financeiras de forma autónoma em seu nome.
Este cenário mostra que os portugueses estão cada vez mais disponíveis para integrar a tecnologia nas suas decisões financeiras — especialmente quando se trata de tarefas mais simples e rotineiras.
Digital domina no dia a dia
Essa tendência confirma-se na forma como os portugueses gerem as suas finanças diariamente. Cerca de 84% preferem usar aplicações móveis ou plataformas online, enquanto 67% já não recorrem a balcões físicos para operações do dia a dia.
Também os bancos digitais ganham terreno: 58% admitem a possibilidade de usar um neobanco como conta principal num futuro próximo.
Na prática, ir ao banco deixou de ser uma rotina — e passou a ser uma exceção.
Mas no crédito, o balcão ainda manda
Apesar desta forte digitalização, há um momento em que a preferência muda claramente: o crédito.
Quando estão em causa decisões de maior impacto — como pedir crédito habitação — 64% dos portugueses consideram essencial ter uma reunião presencial. Além disso, 91% valorizam a existência de agências físicas disponíveis para contacto direto.
Isto mostra que, mesmo num contexto cada vez mais digital, os portugueses continuam a procurar segurança, confiança e proximidade quando estão em causa compromissos financeiros de longo prazo.
Crédito habitação continua a ser decisivo
Não é por acaso que o crédito habitação assume um papel central na relação com os bancos. Segundo o mesmo estudo, 21% dos portugueses dizem que as condições do financiamento imobiliário são o principal fator na escolha da sua instituição bancária — mais do dobro da média europeia (8%).
Num contexto de preços das casas elevados, os consumidores estão mais atentos às condições oferecidas, como taxas de juro, prestações e comissões, e tomam decisões cada vez mais informadas.
O futuro: digital com apoio humano
Os dados apontam para um equilíbrio claro: tecnologia para simplificar o dia a dia e contacto humano para decisões mais complexas.
Para os bancos, o desafio será conseguir combinar estes dois mundos, oferecendo experiências digitais eficientes sem abdicar do apoio personalizado quando ele é mais valorizado.
Para os consumidores, a conclusão é simples: usar o digital para gerir, mas recorrer ao apoio humano quando está em jogo uma decisão importante, como contratar crédito.
:quality(80))
:quality(80))