Vale a pena fazer um seguro de crédito?

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Seguro de Crédito

Devido à instabilidade sofrida em Portugal durante a crise económico-financeira, muitos foram os bancos que começaram a exigir a subscrição de um seguro de crédito aquando da contratação de um financiamento. Nos dias de hoje estes seguros são já bastante comuns, mas valem a pena?

Se procura um empréstimo bancário, deve primeiro perceber se este implica, ou não, a subscrição de um seguro de crédito. Muitas vezes, esta condição não é apresentada de imediato aos consumidores, pelo que deve comparar todas as soluções do mercado e ler todas as propostas para perceber se é necessário contratar um seguro de crédito.

O que é um seguro de crédito?

Um seguro de crédito é uma garantia de segurança, tanto para os consumidores como para as instituições financeiras, de que as prestações mensais ficarão pagas quando alguma das coberturas do seguro de crédito em questão é ativada.

No entanto, é importante diferenciar um seguro de crédito para empresas de um seguro de proteção ao crédito para particulares. No caso das empresas, esta proteção visa cobrir o risco de não pagamento de vendas de bens e serviços que foram efetuadas a crédito. No caso do seguro de crédito para particulares, conheça abaixo quais são os mais comuns.

Quais as especificidades destes seguros?

Geralmente, as entidades financeiras disponibilizam três tipos de seguros na contratualização de um empréstimo pessoal:

O mais comum destes é o seguro de vida, que permite que as dívidas sejam liquidadas em caso de morte ou invalidez dos titulares do crédito pessoal. Já o seguro de doença é, por norma, considerado como uma cobertura complementar do seguro de vida.

Quanto ao seguro de desemprego, no caso de existir uma situação de desemprego involuntário, por um período superior a 30 dias, e se o consumidor estiver inscrito no Centro de Emprego e Segurança Social, a companhia de seguros pagará as prestações mensais ao banco. No entanto, existe um limite de seis meses por sinistro e de, no máximo, 12 a 36 meses por contrato.

Mas atenção:

Nestes seguros, a cobertura de desemprego é exclusiva para trabalhadores por conta de outrem, estando incluídas situações de despedimento coletivo e de extinção do posto de trabalho. No entanto, os trabalhadores por conta própria e os da função pública não se encontram abrangidos.

Normalmente, nas apólices do seguro de crédito consta a incapacidade temporária absoluta para o trabalho por um período superior a 30 dias. No entanto, algumas instituições financeiras impõem uma franquia absoluta de 60 dias e só pagam a indemnização a partir do 61º dia de baixa.

Cuidado:

O despedimento promovido pelo trabalhador com invocação de justa causa está excluído de algumas apólices de seguros de desemprego. Leia com atenção todas as cláusulas antes de contratar o que quer que seja.

Já no que diz respeito ao valor praticado pelos bancos, este é muito variável. Um seguro de crédito que cubra tanto desemprego como hospitalização, para um empréstimo pessoal de 10 mil euros com um prazo de pagamento a cinco anos, pode ter um custo entre os 400 e os mil euros.

O ideal é sempre comparar diversas soluções das seguradoras, não se regendo apenas pela oferta apresentada pelo banco (pois pode não ser a melhor para o seu caso). Só comparando e vendo qual o montante a pagar é que terá uma perceção real sobre se vale a pena, ou não, contratar um seguro de crédito.

Fatores a considerar antes de subscrever

Existem diversos fatores a considerar antes da contratação de um seguro de crédito. Dividimo-los em vantagens e desvantagens, para melhor compreensão.

Vantagens

Por um lado, o seguro de proteção ao crédito é apontado como a solução mais viável para solicitar um financiamento de forma descansada, uma vez que a segurança que tem, ao longo da duração do crédito, é muito maior.

Por outro lado, em caso de invalidez, incapacidade temporária, desemprego ou doença, a seguradora assume as prestações mensais do seu crédito, liquidando-as por si.

Por fim, e porque muitas vezes o seguro de crédito é essencial para a aprovação do empréstimo pessoal, a contratação deste tipo de seguros leva a uma melhoria das condições do crédito para o cliente (por exemplo, a taxa de juro poderá ser inferior).

Desvantagens

Na maioria dos casos, o prémio do seguro de crédito é único, tem de ser pago no início do contrato e pode ser financiado (aumentando o valor da dívida, se assim for). Neste último caso, o consumidor acaba por pagar juros sobre o próprio seguro. Para além disso, estes seguros de proteção ao crédito costumam ter custos muito elevados.

Ademais, embora tenha um preço elevado, o seguro de crédito tem muitas exclusões que podem acabar por não o tornar viável. Por exemplo, os trabalhadores independentes e os funcionários públicos podem estar a pagar por coberturas das quais não conseguem beneficiar.

O seguro de crédito mais simples cobre unicamente óbito e invalidez absoluta e definitiva (IAD), aumentando o valor do mesmo por cada cobertura adicional. No caso de incapacidade temporária, o seguro de crédito normalmente apenas cobre se a mesma durar mais do que um mês.

Além disso, muitos destes seguros de proteção de crédito só podem ser ativados 60 dias após a assinatura do contrato (designado período de carência). Para além disso, depois de ativada a cobertura, só poderá reativá-la meio ano depois.

Por fim, caso o seguro de crédito seja exigido pela entidade financeira para a subscrição do crédito pessoal, ser-lhe-á muito difícil conseguir desistir deste, sob pena de sofrer uma alteração das condições contratuais do empréstimo.

Compensa subscrever um seguro de crédito?

Existem bons e maus seguros, pelo que a sua subscrição vai sempre depender de caso para caso e do empréstimo em questão, daí a importância de avaliar sempre os prós e contras da sua proposta.

Por se tratar de uma análise casuística, é impossível dizer se vale ou não a pena subscrever um seguro de crédito, uma vez que este produto pode ser ideal para uma família, mas ter um custo demasiado elevado para outra.

Assim, no momento da contratualização do financiamento peça a descrição detalhada das coberturas e a indicação do prémio mensal de cada um dos seguros em apreciação. Caso a instituição disponibilize mais do que um seguro, analise as coberturas e o montante total do mesmo.

Lembre-se ainda de procurar soluções noutras seguradoras, embora tendo em mente que o seguro de crédito da instituição financeira, por norma, permite aceder a condições mais atrativas no crédito pessoal.

Deve analisar também a sua situação profissional e as suas responsabilidades. Não se esqueça igualmente das exclusões para os trabalhadores por conta própria e da função pública.

Rute Claro

Sobre Rute Claro

Formada em Gestão de Marketing, a Rute especializou-se em Comunicação, Marketing e Publicidade. Através do gosto que tem pela escrita, pretende demonstrar aos portugueses que os produtos e serviços financeiros não são um bicho de sete cabeças e que é, de facto, possível poupar.

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