A bomba de calor é hoje uma das formas mais eficientes de aquecer a tua casa e a água quente, e por isso aparece cada vez mais nas conversas sobre eficiência energética. Em vez de queimar gás, aproveita o calor do ar exterior e usa pouca eletricidade para o concentrar. O resultado é um consumo muito mais baixo do que numa caldeira ou num termoacumulador clássico. Neste artigo mostramos-te o que é, como funciona, quanto custa e quanto podes poupar na fatura.
O que é uma bomba de calor?
Uma bomba de calor é um equipamento que transfere calor de um sítio para outro, em vez de o produzir por combustão. Funciona de forma parecida com um ar condicionado ao contrário, captando energia térmica que já existe no ar exterior, mesmo quando está frio, e transferindo-a para dentro de casa. Pode servir para aquecer a casa, arrefecer no verão e aquecer a água quente. Como aproveita uma fonte de energia gratuita, o ar, é uma das tecnologias mais associadas à poupança de energia no aquecimento.
Como funciona a bomba de calor?
O princípio é simples. Um fluido refrigerante circula dentro do equipamento e passa por quatro fases: evapora ao absorver o calor do ar exterior, é comprimido por um compressor (que sobe a temperatura), liberta esse calor para a tua casa ou para a água, e volta a expandir-se para recomeçar o ciclo. A eletricidade serve apenas para alimentar o compressor e os ventiladores, não para gerar o calor. Por isso, com pouca energia elétrica consegues muito mais energia em forma de calor. É esta lógica que faz da bomba de calor um equipamento de classe energética elevada, semelhante à informação que encontras na etiqueta energética dos eletrodomésticos.
Tipos de bomba de calor
Existem vários tipos, consoante a fonte de calor e a forma como o distribuem:
Ar-água: capta o calor do ar e transfere-o para um circuito de água, que serve aquecimento central (piso radiante ou radiadores) e águas quentes sanitárias. É o modelo mais comum em Portugal.
Ar-ar: capta o calor do ar e aquece (ou arrefece) diretamente o ar dos compartimentos. É, na prática, o sistema de um ar condicionado com bomba de calor.
Geotérmica: capta o calor do solo. É a mais eficiente e estável, mas também a mais cara, porque exige obra para colocar as sondas no terreno.
Há ainda equipamentos só para água quente, que substituem o termoacumulador elétrico ou o esquentador a gás e aquecem o depósito de AQS com muito menos consumo.
COP: como medir a eficiência
A eficiência de uma bomba de calor mede-se pelo COP, sigla de coeficiente de desempenho. O COP indica quanta energia em forma de calor o equipamento entrega por cada unidade de eletricidade que consome. Um COP de quatro significa que, por cada 1 kWh de eletricidade gasto, a bomba produz cerca de 4 kWh de calor. Quanto mais alto o COP, menor a tua fatura. Em Portugal, com um clima ameno, os valores são favoráveis durante a maior parte do ano, sobretudo no Sul. O COP varia com a temperatura exterior, por isso é importante olhar para os valores médios e não apenas para o número de catálogo.
Bomba de calor vs caldeira a gás
A grande diferença está na origem do calor. A caldeira a gás queima combustível e perde parte da energia no processo de combustão. A bomba de calor não queima nada, aproveita o calor do ar, e por isso entrega mais energia útil do que a eletricidade que gasta. Face a um termoacumulador elétrico, a poupança no aquecimento de água pode chegar a cerca de 75%. Existem ainda sistemas híbridos, que combinam caldeira e bomba de calor e escolhem automaticamente a fonte mais económica em cada momento.
Critério | Bomba de calor | Caldeira a gás |
|---|---|---|
Fonte de energia | Eletricidade + calor do ar | Gás (combustão) |
Eficiência | COP elevado (3 a 5) | Perdas na combustão |
Custo de instalação | Mais elevado | Mais acessível |
Custo de utilização | Reduzido | Depende do preço do gás |
Arrefecimento no verão | Sim (alguns modelos) | Não |
Emissões diretas | Nenhumas | Sim |
Vale a pena lembrar o contexto regulatório europeu. A diretiva de eficiência energética dos edifícios prevê o fim da instalação de caldeiras a gás em edifícios novos a partir de 2028 e a eliminação gradual do aquecimento a combustíveis fósseis até 2040, além de já não permitir subvenções a caldeiras autónomas a combustível fóssil. São metas e prazos definidos ao nível da diretiva, que cada Estado-membro transpõe para a sua legislação.
Custos de instalação e poupança
O investimento numa bomba de calor depende do tipo, da potência e da casa. A título indicativo, um equipamento só para águas quentes sanitárias situa-se numa faixa mais acessível, enquanto um sistema de aquecimento central, ou um sistema completo de aquecimento mais AQS, exige um investimento bastante mais elevado. Os valores variam muito com a obra necessária, por isso pede sempre orçamentos a instaladores certificados.
A poupança aparece na utilização: como o consumo elétrico é muito inferior ao de um termoacumulador ou de uma caldeira, a fatura mensal desce de forma significativa. Esse valor depende também do preço da eletricidade que pagas, pelo que comparar fornecedores e olhar para o IVA na eletricidade ajuda a maximizar o retorno. Combinar a bomba de calor com painéis solares pode reduzir ainda mais o consumo da rede.
Apoios disponíveis
Ao longo dos últimos anos têm existido apoios públicos à eficiência energética, geridos sobretudo pelo Fundo Ambiental, como o Vale Eficiência e o programa E-Lar. A disponibilidade destes apoios varia muito ao longo do tempo, com fases que abrem e fecham e dotações que se esgotam, e nem todos cobrem bombas de calor. Por isso, antes de avançares, confirma sempre o estado atual das candidaturas e os equipamentos elegíveis no site oficial do Fundo Ambiental. [VERIFICAR: estado das candidaturas Vale Eficiência e E-Lar e elegibilidade de bombas de calor à data de publicação; IVA aplicável].
Perguntas frequentes
A bomba de calor funciona bem no clima de Portugal?
Sim. Como o clima português é ameno e raramente desce abaixo de zero na maior parte do território, a bomba de calor mantém um bom desempenho durante quase todo o ano. No Sul, os valores de COP tendem a ser ainda mais elevados. Em zonas de inverno mais rigoroso, escolhe um equipamento dimensionado para baixas temperaturas para garantir conforto sem disparar o consumo.
Vou mesmo poupar na fatura com uma bomba de calor?
Na utilização, sim. Como aproveita o calor do ar e gasta pouca eletricidade, o consumo é muito inferior ao de um termoacumulador elétrico ou de uma caldeira a gás. A poupança no aquecimento de água pode chegar a cerca de 75%. O retorno demora algum tempo, porque o investimento inicial é elevado, mas a fatura mensal fica bastante mais leve.
Bomba de calor ou caldeira a gás, qual escolher?
Depende da casa e do orçamento. A caldeira tem instalação mais acessível, mas custos de utilização ligados ao preço do gás e emissões diretas. A bomba de calor custa mais a instalar, mas gasta menos e ainda pode arrefecer no verão. Com a regulação europeia a apontar para o fim das caldeiras a gás, a bomba de calor é a opção mais alinhada com o futuro.
A bomba de calor também aquece a água quente?
Sim. Há bombas de calor dedicadas só às águas quentes sanitárias, que substituem o termoacumulador ou o esquentador, e há sistemas ar-água que tratam ao mesmo tempo do aquecimento central e da água quente. Em ambos os casos, o consumo elétrico é muito inferior ao das soluções tradicionais de aquecimento de água.
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