Salário mínimo já vale 91% do mediano, alerta BdP

Sofia Croft

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Sofia Croft

O BdP revela que o rácio entre salário mínimo e mediano subiu para 91%. Descobre o que esta compressão salarial significa para quem trabalha em Portugal.

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O Banco de Portugal alerta, no Boletim Económico de junho de 2026, que o salário mínimo nacional representa já 91% do salário mediano em Portugal. Em 2019, esse rácio era de 87%. A compressão salarial acelerou nos últimos anos e, segundo o regulador, levanta questões sobre os incentivos dos trabalhadores e a dinâmica da produtividade no país.

A subida do ordenado mínimo em Portugal foi mais rápida do que a evolução dos salários intermédios, o que estreitou a diferença salarial em Portugal. Num contexto em que o salário mínimo e poder de compra em Portugal já figuram entre os mais modestos da Europa, o alerta do Banco de Portugal merece atenção.

Importante saber

O rácio entre o salário mínimo e o salário mediano subiu de 87% em 2019 para 91% em 2026, segundo o Boletim Económico de junho de 2026 do Banco de Portugal.

Salário mínimo a 91% do mediano: o que diz o Boletim Económico de junho de 2026?

O boletim mostra que o rácio entre o salário mínimo e o salário mediano subiu quatro pontos percentuais desde 2019, colocando Portugal entre os países europeus com maior compressão salarial. A tendência reflete os aumentos consecutivos do salário mínimo nacional, que cresceram acima da produtividade e dos salários medianos.

O Banco de Portugal sublinha que esta aproximação pode reduzir o prémio salarial para jovens diplomados e enfraquecer o retorno do investimento em formação e progressão salarial. Se o salário de quem tem qualificações se distancia pouco do mínimo, o incentivo para estudar ou especializar-se diminui.

Porque é que a compressão salarial preocupa o Banco de Portugal?

O alerta vai além da estatística. Se os ganhos associados à qualificação diminuem, o estímulo para investir em competências enfraquece. A longo prazo, este efeito pode condicionar a produtividade agregada da economia portuguesa.

O poder de compra em Portugal evoluiu de forma positiva nas últimas décadas, mas a compressão salarial pode travar essa trajetória. Para o teu dia a dia, traduz-se em menor margem de poupança. Quando o teu salário cresce pouco acima do mínimo, absorver a carga fiscal sobre o salário e os encargos fixos torna-se mais exigente.

O que posso fazer para proteger o meu poder de compra?

Uma boa forma de começar é analisar o recibo de vencimento para perceberes quanto recebes de facto. Convém confirmar se a tua retenção na fonte está ajustada ao teu escalão de IRS, usando o simulador de salário líquido.

Se ganhas perto do mínimo, podes verificar se tens direito a apoios como o abono de família ou o rendimento social de inserção. Outra opção é preparar-te para negociar aumento salarial com dados concretos do teu setor. Para perceberes o impacto de uma subida na tua remuneração líquida, podes calcular o salário líquido antes dessa conversa.


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Sofia Croft
Head of People & Culture