Quem espera por uma queda dos preços das casas para comprar pode ter de mudar de estratégia. O Banco de Portugal antecipa um alívio na pressão sobre os preços, mas afasta uma descida dos valores. A conclusão consta do estudo sobre habitação divulgado a 15 de junho e detalhado esta semana.
A diferença é importante: o que o regulador espera é um abrandamento da subida, não uma inversão. Os preços, que mais do que duplicaram em 157 municípios desde 2017, devem continuar altos.
Porque é que a pressão vai aliviar?
A resposta está na oferta, que finalmente começou a reagir. Em 2025 concluíram-se 26.700 casas novas, acima das 25.300 de 2024 e das 23.100 de 2023. E os licenciamentos, que antecipam a construção futura, chegaram a 41.900 fogos, o nível mais alto desde 2008.
Segundo o Banco de Portugal, 2025 terá sido o ano de viragem, aquele em que a nova oferta passou a acompanhar a procura. À medida que se constroem mais casas, as pressões demográficas sobre os preços tendem a ser mitigadas.
Mas há travões que continuam
A recuperação não está garantida. O setor continua a braços com falta de mão de obra, custos elevados, baixa produtividade e licenciamentos demorados. A habitação pública representa apenas 2% do parque, uma das mais baixas da OCDE, o que deixa o mercado mais exposto às oscilações.
O que fazer se queres comprar casa
Esperar por uma descida pode não compensar. Se tens o orçamento e o financiamento alinhados, faz sentido avançar com calma e bem informado. Simula que casa podes comprar, percebe quanto dinheiro precisas para comprar casa além da entrada, e considera opções como comprar casa em construção, muitas vezes mais barata. Quando chegar a hora, compara as propostas de crédito habitação de vários bancos.
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