Comparar crédito pessoal: o que importa antes de escolher

Oney autor convidado

Escrito por:

Oney

Quando se trata de crédito pessoal, a primeira proposta que chega raramente é a melhor. Não por mal, mas porque cada instituição tem a sua estrutura de custos, os seus critérios de risco e as suas condições comerciais.

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O que parece semelhante à primeira vista pode ser muito diferente no final. O problema é que comparar crédito exige saber o que está a ler. TAEG, TAN, comissão de abertura, seguro associado, custo total do crédito: são conceitos que aparecem em todos os contratos, mas que raramente são explicados de forma simples. Este artigo faz exatamente isso.

Custos a analisar e o que significam

Antes de comparar propostas, é preciso perceber o que cada indicador mede, e por que razão alguns são mais importantes do que outros.

TAN - Taxa Anual Nominal

A TAN é a taxa de juro base aplicada ao capital em dívida. Mede apenas o custo dos juros, sem incluir qualquer outro encargo. Por isso, usar a TAN como critério de comparação isolado dá uma imagem incompleta e pode levar a escolhas desfavoráveis.

O que inclui: juros sobre o capital.

O que não inclui: comissões, seguros, impostos e outros encargos.

TAEG - Taxa Anual de Encargos Efetiva Global

A TAEG é o indicador mais completo para comparar créditos. Inclui todos os encargos obrigatórios associados ao contrato: juros, comissões de abertura e de gestão, seguros exigidos pelo mutuante e imposto de selo. Permite comparar propostas de diferentes instituições em condições equivalentes.

O que inclui: tudo o que o crédito vai custar, expresso em termos anuais.

Regra prática:

Quando compara duas propostas, a que tem a TAEG mais baixa é a mais barata, desde que o prazo e o montante sejam iguais.

MTIC - Montante Imputado ao Consumidor

O Montante Total Imputado ao Consumidor é o valor total que vai pagar durante todo o prazo do empréstimo. Soma o montante total emprestado com o custo total do crédito (juros, comissões, despesas, impostos e encargos ligados ao contrato de crédito, incluindo os prémios de seguro obrigatórios). É o número que responde à pergunta mais direta: quanto é que vou pagar no final do contrato?

Fórmula simplificada:

MTIC = Montante financiado + Custos do Crédito

Comissão de abertura

Cobrada no início do contrato, também chamada de comissão de dossier ou de estudo, pela preparação e análise do crédito. Pode ser um valor fixo ou uma percentagem do capital. Entra no cálculo da TAEG, mas é útil identificá-la separadamente porque tem impacto imediato, antes de pagar a primeira prestação.

Seguro associado

Existem dois tipos de seguros no crédito pessoal. O seguro de proteção ao crédito, que cobre o pagamento das prestações em caso de desemprego ou incapacidade, é exigido por algumas instituições como condição de aprovação. O seguro de vida pode também ser associado. Quando são obrigatórios, entram no cálculo da TAEG. Quando são opcionais, podem não constar.

Prazo

O prazo determina o número de prestações e tem impacto direto em dois sentidos opostos: um prazo mais longo reduz a prestação mensal, mas aumenta o custo total do crédito, porque os juros acumulam durante mais tempo. Um prazo mais curto aumenta a prestação mensal, mas reduz o custo total.

A escolha do prazo deve equilibrar a prestação que cabe no seu orçamento com o custo total que está disposto a suportar.

Exemplos reais de comparação

Exemplo do Henrique: a armadilha da prestação mais baixa

O Henrique quer financiar 5.000 euros para remodelar a casa de banho. Recebe três propostas.

Proposta 1Proposta 2Proposta 3
Capital financiado5.000€5.000€5.000€
TAN8,90%11,50%7,20%
TAEG12,2%15,28%14,2%
Prazo18 meses18 meses24 meses
Comissão de abertura e IS0€0€195€
Prestação mensal298,58€304,82€224,97€
Custo total do crédito5.461,08€5.574,76€5.682,30€

À primeira vista, a proposta 3 tem a prestação mais baixa. Mas tem o custo total mais elevado: mais de 682,30 euros acima do capital, contra 461,08 euros na Proposta 1. A razão está na combinação de prazo mais longo e comissão de abertura, que não são visíveis na prestação, mas são capturados pela TAEG.

Conclusão: a proposta 1 é a mais vantajosa para o Henrique. A TAN mais baixa da proposta 3 acaba por se revelar mais onerosa porque não reflete os restantes encargos.

Exemplo da Inês: o impacto do prazo no custo total

A Inês quer financiar 3.000 euros e recebe uma proposta com TAEG de 10,5%. O que muda consoante o prazo escolhido?

