Consolidar créditos: tenha atenção aos juros

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Após as férias de verão e antes do Natal é essencial colocar as suas contas em ordem. Já pensou em consolidar créditos ou ainda não conhece esta solução? Neste artigo explicamos-lhe para que serve um crédito consolidado e em que medida pode ser benéfico. Mas nem tudo é um mar de rosas: consolidar pode significar pagar uma fatura mais elevada no fim do empréstimo.

Apesar de a consolidação de créditos permitir um alívio no orçamento mensal, existem alguns aspetos que deve ter em consideração antes de decidir optar por esta solução, tais como o aumento dos juros, despesas de comissões e penalizações por reembolso antecipado.

Porquê consolidar créditos?

A consolidação de créditos pode ser uma boa solução para quem se encontra perante uma situação de dificuldade em pagar as prestações de créditos.

Ao consolidar créditos está a juntar todos os empréstimos num só, pagando apenas uma mensalidade que fica mais reduzida devido ao aumento da duração do prazo de pagamento e que, naturalmente, representará um desafogo no seu orçamento mensal.

 

Em que situação deve pedir uma consolidação de créditos?

Consolidar créditos é, por norma, uma alternativa à qual recorre quem pretende desafogar a sua taxa de esforço ou simplesmente, por questões de praticidade, prefere agregar todos os créditos num só para ter apenas uma prestação com que se preocupar.

A consolidação de créditos deve ser uma medida a ponderar antes de se encontrar em situação de sobreendividamento. Assim que vir que está a pressionar demasiado a sua taxa de esforço e está com dificuldades em fazer face às suas despesas, deve começar a pensar em soluções para combater essa situação.

O caso da Joana e do Afonso

A Joana e o Afonso estão a pagar uma prestação de crédito habitação de 531 euros por mês, que já pagam há 10 anos. Para além dessa mensalidade, têm ainda a prestação do carro, contraída há dois anos, no valor de 303,09 euros. Para comemorar os seus cinco anos de casados, decidiram fazer uma viagem mais ambiciosa no verão e, para o efeito, pediram um crédito pessoal para férias no valor de 3 mil euros, cujas prestações mensais são de 137,35 euros.

O casal percebeu que esta última prestação veio pressionar demasiado a sua taxa de esforço, começando a ter algumas dificuldades em gerir o orçamento familiar.

A totalidade das despesas mensais para pagar os créditos é de 971,44 euros e, uma vez que o rendimento líquido do agregado é de 1.900 euros, a sua taxa de esforço situa-se em torno dos 51%, sendo que, idealmente, não deveria ultrapassar os 33%.

Começaram à procura de soluções para gerirem melhor a situação e consolidar créditos pareceu-lhes a alternativa mais adequada. Desta forma, exploraram toda a oferta que as instituições financeiras têm para crédito consolidado, averiguando os prós e contras que este tipo de empréstimo acarreta e se é realmente benéfico nesta situação.

Após efetuarem a comparação de crédito consolidado, o Afonso e a Joana concluíram que, se optassem por uma consolidação total de créditos, conseguiriam reduzir as suas despesas mensais com os empréstimos de 971,44 euros para uma única prestação no valor de 721,41 euros durante 20 anos (período em falta para o pagamento do empréstimo da casa).

À primeira vista, parece uma redução bastante apelativa. O casal iria desafogar a sua taxa de esforço, reduzindo-a para 38%, e diminuir os seus encargos mensais em 250 euros. No entanto, será esta uma decisão compensatória a longo prazo? Vejamos.

Até que ponto compensa consolidar créditos?

No caso da Joana e do Afonso, ao optarem por consolidar créditos na totalidade, as prestações do carro e das férias seriam agregadas à do crédito habitação, aumentando assim o prazo de pagamento das mesmas, o que permitiria que a prestação mensal baixasse.

A curto prazo esta é uma situação viável, uma vez que daria ao casal o desafogo que este procura. No entanto, com o aumento do prazo de pagamento, os juros do crédito iriam aumentar, fazendo com que o custo total do mesmo ficasse mais elevado e assim o casal acabaria por, a longo prazo, pagar mais pelo crédito consolidado do que se continuasse a pagar as prestações em separado.

Custos antes de consolidar créditos
Prestação mensal 971,44€
Custo total do crédito 212.749,46€
Custos depois de consolidar créditos
Prestação mensal 721,41€
Custo total do crédito 226.035,33€

Como podemos verificar, se a Joana e o Afonso optarem pela consolidação de créditos acabarão por ter uma despesa total, no fim do pagamento do empréstimo, de 226.035,33 euros, ou seja, vão pagar mais 13.285,87 euros do que pagariam se se mantivessem a pagar os empréstimos separadamente.

Podemos analisar a consolidação de créditos de duas perspetivas: a curto prazo, pois, mediante uma situação de maior dificuldade em fazer face às despesas, é uma alternativa eficaz, no sentido em que permite um alívio substancial no orçamento mensal.

Por outro lado, se analisarmos a longo prazo, pode correr-se o risco de se perder uma quantia avultada de dinheiro devido ao aumento do prazo de pagamento e, consequentemente, dos juros a pagar pelo crédito.

Desta forma, é bastante importante que, antes de efetuar esta decisão, compare todas as soluções das instituições financeiras para consolidar créditos, faça todas as contas e, se necessário, recorra a apoio especializado para que lhe sejam esclarecidas todas as dúvidas.

Que outras opções existem para reduzir a taxa de esforço?

#1 – Transferir crédito

Se após obter todas as propostas de crédito consolidado verificar que nenhuma é realmente vantajosa, pode transferir o seu crédito para outra instituição, mas apenas se se tratar de crédito habitação. Normalmente quando passa este empréstimo para outro banco com melhores condições, consegue poupar muitos euros no seu custo total.

Uma vez que a EURIBOR continua em valores negativos e os spreads são cada vez mais competitivos, esta solução pode levar à diminuição da taxa de juro do seu financiamento.

No entanto, antes de optar por esta solução, não deixe de averiguar eventuais comissões que possa ter de pagar para identificar se realmente é uma opção compensatória.

#2 – Renegociar as condições do empréstimo

Outra forma de reduzir a sua taxa de esforço pode passar por tentar renegociar os créditos que tem diretamente com o seu banco. Em certos casos, as instituições financeiras podem ser flexíveis e alargar prazos de pagamento ou até rever as taxas de juro.

#3 – Arranjar forma de ganhar dinheiro extra

Caso não pretenda recorrer a nenhuma destas medidas logo numa primeira instância, pode tentar encontrar formas de complementar o seu rendimento, como, por exemplo, com um part-time ou um tipo de trabalho independente.

Aproveite algum hobby que tenha para iniciar um negócio que possa fazer em horário pós-laboral e, desta forma, gerar uma fonte de rendimento extra para lhe trazer alguma flexibilidade financeira e proporcionar uma melhor gestão do orçamento familiar.

Anaísa Gonçalves

Sobre Anaísa Gonçalves

Anaísa Gonçalves, formada em Comunicação Social e Jornalismo, é apaixonada pela escrita desde criança. É esta a paixão que a inspira a escrever e educar os portugueses para um conhecimento financeiro mais rico e contribuir para que façam as escolhas adequadas.

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