O preço do gás natural tem ficado mais caro em toda a Europa e Portugal não é exceção. Perante este cenário, o Governo decidiu abrir o acesso ao mercado regulado, até então fechado por Lei, com o objetivo de aliviar a carteira dos consumidores. Mas será que esta mudança compensa? Afinal, qual vale mais a pena para o gás: mercado livre ou regulado?
Mercado livre ou regulado: o que são e como funcionam?
O mercado livre e o mercado regulado diferem entre si quanto à entidade que define os preços finais que são praticados.
As comercializadoras do mercado livre podem praticar os preços que desejarem, regendo-se pelas regras da concorrência. Cada empresa tenta obter as melhores condições e a melhor qualidade de serviço para angariar mais clientes.
Por outro lado, as comercializadoras do mercado regulado não têm autonomia para decidir os preços que praticam, e encontram-se sujeitas aos valores definidos pelo Governo, através da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE). Esta entidade define e revê trimestralmente as tarifas.
O mercado regulado do gás natural tem estado fechado pelo Governo e, até agora, apenas os consumidores que beneficiassem da tarifa social ou cujo fornecedor de gás natural tivesse cessado o serviço eram elegíveis. Com o anúncio dos aumentos do preço do gás natural, o Governo decidiu alargar o acesso ao mercado regulado a todos os clientes do mercado livre. Para isso, basta que tenham consumos anuais de gás natural inferiores a 10 mil metros cúbicos, incluindo famílias e pequenos negócios.
O processo de transição é simples: deves contactar diretamente o Comercializador de Último Recurso (CUR) da tua zona geográfica (que poderás consultar no site da ERSE), que tratará da mudança. A transição não tem qualquer custo para o consumidor, não obriga a nova inspeção, e não requer a interrupção do fornecimento de gás natural.
Mercado livre e regulado: como decidir?
Vale a pena mudar para o mercado regulado? Aqui estão alguns critérios a teres em conta na hora de decidir.
Preço do gás natural
A tarifa regulada mantém-se competitiva para muitos perfis de consumo doméstico, sobretudo consumos reduzidos, mas é atualizada uma vez por ano e sobe 6,4% em outubro de 2026. Compara sempre com as ofertas do mercado livre antes de decidir. No entanto, esta opção não garante a manutenção dessas mesmas tarifas, podendo ser alteradas a cada 3 meses durante um ano. Isto significa que, neste momento, o mercado regulado é a melhor opção para a maioria das pessoas, mas isto pode não ser verdade daqui a alguns meses.
Estabilidade no preço do gás natural
Com a instabilidade do mercado energético, e sendo que o mercado regulado prevê uma atualização de preços de 3 em 3 meses, a opção com maior estabilidade passa por escolher uma comercializadora do mercado livre que garanta valores baixos durante 12 meses. Desta forma, apesar de toda a incerteza, é a solução que te oferece maior conforto, sabendo que não vais sofrer aumentos por parte da comercializadora.
O mercado regulado de gás tem fim previsto a 31 de dezembro de 2027, prazo fixado pela Portaria n.º 121-B/2025
Fidelização
Uma das grandes vantagens do mercado livre é o facto de se reger pela lei da concorrência, o que faz com que as comercializadoras procurem permanentemente oferecer condições mais vantajosas.
No mercado livre, não existe fidelização e os clientes têm toda a liberdade para mudar, sem qualquer custo. O mesmo acontece com o mercado regulado (não existe fidelização).
Consumo
Para saber se compensa voltares ao mercado regulado, é importante que conheças o teu consumo real de gás natural. Consulta a tua fatura de energia, procura o preço por kWh de energia e o valor do termo fixo.
Com estes dados em mente, comparar várias tarifas de energia é essencial para fazer uma escolha informada e acertada.
Tarifas reguladas de gás: o que muda em outubro de 2026
A ERSE fixa as tarifas reguladas de gás natural uma vez por ano, para o ano gás, que decorre entre 1 de outubro e 30 de setembro. No ano gás 2025-2026, ainda em vigor, a subida média foi de 1,5%.