PrazoPrestação mensalCusto total do crédito
24 meses138,90€333,60€
36 meses97,50€510€
48 meses76,80€686,40€
60 meses64,40€864€

A diferença entre 24 e 60 meses é de 74,50 euros por mês na prestação, mas isso totaliza 530,40 euros no custo total. Cada mês adicional tem um custo que não é imediatamente visível quando se olha apenas para a prestação. Agora a Inês tem de ver qual é o valor que a sua disponibilidade financeira permite pagar todos os meses.

Atenção:

Não existe um prazo certo para toda a gente. O prazo ideal é aquele que equilibra uma prestação que cabe no orçamento com um custo total que considera razoável para o que está a financiar.

Erros frequentes ao escolher crédito pessoal

1. Comparar apenas a prestação mensal

É o erro mais comum. A prestação é o número mais visível. Dois créditos com a mesma prestação podem ter custos totais muito diferentes.

2. Usar a TAN para comparar propostas

A TAN mede apenas os juros. Ignora comissões, seguros e outros encargos. É um dado útil para entender a componente de juro, mas não serve como critério de comparação entre instituições.

3. Escolher o prazo mais longo por defeito

Um prazo mais longo reduz a pressão mensal, mas aumenta o custo total. Estender o prazo sem necessidade é pagar mais pelo mesmo dinheiro. A escolha do prazo deve ser ativa, não automática.

4. Não verificar se o seguro é obrigatório ou opcional

Alguns seguros associados ao crédito são exigidos pela instituição mutuante como condição de aprovação. Outros são sugeridos, mas facultativos. A distinção tem impacto no custo real, nomeadamente na TAEG e na possibilidade de recusar sem perder o crédito.

5. Avançar com a primeira proposta

Pedir apenas uma proposta elimina a possibilidade de comparação. As diferenças de TAEG entre instituições para o mesmo perfil de cliente e o mesmo montante podem representar centenas de euros ao longo do prazo. Comparar pelo menos duas ou três propostas é o passo mais simples para tomar uma decisão mais favorável.

6. Não ler a Ficha de Informação Normalizada (FIN)

Antes de assinar qualquer contrato de crédito, a instituição mutuante é obrigada a disponibilizar a Ficha de Informação Normalizada. Este documento apresenta todas as condições do crédito num formato estandardizado, o que facilita a comparação entre propostas. Ignorá-la é abdicar da informação mais clara e completa disponível.

A FIN é elaborada pelas instituições de crédito e tem de ser disponibilizada aos clientes mesmo quando exista intervenção de um intermediário de crédito.

Se já tem as propostas em mãos e quer explorar mais uma opção antes de decidir, existem soluções de crédito pessoal, como as do Oney, que pode analisar e comparar.

Guia rápido para comparar opções

Um processo de comparação não precisa de ser complexo. Estes são os passos essenciais para fazer uma escolha informada.

Passo 1. Defina o montante e o prazo de partida

Antes de pedir qualquer proposta, decida o intervalo de prestação mensal que cabe no seu orçamento sem comprometer o essencial. Isso orienta a escolha do prazo e evita que o processo de comparação comece pelo lado errado.

Passo 2. Peça pelo menos duas ou três propostas

Com o mesmo montante e prazo em todas elas, para garantir que a comparação é feita em condições equivalentes. Propostas com prazos diferentes não são comparáveis diretamente.

Passo 3. Compare pela TAEG, não pela TAN nem pela prestação

A TAEG é o único indicador que reflete o custo real total do crédito em termos anuais. É o número que deve colocar lado a lado.

Passo 4. Verifique o custo total do crédito

Além da TAEG, confirme o valor absoluto que vai pagar acima do capital. É a forma mais direta de perceber o impacto financeiro real de cada proposta.

Passo 5. Identifique comissões e seguros

Leia a Ficha de Informação Normalizada de cada proposta e confirme: existe comissão de abertura? Existe comissão de gestão mensal? O seguro é obrigatório ou facultativo? Estes elementos estão na TAEG, mas identificá-los separadamente ajuda a perceber onde estão as diferenças entre propostas.

Passo 6. Simule o impacto no seu orçamento

Com a prestação mensal definida, calcule a taxa de esforço resultante. O total de prestações de crédito não deve ultrapassar 45% do rendimento líquido mensal.

Passo 7. Decida com base no conjunto, não num único indicador

A melhor proposta é aquela que tem a TAEG mais baixa, o custo total mais adequado e uma prestação que cabe confortavelmente no orçamento durante todo o prazo. Nenhum destes critérios funciona isolado. É importante que diga à instituição financeira qual a finalidade do crédito que pretende contrair, pois existem diversos tipos de crédito aos consumidores que têm diferentes caraterísticas e custos associados e que devem ir ao encontro dos seus interesses.

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Oney
Especialista em crédito pessoal