O Banco Central Europeu (BCE) escolheu as instituições que vão participar no projeto piloto do euro digital, cujo arranque está previsto para o segundo semestre de 2027. Entre 36 prestadores de serviços de pagamento selecionados na área do euro, de um total de mais de 50 candidaturas recebidas após o convite lançado em março de 2026, contam-se dois prestadores portugueses: o Banco Comercial Português, S.A. (Millennium bcp) e a Caixa Geral de Depósitos, S.A. A.
Instituições escolhidas para o piloto do euro digital
Segundo o BCE, a seleção dos 36 PSP resultou de uma avaliação cuidadosa das candidaturas recebidas na sequência do convite à manifestação de interesse. Além das duas instituições portuguesas, a lista inclui entidades de outros países da área do euro, entre as quais a neerlandesa Adyen N.V. e a lituana Revolut Bank UAB, ambas já ativas no segmento dos bancos digitais em Portugal. A lista completa dos 36 participantes pode ser consultada diretamente no site do BCE, já que apenas parte das entidades foi possível confirmar nesta análise.
O euro digital é um projeto de moeda digital de banco central promovido pelo BCE, pensado como complemento às notas e moedas físicas, e não como substituto. O anúncio das instituições participantes ganha relevância num contexto em que o BCE já tinha alertado para o impacto das criptomoedas no euro, reforçando a necessidade de uma alternativa pública digital.
Como vai funcionar o piloto do euro digital até 2027
O piloto tem duração prevista de 12 meses e serve para testar, em ambiente real, a integração do euro digital com os sistemas de pagamento já existentes. Trata-se de uma fase de preparação técnica, não de uma emissão confirmada: a moeda digital só poderá avançar depois da adoção do regulamento europeu que a vai enquadrar, esperada ainda em 2026. Só nessa altura o BCE decidirá se avança, de facto, para a emissão do euro digital.
Ao contrário das criptomoedas, cujo funcionamento explicamos em o que são criptomoedas, o euro digital seria emitido e garantido pelo BCE, com o mesmo estatuto legal do dinheiro físico. O objetivo passa por reforçar a autonomia europeia nos pagamentos digitais, num momento em que a área única de pagamentos europeus já facilita transferências entre países da União Europeia, mas continua dependente de infraestruturas privadas, muitas delas fora da Europa.
Trata-se de uma fase de preparação técnica, não de uma emissão confirmada: a moeda digital só poderá avançar depois da adoção do regulamento europeu que a vai enquadrar, esperada ainda em 2026.
O que muda para os consumidores portugueses
Para já, não muda nada de imediato. O piloto só arranca no segundo semestre de 2027 e a decisão sobre a emissão efetiva do euro digital só será tomada depois disso. Podes continuar a usar os teus meios de pagamento habituais, incluindo pagamentos digitais como o MB Way, sem qualquer alteração nas próximas etapas do processo.
A prazo, a participação de instituições como o Millennium bcp e a Caixa Geral de Depósitos pode significar que os primeiros testes com clientes portugueses cheguem através destes dois bancos. O euro digital não substitui os depósitos bancários nem afeta a segurança dos depósitos bancários que já tens hoje: seria mais um instrumento de pagamento, à disposição de quem quiser usá-lo, e não uma alteração ao sistema de garantias já existente.
Para já, não muda nada de imediato. O piloto só arranca no segundo semestre de 2027 e a decisão sobre a emissão efetiva do euro digital só será tomada depois disso.
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