O que é um terreno misto e como financiar a construção?

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Escrito por:

Luís Nunes
rita sogalho

Aprovado por:

Rita Sogalho

Achas que o crédito habitação só serve para casas já construídas? Descobre o que é um terreno misto, que regras de financiamento se aplicam e como o IMT e o IMI podem variar entre a parte rústica e a parte urbana.

Garantia de construção nova
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Um terreno misto combina, na mesma parcela registada, uma componente classificada como rústica e outra como urbana. Esta dupla classificação levanta questões práticas sempre que alguém quer comprar terreno misto para construir casa: que regras fiscais se aplicam, que documentos são exigidos e se o crédito habitação cobre este tipo de aquisição. Este artigo explica-te a classificação do solo terreno misto, esclarece as regras de financiamento terreno construção e mostra o que muda ao nível de impostos.

O que é um terreno misto?

Um terreno misto é uma parcela que integra, em simultâneo, uma parte classificada como rústica e outra como urbana, cada uma sujeita a regras fiscais e urbanísticas distintas. Esta classificação resulta da aplicação do Código Civil às normas de ordenamento do território e determina, por exemplo, se é possível construir habitação numa determinada área do terreno.

A classificação de um terreno como rústico, urbano ou misto consta da Caderneta Predial e do registo de terrenos na Conservatória do Registo Predial, documentos que qualquer comprador deve consultar antes de avançar com uma proposta de compra.

Qual a diferença entre terreno rústico, urbano e misto?

Um terreno rústico destina-se, em regra, a atividades agrícolas, florestais ou pecuárias e não permite construção habitacional sem alteração prévia da classificação do solo. Um terreno urbano já está afeto a construção e dispõe normalmente de infraestruturas como rede viária, água e eletricidade. Um terreno misto reúne as duas realidades na mesma parcela, com uma fração rústica e outra urbana delimitadas no registo predial.

A nova lei dos solos trouxe alterações à forma como os municípios classificam e reclassificam terrenos, o que pode influenciar diretamente o estatuto de um terreno misto ao longo do tempo. Por isso, convém confirmar a classificação atual junto da câmara municipal antes de assumir qualquer plano de construção.

Posso obter crédito habitação para financiar um terreno misto?

Sim, é possível recorrer a crédito habitação para financiar a compra de um terreno misto e a posterior construção, através da modalidade de crédito construção. Este tipo de financiamento tende a ficar sujeito a regras mais exigentes do que o crédito para compra de casa já edificada, sobretudo ao nível do valor financiado.

Os bancos portugueses tendem a aplicar um loan-to-value mais restritivo ao financiamento de terrenos para construção do que ao crédito habitação tradicional, ainda que o valor exato possa variar consoante a instituição e o perfil de quem pede o crédito. O crédito habitação em Portugal é regulado pelo Banco de Portugal, que define regras de concessão responsável de crédito aplicáveis também ao financiamento de terrenos para construção.

Antes de avançar, pode fazer sentido usar o simulador crédito habitação para perceber que prestação corresponde ao perfil financeiro de cada família, tendo em conta a taxa de esforço recomendada. O prazo do empréstimo também pode ser condicionado pelo tipo de imóvel, dentro dos prazos máximos do crédito habitação em vigor.

Atenção

Os bancos portugueses tendem a aplicar um loan-to-value mais restritivo ao financiamento de terrenos para construção do que ao crédito habitação tradicional, ainda que o valor exato varie consoante a instituição e o perfil de quem pede o crédito.

Que documentos preciso para comprar um terreno misto?

A compra de um terreno misto exige, além dos documentos habituais de qualquer transação imobiliária, prova da classificação do solo e, quando o objetivo é construir, um projeto de construção aprovado pela câmara municipal. Sem esse projeto aprovado, dificilmente um banco financia a parte destinada à edificação. Entre os documentos mais relevantes contam-se:

  • caderneta predial atualizada, com indicação clara da fração rústica e da fração urbana

  • certidão do registo de terrenos, confirmando a titularidade e a classificação

  • projeto de construção aprovado pela câmara municipal

  • comprovativo da garantia de construção nova exigida pelo banco

  • confirmação se as obras previstas estão isentas de licenciamento, através das obras isentas de licenciamento municipal

A escolha entre comprar terreno já preparado ou apostar num projeto de raiz costuma ser ponderada com cuidado; o artigo sobre comprar ou construir casa ajuda a comparar as duas alternativas. Depois de reunida a documentação, vale a pena analisar uma proposta de crédito com atenção às condições aplicadas à parte de terreno e à parte de construção. Consoante o avanço das obras, pode ainda ser necessário legalizar construção junto da câmara municipal antes da escritura final.

Atenção

Sem um projeto de construção aprovado pela câmara municipal, dificilmente um banco financia a parte do crédito destinada à edificação num terreno misto.

Um terreno misto paga mais IMT ou IMI?

Um terreno misto pode ficar sujeito a tributação diferenciada: a fração rústica e a fração urbana são avaliadas separadamente para efeitos de IMT e IMI, consoante a respetiva afetação. Isto significa que o valor total de imposto a pagar depende da proporção entre as duas classificações dentro do mesmo terreno.

A Autoridade Tributária determina o enquadramento fiscal de cada fração com base na classificação registada, pelo que convém confirmar previamente o valor patrimonial tributário de cada parte do terreno antes de assumir compromissos financeiros. Esta verificação evita surpresas no momento da escritura e ajuda a estimar com mais rigor o custo total da operação.


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Rita Sogalho
Team Leader de Consultores Crédito Habitação