O Banco de Portugal anunciou, a 2 de julho de 2026, uma alteração à recomendação macroprudencial aplicável ao crédito habitação. A partir de 1 de agosto de 2026, a taxa de esforço máxima recomendada passará para 45%, o que levará os bancos a avaliar com mais rigor a capacidade financeira dos agregados familiares antes de concederem financiamento.
O que muda na taxa de esforço a partir de agosto de 2026?
A taxa de esforço mede a percentagem do rendimento mensal líquido do agregado familiar destinada ao pagamento de todas as prestações de crédito. Com a nova recomendação do Banco de Portugal, o limiar máximo passa para 45%, reduzindo a margem face ao referencial anterior.
Na prática, esta alteração torna a análise de crédito habitação mais exigente. Um agregado com rendimento líquido de dois mil euros, por exemplo, não poderá ter prestações mensais superiores a 900 euros, somando todos os créditos ativos. Este valor é verificado através do mapa de responsabilidades do Banco de Portugal, que regista os compromissos financeiros de cada titular.
A redução do limiar da taxa de esforço significa que os bancos terão de ser mais restritivos na aprovação de crédito habitação, exigindo maior folga no orçamento familiar.
Quem é afetado pela nova regra do Banco de Portugal?
A medida terá maior impacto em famílias que já acumulam outros encargos financeiros, como crédito pessoal ou crédito automóvel. Quem se encontra próximo do limiar poderá ver o pedido de crédito habitação recusado, sobretudo se os encargos totais ultrapassarem os 45% do rendimento.
Os trabalhadores independentes poderão ser particularmente afetados, uma vez que os bancos tendem a aplicar critérios mais conservadores na avaliação dos seus rendimentos. Da mesma forma, jovens compradores que dependam de programas como o crédito habitação jovem deverão recalcular a sua capacidade de endividamento à luz do novo limiar.
A medida junta-se a outras regras prudenciais já em vigor, como os prazos máximos do crédito habitação e as regras LTV definidas pelo regulador.
Como posso preparar-me antes de 1 de agosto?
Se estás a planear pedir crédito habitação, convém agir antes da entrada em vigor da nova recomendação. O primeiro passo é usar o simulador taxa de esforço para verificar se o teu perfil financeiro cumpre o novo limite de 45%. Caso estejas acima desse valor, pode valer a pena amortizar outros créditos para reduzir a taxa de esforço global.
Convém também rever os requisitos para pedir crédito habitação e confirmar que tens toda a documentação atualizada. Podes ainda comparar crédito habitação entre várias instituições para encontrar condições que se ajustem ao teu orçamento, ou consultar um intermediário de crédito regulado pelo Banco de Portugal para obteres acompanhamento personalizado.
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