Período de carência: como pagar uma prestação mais baixa?

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período de carência

Começou recentemente um novo emprego e vai mudar de casa. No entanto, nesta fase da vida ainda por estabilizar gostaria de ter uma prestação mensal do crédito habitação mais baixa para não comprometer a sua taxa de esforço? Há uma solução a ponderar: o recurso à modalidade de carência de capital. Fique a par.

O conceito de período de carência aparece muitas vezes associado a seguros, mas, na realidade, também se encontra relacionado com créditos. Embora seja uma solução viável para pagar uma prestação mensal mais baixa no período inicial de um empréstimo bancário, a verdade é que também tem as suas desvantagens.

O que é o período de carência num empréstimo?

O período de carência num crédito pessoal ou num crédito habitação consiste numa modalidade de reembolso que permite que o devedor pague uma prestação menor no início do empréstimo, uma vez que, durante algum tempo, estará apenas a reembolsar os juros, não estando a amortizar capital em dívida.

Desta forma, enquanto a carência de capital está “ativa”, paga-se uma menor prestação. Por norma, o período de carência aplica-se entre seis a 12 meses.

O que é o período de carência quando se trata de seguros?

Quando se fala de seguros, o conceito de período de carência diz respeito ao período de tempo durante o qual, após fazer o seguro, o segurado não poderá acioná-lo. Por exemplo, isto aplica-se muitas vezes à cobertura de parto incluída nos seguros de saúde, estipulando-se que esta proteção não pode ser usada durante um determinado número de meses (que pode ir de nove a 12, neste caso específico).

Exemplo de redução da prestação mensal

Tomemos como exemplo a situação da Susana, que vai solicitar um crédito habitação com taxa variável, no valor de 150 mil euros a 30 anos, para adquirir um apartamento no Seixal, com um período de carência de capital de 12 meses.

Uma vez que lhe daria jeito pagar inicialmente um valor mais baixo na prestação, pois está a passar por uma fase em que possui muitas despesas, a Susana decidiu optar por solicitar um período de carência para o seu empréstimo.

Assumindo que a TAEG deste empréstimo seria de 3,13% e com um spread de 1,95%, durante o período de carência de capital a Susana pagaria 368,50 euros de prestação mensal, ao passo que, terminando esta fase, passaria a pagar 641,72 euros – um alívio de cerca de 273 euros.

Sabia que pode ainda aplicar o período de carência à renegociação de um empréstimo?

Imagine que possui um crédito habitação e um dos membros do casal fica desempregado, o que automaticamente pode comprometer a capacidade de continuar a pagar o empréstimo.

Embora nem todos os bancos permitam este tipo de renegociação, a verdade é que, perante uma situação como esta, poderá tentar solicitar à instituição financeira que implemente um período de carência para que, assim, fique a pagar uma prestação mais baixa durante algum tempo.

Em que situações compensa?

Imagine que porventura teve um problema de saúde que o impede de estar, de momento, a trabalhar, encontrando-se de baixa médica até determinada altura. Suponha ainda que iria solicitar um crédito habitação e um dos membros do casal fica desempregado. Numa situação como esta poderá ser vantajoso pagar uma mensalidade mais reduzida.

Porém, há que ter em conta que esta solução acarreta algumas desvantagens. Desde logo, assim que termina o período de carência, o montante da prestação aumenta consideravelmente, dado que o capital que não foi amortizado terá de o ser num prazo mais curto (correspondendo ao tempo que falta para acabar de liquidar o empréstimo).

Além disso, tenha em atenção que a prestação a pagar findo o período de carência fica mais elevada do que se não tivesse optado por esta modalidade.

Neste sentido, um empréstimo com período de carência pode ficar mais caro, na totalidade, do que ficaria se não tivesse acionado esta opção. Isto é fácil de entender. Grosso modo, como esteve durante algum tempo sem amortizar o capital (apenas pagou juros), só o começará a amortizar mais tarde, no término do período de carência.

Atentando nestes fatores, importa, assim, tomar boas decisões no campo das finanças pessoais. O período de carência pode ser útil para quem, por exemplo, precise mesmo de pagar uma menor prestação durante algum tempo.

Mas tenha atenção: no geral, enveredar por esta opção vai trazer-lhe encargos mais altos e vai ter de estar preparado para esta realidade. Os créditos não são, no entanto, todos iguais. Há diferentes tipos de empréstimos a oferecer períodos de carência com prazos e taxas díspares. Importa consultar e comparar o melhor para si.

 

Nair Dos Santos

Sobre Nair Dos Santos

Especializada em Economia Internacional, a Nair iniciou o seu percurso profissional em Marketing Institucional. Alia a sua criatividade ao universo financeiro com o objetivo de ajudar os portugueses a melhorar a sua literacia financeira e contribuir para o desenvolvimento de uma economia sustentável.

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