FMI alerta: guerra pode deixar marcas na economia

Susana Pedro

Escrito por:

Susana Pedro

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional alerta que a guerra no Médio Oriente pode deixar efeitos duradouros na economia global. Mesmo que o conflito termine em breve, o impacto no crescimento, na inflação e nos mercados pode prolongar-se durante anos.

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Não é um aviso leve. A líder do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, diz que a guerra no Médio Oriente pode deixar “cicatrizes permanentes” na economia mundial — mesmo que haja paz nos próximos meses.

A ideia é simples, mas pesada: há danos que não se apagam quando os combates param.

Energia, preços e confiança: tudo a mexer ao mesmo tempo

O impacto já se está a sentir em vários lados ao mesmo tempo. Por um lado, há choques na energia. Petróleo e gás sobem, arrastam custos e criam pressão na inflação. Por outro, surgem falhas nas cadeias de abastecimento e, talvez mais importante, quebra de confiança nos mercados.

E quando a confiança desaparece o investimento abranda, as empresas esperam e os consumidores travam. É aquele efeito em cadeia que não se vê logo, mas vai ficando.

Crescimento mais fraco, mesmo com paz

Há um ponto curioso e um pouco contraintuitivo. Mesmo no melhor cenário, com o conflito controlado e a ser resolvido nos próximos meses, o crescimento global deverá abrandar. O próprio FMI admite rever em baixa as previsões económicas.

Guerras deixam marcas durante anos

Aliás, isto não é novo. O FMI já tinha alertado que os conflitos armados tendem a provocar perdas económicas mais profundas e duradouras do que crises financeiras.

Em alguns casos, os efeitos arrastam-se durante mais de uma década: inflação mais alta, dívida pública a crescer, investimento a cair.

E o impacto acaba por chegar a todos

No fundo, o que está em causa não é só geopolítica distante. Pode traduzir-se em coisas bem concretas:

  • energia mais cara;

  • viagens mais caras;

  • crescimento económico mais lento;

  • maior pressão sobre salários e custo de vida.

E há ainda um risco adicional: países mais frágeis podem ser os mais afetados, com impacto até na segurança alimentar.

Há uma frase que resume bem este momento: não há regresso limpo ao passado. Mesmo que o conflito abrande, o impacto já começou. E parte dele fica. Talvez não se note tudo de imediato, mas, pouco a pouco, vai aparecendo, seja nos preços, no crescimento, nas decisões das empresas.


Susana Pedro
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