Carta verde do seguro automóvel: o que é e quando preciso

autor comparajá isabel crédito habitação

Escrito por:

Isabel Pires

A carta verde é o certificado que prova que o teu seguro automóvel está ativo quando conduzes fora de Portugal. Vê quando precisas dela e como a obténs gratuitamente.


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Se vais conduzir para fora de Portugal, é muito provável que já tenhas ouvido falar da carta verde. É um documento simples, mas que gera muitas dúvidas: precisas mesmo dela na Europa? Continua a ser verde? Como a pedes? Neste artigo respondo a tudo de forma direta, para saíres de casa com o teu seguro automóvel em ordem e sem surpresas na fronteira.

O que é a carta verde do seguro?

A carta verde é o comprovativo internacional de que o teu seguro automóvel obrigatório, o de responsabilidade civil, está ativo e válido fora do país. Funciona como uma espécie de "passaporte" do teu seguro: prova às autoridades de outros países que o teu veículo está coberto, pelo menos, pela proteção mínima exigida por lei.

O nome oficial do documento é Certificado Internacional de Seguro Automóvel (CIS), mas no dia a dia quase toda a gente lhe continua a chamar carta verde. As condições concretas dependem sempre da apólice de seguro que tens contratada e do prémio do seguro que pagas.

Em Portugal, o sistema é coordenado pelo Gabinete Português de Carta Verde, o organismo que garante que uma vítima de acidente causado por um veículo estrangeiro pode ser indemnizada, e vice-versa. Portugal faz parte deste sistema internacional desde 1953.

A carta verde ainda é verde?

Não. Apesar do nome, a carta verde deixou de ser impressa em papel verde. Desde julho de 2020, o documento passou a poder ser enviado por correio eletrónico e impresso a preto e branco, numa simples folha branca. Por isso é comum ouvires dizer que a "carta verde" passou a ser "carta branca".

Esta mudança foi pensada para facilitar a vida a quem tem seguro: em vez de esperares pelo envio em papel pelos correios, podes receber o ficheiro digital por email e tê-lo no telemóvel ou imprimi-lo em casa. Desde 2025, em muitos casos basta mesmo levares a versão digital contigo.

Em que países preciso de carta verde?

Aqui está a parte que mais confunde os condutores. A regra resume-se a isto: dentro do espaço europeu mais alargado, a carta verde não é obrigatória; fora dele, é.

Onde não precisas de a levar

O teu seguro de responsabilidade civil contratado em Portugal é automaticamente válido nos países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu, sem precisares de apresentar a carta verde. Nestes territórios, vigora um acordo entre os países que dispensa o documento. Estão neste grupo, por exemplo:

  • Todos os 27 Estados-membros da União Europeia.

  • Islândia, Liechtenstein e Noruega (Espaço Económico Europeu).

  • Andorra, Suíça, Reino Unido, Sérvia, Montenegro e Bósnia-Herzegovina.

Mesmo nestes destinos, levares a carta verde contigo continua a ser útil, porque facilita a identificação do teu seguro se tiveres um acidente.

Onde é mesmo obrigatória

Fora do grupo acima, a carta verde passa a ser obrigatória e tens de a levar contigo (em papel ou em formato digital) para circular legalmente. Entre os países onde precisas dela estão Albânia, Azerbaijão, Israel, Macedónia do Norte, Marrocos, Moldávia, Tunísia, Turquia e Ucrânia.

Atenção a um detalhe importante: alguns países que faziam parte do sistema estão atualmente suspensos, como a Rússia, a Bielorrússia e o Irão. Nesses casos, a carta verde já não garante cobertura e é mesmo riscada no documento. Para viajar para esses destinos, terias de contratar um seguro local.

Antes de qualquer viagem fora da Europa, confirma com a tua seguradora se o destino está coberto e em que condições.

Como peço a carta verde à minha seguradora?

A carta verde é fornecida gratuitamente pela seguradora. Tens basicamente dois caminhos:

  • Em muitos casos, o documento é-te entregue de forma automática no momento da contratação ou da renovação do seguro, junto com as condições da apólice.

  • Se não o recebeste, basta contactar a tua companhia de seguros (por email, telefone ou área de cliente) e pedir o envio do CIS. A seguradora envia-to, em regra, em formato digital para imprimires ou guardares no telemóvel.

Vale a pena verificares as datas de validade indicadas no documento, para garantir que cobre todo o período da tua viagem. Se vais comparar ou mudar de seguro antes de viajar, confirma que a apólice nova já está ativa e que tens o certificado atualizado, e lembra-te de que podes sempre ver o seguro pela matrícula para confirmar a cobertura. Se conduzes uma mota, o mesmo se aplica ao seguro de mota.

E se tiver um acidente no estrangeiro?

Se te envolveres num acidente fora de Portugal, o procedimento é semelhante ao que farias cá. Deves preencher a declaração amigável de acidente automóvel, recolher os dados do outro condutor e do respetivo seguro, e contactar a tua seguradora assim que possível.

A carta verde é precisamente o que permite identificar o teu seguro perante as autoridades e a outra parte. Em situações em que o responsável não tem seguro ou não é identificado, existem mecanismos de proteção semelhantes ao Fundo de Garantia Automóvel, embora as regras variem de país para país.

Um conselho prático: por questões de segurança, não deixes a carta verde nem o documento único automóvel dentro do carro. Leva-os sempre contigo, sobretudo se conduzes fora do país.

Vale a pena rever o meu seguro antes de viajar?

Uma viagem ao estrangeiro é um bom momento para olhar com atenção para a tua proteção. O seguro de responsabilidade civil cobre os danos que causas a terceiros, mas pode não chegar se o carro for teu e sofrer danos. Para isso existe o seguro contra todos os riscos, que pode fazer sentido se levas o carro para longe.

Antes de partir, compara coberturas e preços: muitas vezes consegues melhorar a tua proteção sem pagar mais. Conhecer os fatores de agravamento do seguro automóvel e o modo como funciona a franquia do seguro automóvel ajuda-te a escolher o melhor seguro automóvel para o tipo de viagens que fazes. E se já não estás satisfeito com a tua apólice, podes sempre cancelar o seguro automóvel e contratar uma alternativa mais adequada às tuas viagens.


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Isabel Pires
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