Para o ano gás 2026-2027, a ERSE aprovou a 1 de junho de 2026 um aumento médio de 6,4% na tarifa regulada (Diretiva n.º 2/2026). A proposta inicial, de março, apontava para 6,3%, mas o regulador reviu o valor em alta devido aos custos de aquisição do gás nos mercados internacionais.
Na prática, segundo as contas da ERSE:
um casal sem filhos paga mais 0,91 euros por mês, com uma fatura estimada de 17,38 euros;
um casal com dois filhos paga mais 1,62 euros por mês, com uma fatura estimada de 32,53 euros.
O aumento abrange os cerca de 437 mil clientes que permanecem no mercado regulado e reflete também o peso crescente das tarifas de acesso às redes, diluídas por cada vez menos consumidores de gás. Mesmo com a subida, a tarifa regulada continua competitiva face a muitas ofertas do mercado livre, sobretudo para quem usa gás apenas na cozinha ou em consumos reduzidos. Antes de decidir, compara com as tarifas de gás natural disponíveis no mercado livre e acompanha a evolução dos preços na nossa análise de mercado de energia.
Como voltar ao mercado regulado de gás em 2026
Sim, ainda podes aderir ou voltar à tarifa regulada. A Portaria n.º 121-B/2025, de 20 de março, prorrogou o fornecimento em mercado regulado até 31 de dezembro de 2027. Até lá, qualquer cliente com consumo anual até 10.000 metros cúbicos pode fazer a mudança. O processo tem três passos:
1. Identifica o comercializador de último recurso (CUR) da tua zona. Existem 11 CUR regionais em Portugal, entre eles a SU Gás, a Lisboagás, a Setgás e a Tagusgás.
2. Faz o pedido no site do CUR ou num balcão de atendimento. Vais precisar do CUI (Código Universal de Instalação), que encontras na fatura, de um documento de identificação e do IBAN para débito direto.
3. Aguarda a conclusão, que pode demorar até três semanas. A mudança é gratuita, sem fidelização e sem interrupção do fornecimento.
A mudança inversa, do regulado para o mercado livre, também não tem custos. E podes separar os serviços: gás na tarifa regulada e luz no mercado livre, ou vice-versa. Se tens dúvidas sobre a eletricidade, vê o nosso artigo sobre o mercado regulado de eletricidade.
Se preferires falar com alguém, a nossa equipa de energia ajuda-te a comparar as opções: 211 165 765, de segunda a sexta, das 10h às 19h.
Quanto sobe o gás natural em outubro de 2026?
A ERSE aprovou um aumento médio de 6,4% na tarifa regulada de gás natural para o ano gás 2026-2027, em vigor de 1 de outubro de 2026 a 30 de setembro de 2027. Para um casal sem filhos, são mais 0,91 euros por mês; para uma família com dois filhos, mais 1,62 euros por mês, segundo as estimativas do regulador.
Até quando existe o mercado regulado de gás natural?
O prazo legal em vigor é 31 de dezembro de 2027, fixado pela Portaria n.º 121-B/2025. Até essa data, os clientes com consumos anuais até 10.000 metros cúbicos podem entrar e sair da tarifa regulada sem custos nem fidelização. Depois disso, o Governo pode prorrogar novamente o prazo ou concluir a transição para o mercado livre.
Veredito: mudar ou não mudar?
Não há uma resposta universal para todos os consumidores. O que determina a melhor opção entre o mercado livre e o regulado são os tarifários negociados com cada comercializador e os eventuais descontos a que tenhas acesso.
Contudo, se os preços se mantiverem, a melhor opção poderá ser separar o serviço de gás natural da eletricidade; ou seja, ter o gás natural no mercado regulado e a eletricidade no mercado livre. Para manter os dois serviços na mesma comercializadora, terás de optar pelo mercado livre. Não deixes de simular e comparar, para conseguir poupar.
:quality(80))
:quality(80))
:quality(50))
:quality(50))
:quality(50))
:quality(80))