Previsão da EURIBOR: as taxas de juro vão subir ou descer?

autor comparajá isabel crédito habitação

Escrito por:

Isabel Pires
rita sogalho

Aprovado por:

Rita Sogalho

Depois de subidas rápidas para conter a inflação, os sinais de alívio começam a surgir. Mas, afinal, o que faz a EURIBOR subir e descer? E quando é que as famílias portuguesas vão sentir a diferença na prestação da casa?

euribor

Nos últimos anos, as taxas de juro têm sido um tema quente para quem tem um crédito habitação ou pretende contratar um. Com as recentes decisões do Banco Central Europeu (BCE), muitos se perguntam: afinal, quando vão baixar as taxas de juro? E qual o impacto disso no meu orçamento?

Vamos esclarecer tudo de forma simples e objetiva, com base nos dados mais recentes.

Taxas de Juro BCE: O que influencia a EURIBOR?

A EURIBOR (“Euro Interbank Offered Rate”) é a taxa à qual os bancos europeus emprestam dinheiro entre si. Esta taxa está diretamente ligada às decisões do BCE, que usa a política monetária para controlar a inflação e estabilizar a economia.

Em 2022 e 2023, o BCE aumentou as taxas de juro para conter a inflação, levando a EURIBOR a 6 meses a atingir valores superiores a 4% em 2023. No entanto, com a inflação a descer, o BCE já começou a sinalizar reduções. Em meados de maio de 2026, as principais taxas EURIBOR encontram-se relativamente estáveis, situando-se em torno de 2,23%–2,54% a 3 e 6 meses e cerca de 2,80% a 12 meses, refletindo um contexto de política monetária mais equilibrada e expectativas de estabilidade no curto prazo.

Qual é o papel da inflação nas taxas de juro?

Depois de anos de aumentos de preços, com picos históricos em 2022 e 2023, a inflação chegou a estabilizar perto do objetivo do BCE, mas voltou a acelerar nos primeiros meses de 2026. Segundo a estimativa rápida do Eurostat, a inflação anual na zona euro subiu para cerca de 3,2% em maio de 2026 (face a 3,0% em abril), o quarto aumento mensal consecutivo, puxado sobretudo pela energia. Está, assim, novamente acima do objetivo de 2% do BCE.

Mas o que é que isto significa, na prática?

  • Os preços voltaram a subir mais depressa. A pressão vem sobretudo da energia (cerca de +10,9% em termos homólogos) e dos serviços (+3,5%), enquanto a alimentação abrandou. Continua a sentir-se nas contas das famílias, da energia às rendas.

  • O BCE deixou de ter margem para cortar. Com a inflação a afastar-se do objetivo, a autoridade monetária travou o ciclo de cortes em meados de 2025 e tem mantido a taxa diretora em 2%. Na reunião de 30 de abril de 2026 voltou a manter, mas sinalizou uma provável subida, a próxima decisão é a 11 de junho de 2026, com os analistas a anteciparem uma subida para 2,25%.

  • As famílias voltam a sentir pressão nas prestações. Foi este contexto que empurrou a EURIBOR para cima em 2026: no início de junho, a 6 meses (a mais usada no crédito à habitação em Portugal) ronda os 2,5% e a 12 meses os 2,8%. A título ilustrativo, cada variação de 0,5 pontos percentuais na EURIBOR pode mexer cerca de 30 a 50 euros na prestação mensal de um crédito de 150.000 euros a 30 anos, agora no sentido da subida.

Em janeiro de 2024, a inflação rondava os 3,8%. Ao longo de 2025 aproximou-se do objetivo, terminando o ano nos 2,0%. Em janeiro de 2026 chegou a descer para 1,7%, mas inverteu a tendência e subiu até 3,2% em maio. Em junho de 2026, o BCE deixou de falar em cortes e o mercado dá como provável pelo menos uma subida das taxas diretoras ainda este ano.

Afinal, a Euribor está a subir ou a descer?

Depois de uma fase de descida em 2024 e 2025, a maré inverteu-se. Em junho de 2026, a Euribor hoje está outra vez em alta: a 3 meses ronda os 2,31%, a 6 meses os 2,58% e a 12 meses os 2,84%. O Banco Central Europeu manteve a taxa de depósito nos 2,00% (a taxa de refinanciamento está nos 2,15%), mas o regresso das pressões inflacionistas voltou a pôr em cima da mesa a hipótese de novas subidas. Por isso, a pergunta deixou de ser apenas "quando baixam" e passou a ser "até onde podem subir".

