Ficámos a saber esta semana até onde chegou o estrago. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, revelou que, depois da tempestade Kristin, o Sul de Portugal teve de ser abastecido com eletricidade vinda de Espanha. A razão é simples: a ligação de muito alta tensão entre o Norte e o Sul do país ficou profundamente danificada e, como a maior parte da produção nacional está no Norte, o Sul ficou sem forma de receber essa energia pela rede interna.
A Kristin atravessou Portugal a 28 de janeiro de 2026 com ventos superiores a 220 quilómetros por hora, com a força de um ciclone-bomba. Foi uma das tempestades mais violentas de que há memória a entrar em território nacional.
O que falhou na rede elétrica?
Os danos foram enormes. Segundo a REN, a empresa que gere a rede de transporte, a tempestade deixou cerca de 774 quilómetros de linhas de muito alta tensão fora de serviço, o equivalente a 7% de toda a rede de transporte de eletricidade do país, e derrubou 61 torres de muito alta tensão.
A isto somou-se o caos na rede de distribuição, a que leva a energia até tua casa, que chegou a deixar cerca de 450 mil clientes sem luz. Para perceberes melhor a diferença entre a rede e o que pagas por ela, vê o que são as tarifas de acesso às redes, uma das componentes da tua fatura.
Porque é que tivemos de recorrer a Espanha?
Portugal e Espanha fazem parte do mesmo mercado ibérico de eletricidade e estão ligados por várias interligações. Em situações normais, essa ligação serve para importar e exportar energia conforme os preços e a produção de cada país. Num cenário extremo como o da Kristin, foi essa ligação que permitiu manter o Sul abastecido enquanto a rede interna estava em baixo.
Na prática, a solidariedade entre os dois sistemas funcionou como uma rede de segurança. Mostra também a importância das interligações para a resiliência do abastecimento, sobretudo num país em que a produção está geograficamente concentrada.
O que está a ser feito para evitar que se repita?
A resposta já começou. A E-Redes, responsável pela distribuição, está a reconstruir as infraestruturas afetadas e, em alguns troços, a enterrar as linhas derrubadas e a mudar o seu traçado, de forma a tornar a rede mais resistente a fenómenos extremos. É um trabalho que demora e que tem custos, mas que visa reduzir o risco de novos cortes prolongados.
O que é que eu controlo na minha fatura?
A rede de transporte e distribuição não está nas tuas mãos, mas há decisões que continuam a depender de ti e que pesam na conta ao fim do mês. Vale a pena rever:
A potência contratada. Se for mais alta do que precisas, estás a pagar a mais todos os dias, faça sol ou tempestade.
O fornecedor e a tarifa. Compara periodicamente as ofertas, porque os preços mudam, e percebe se te compensa mudar de fornecedor de eletricidade.
A opção tarifária. Conforme o teu perfil de consumo, podes ter vantagem em escolher um fornecedor de eletricidade com uma tarifa mais adequada.
Não consegues controlar o tempo nem a robustez da rede, mas podes garantir que não pagas mais do que o necessário.
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