10 Dicas para quem vai comprar a primeira casa

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Para muitas pessoas, comprar uma habitação é um objetivo de vida. E para quem vai adquirir a sua primeira casa, nada é mais emocionante do que ter finalmente a chave na mão e a sensação de objetivo atingido. Já se imagina naquela varanda a lanchar aos fins de semana ou já está a pensar na decoração da sala? Este artigo é para si.

Esta é uma decisão que, acima de tudo, deve ser bem ponderada. Não se precipite, leve o tempo que precisar e adote uma estratégia financeira a pensar na forma como irá pagar a sua primeira casa, pois, se não estiver bem preparado, este encargo pode asfixiar as suas finanças nos anos que se seguem.

  1. Timing para a compra de casa

Os preços das casas aumentam, caem e são influenciados por diversos fatores aliados à lei da oferta e da procura e ao próprio contexto económico. Escolher a melhor altura para comprar a primeira casa é algo que está intrinsecamente relacionado com os custos do crédito à habitação.

Tendo em conta que a EURIBOR se encontra atualmente em mínimos históricos, financiar uma habitação é agora mais acessível. Nestas alturas em que as taxas estão apelativas – a juntar a reduções do spread dos bancos – é sempre uma boa oportunidade.

  1. Fazer planos a longo prazo

Muito provavelmente, a primeira casa que comprar é para viver (e não para passar férias ou arrendar, por exemplo), mas será que pensou realmente no longo prazo? Coloque a hipótese de um dia mais tarde desejar vender a habitação. Se tal suceder, note que a localização terá um grande impacto não apenas no valor que irá ganhar com a venda, mas também com a facilidade em encontrar potenciais compradores.

Não obstante, note que os imóveis mais bem localizados pagam mais de IMI. Para ficar a par deste valor na zona onde pretende adquirir a primeira casa, consulte o coeficiente de localização do IMI junto das Finanças, que é uma das parcelas do cálculo do valor fiscal dos prédios. Fatores como boas acessibilidades, proximidade de escolas, comércio, serviços públicos, transportes e construção em zonas de elevado valor de mercado imobiliário influenciam naturalmente esse valor.

Portanto, trata-se do custo de oportunidade entre escolher uma melhor localização e tirar possíveis proveitos disso no futuro ou pagar menos.

  1. O tamanho importa

Uma mansão pode ser o lar dos seus sonhos, certo, mas quanto maior é a casa, maiores são os custos com a manutenção, aquecimento no inverno e ainda no que diz respeito aos impostos que lhe estão associados.

Quando confrontado com uma escolha entre habitações com preços semelhantes, em que uma delas é abençoada com mais uns metros quadrados, é tentador escolher a maior e, na maioria dos casos, essa é uma jogada inteligente. Porém, uma propriedade grande pode pesar no seu orçamento mensal e desequilibrar as suas despesas.

  1. Comprar a primeira casa para arrendar será uma boa opção?

Se os seus planos passarem por eventualmente vir a arrendar a casa que comprou, o melhor é, no momento da pesquisa, elaborar um pequeno estudo de mercado sobre as zonas onde são mais procuradas casas para arrendar.

Pode sempre liquidar um segundo crédito à habitação com o montante que cobra no arrendamento da primeira casa, mas este tipo de empréstimo (para segunda propriedade) terá sempre condições diferentes do primeiro.

  1. Programas de apoio à habitação

Atualmente são mais os programas de incentivo ao arrendamento do que à compra de habitação, começando, nomeadamente, pelo Programa Porta 65, destinado a jovens até aos 30 anos de idade e com baixos rendimentos. Em termos processuais, é dada uma percentagem da renda aos candidatos aprovados, pelo período de 12 meses, renovável até atingir os 36 meses.

  1. No financiamento, não facilite: compare ao máximo

A instituição escolhida pela maioria das pessoas que compra casa é normalmente aquela com a qual têm relação há algum tempo (especialmente se for há muitos anos). Mas com tantos bancos em Portugal a disponibilizar crédito à habitação, pode poupar imenso dinheiro no pagamento de juros, de seguros e de comissões só por comparar diversas soluções do mercado e escolher a que é, na verdade, melhor para si:

Na hora de equiparar as diversas simulações, é preciso ter atenção a vários elementos: para além da TAEG e do montante total imputado, também há que contar com o spread e a prestação mensal. A oferta do mercado pode variar bastante.

Exemplificando, para um empréstimo de 150 mil euros a 15 anos e com uma percentagem de financiamento de 80%, o Bankinter disponibiliza uma TAE de 1,94% e o ABanca de 1,95%, que são das mais acessíveis do mercado. Já ao nível dos spreads, o Banco CTT também se encontra atualmente com soluções interessantes.

  1. Oscilações das taxas de juro

É impossível prever o futuro e, como tal, mesmo que neste momento a EURIBOR esteja em mínimos históricos, 20 ou 30 anos de um crédito à habitação é muito tempo para estar com conjeturas acerca de eventuais subidas ou descidas. A única forma de se precaver disto é escolher um empréstimo com taxa fixa – assim saberá sempre com o que conta. Não obstante, quando a EURIBOR está em queda, também a sua prestação está.

  1. Construa um fundo de emergência

Porque é que isto é importante? Simples. Imagine que perde, de forma repentina, a sua fonte de rendimento principal (seja por uma situação de desemprego involuntário ou por outro motivo qualquer). Para poder fazer face a esta alteração de circunstâncias nos primeiros tempos, é crucial ter dinheiro de parte para emergências e que idealmente dê para cobrir as prestações mensais do empréstimo da casa.

  1. Dar de caras com a primeira casa: pondere arranjar uma agência

Pode fazer o trabalho todo sozinho e explorar por sua própria conta e risco, mas desfrutar da ajuda de uma agência pode aliviar muito do stress associado ao processo.

Um agente que trabalhe para si pode guiá-lo e aconselhá-lo em diversos aspetos fulcrais: localização, preço, estado do imóvel, que tipos de serviços estão próximos e previsões quanto à valorização da casa no futuro… O nosso conselho é encontrar alguém experiente e em quem possa confiar; peça referências a amigos e colegas.

  1. Orçamento para custos adicionais

Ponto principal: keep calm. É fácil entrar em êxtase e deixar-se levar pelas naturais emoções de quem adquire a primeira casa. Analise tudo cuidadosamente, aprenda o que puder e pondere todas as alternativas, principalmente no que toca ao crédito à habitação, pois vai ter de suportar este encargo durante muitos anos. Ter as ideias clarificadas e uma boa dose de paciência ajuda a tomar melhores decisões de compra e a beneficiar das mesmas no longo prazo.

Como é de esperar, pode estar demasiado concentrado no preço da propriedade e esquecer-se de outros custos relacionados com a compra da casa, tais como impostos e comissões associadas ao crédito à habitação.

Se já se encontra capaz de fazer um check em todas estas dicas, então está literalmente habilitado a comprar a sua primeira casa.

Nair Dos Santos

Sobre Nair Dos Santos

Especializada em Economia Internacional, a Nair iniciou o seu percurso profissional em Marketing Institucional. Alia a sua criatividade ao universo financeiro com o objetivo de ajudar os portugueses a melhorar a sua literacia financeira e contribuir para o desenvolvimento de uma economia sustentável.