Importante:

Estas previsões dependem da política monetária do BCE e da evolução da inflação na zona euro.

O que pode fazer o BCE na próxima reunião?

O BCE define as taxas diretoras em função da inflação na zona euro. Quando a inflação acelera, o banco central tende a subir as taxas para arrefecer a economia; quando abranda, tem margem para as descer. Em 2026, com a inflação a dar sinais de subida, o mercado passou a antecipar que o BCE pode voltar a apertar a política monetária em vez de a aliviar. Como a EURIBOR acompanha de perto as expetativas sobre as taxas do BCE, qualquer sinal de subida reflete-se rapidamente no indexante que serve de base ao teu crédito.

Que cenários existem para a Euribor em 2026 e 2027?

Ninguém prevê a EURIBOR com exatidão, mas há dois cenários no horizonte:

Cenário de subida: se a inflação continuar pressionada, o BCE pode subir as taxas e arrastar a Euribor para valores acima dos atuais, encarecendo as prestações de quem tem taxa variável.

Cenário de estabilização: nas projeções do Banco de Portugal, a Euribor a 3 meses ronda em média os 2,0% em 2026 e os 2,1% em 2027, num cenário de aterragem suave da inflação. É a hipótese mais benigna para quem tem crédito.

Na prática, convém preparares-te para os dois lados e não contares com descidas garantidas.

Exemplo:

Para um empréstimo de 150.000€ a 30 anos, indexado à Euribor a 6 meses, com um spread de 1%:

Com Euribor a 3%, a prestação é cerca de 810€.

Com Euribor a 2,5%, a prestação baixa para cerca de 780€.

Com Euribor a 2,14%, a prestação desce para 770€.

Em média, por cada descida de 0,5 pontos percentuais na EURIBOR, podes poupar entre 30 e 50 euros por mês, dependendo do montante em dívida e do prazo restante do teu empréstimo.

Taxa fixa, variável ou mista: o que escolher agora?

Num ambiente em que a EURIBOR pode subir, a escolha do tipo de taxa pesa mais do que nunca. A taxa fixa ou variável tem cada uma os seus prós e contras: a fixa dá-te previsibilidade na prestação mas costuma arrancar mais cara, enquanto a variável acompanha a Euribor para o bem e para o mal. A taxa mista combina as duas, fixando a prestação nos primeiros anos e passando a variável depois. Se optares por variável, vale a pena perceber a diferença entre a Euribor a 3, 6 ou 12 meses, porque o prazo escolhido define a rapidez com que as subidas e descidas chegam à tua prestação.

O que posso fazer já para proteger a minha prestação?

Mesmo sem controlares a EURIBOR, há margem para agir:

Antes de decidir, faz as contas no simulador de crédito habitação e compara cenários com a Euribor mais alta.

Nota:

Se tens um crédito habitação, prepara-te para um possível alívio nas prestações ao longo do ano. Continua a acompanhar as atualizações e planeia bem as tuas finanças para aproveitares ao máximo a descida das taxas de juro.

Perguntas frequentes sobre a previsão da Euribor

  • A Euribor vai subir em 2026? É possível. Em junho de 2026 a Euribor está a subir e o mercado admite novas subidas das taxas do BCE caso a inflação não abrande. Mas há também um cenário de estabilização, pelo que convém não dar nada como garantido.

  • O que é a Euribor e o que é o spread? A Euribor é a taxa a que os bancos emprestam dinheiro entre si e que serve de indexante ao crédito de taxa variável. O spread é a margem que o banco soma à Euribor. A tua taxa de juro é a soma das duas. Aprofunda em taxas de juro no crédito habitação.

  • O que acontece à minha prestação se a Euribor subir? Se tens taxa variável, a prestação sobe na próxima revisão (a cada 3, 6 ou 12 meses, conforme o teu contrato). Simula o efeito no simulador de crédito habitação.


rita sogalho
Rita Sogalho
Team Leader de Consultores Crédito Habitação